domingo, 25 de agosto de 2019
Nada Pop

#045 – Os 10 álbuns de Rob Ashtoffen (Jair Naves, St Louis Disaster, entre outros)

Sim, voltamos com a série dos 10 álbuns. Essa – que não é uma matéria original – mas ao mesmo tempo tem sido uma das coisas mais importantes do Nada Pop até o momento. Não consigo explicar, mas é um mergulho profundo em álbuns que muitas vezes eu nem fazia ideia que existiam e que também acabam se tornando, de uma forma ou de outra, referência para outros artistas e fãs de música, independentemente de ser algo relacionado ao punk ou hardcore.

O nosso convidado dessa vez é o Rob Ashtoffen, que trouxe uma lista interessantíssima e que, particularmente, ampliou meus horizontes. O Ashtoffen é baixista, guitarrista e produtor cultural. Começou aos 15 anos (atualmente com 32) com uma banda grunge, depois partiu para a música de rua e bandas de jazz com os parceiros do Jazz na Kombi. Trabalha como músico profissional e como produtor executivo. Mestre em Ciências da Informação na área de Ação Cultural. Tocou em bandas como As Bahias e a Cozinha Mineira, Murilo Sá e Grande Elenco e Chaiss na Mala.

Atualmente integra os seguintes projetos artísticos: Jair Naves, St Louis Disaster, Electric Hendrix Ensemble, Electric Hendrix Tribute (Blues), Atrio Jazz, SPIO Orquestra, Elio Camalle, Meu Preto da Capadócia.

Confira a lista e não deixe de ir atrás desses artistas, caso desconheça algum.

045 – Os 10 álbuns de Rob Ashtoffen (Jair Naves)

01 – INVISIBLE – EL JARDÍN DE LOS PRESENTES (1976)

Luis Alberto Spinetta é um gênio. Descobri isso quando um amigo (Glauco Murta, ex-Ctrl Alt Hell) me apresentou isso no YouTube depois de voltar de uma viagem de bicicleta pela Argentina. Quando ouvi os primeiros acordes de “El Anillo del Capitan Beto”, com aquele tremolo que até hoje eu choro, viciei loucamente. Spinetta tem uma discografia extensa. Acho que mais de 45 discos. Desde 2012, em que fora apresentado, eu o ouço constantemente e ainda tem muito por descobrir. E eu sou conhecido também por evangelizar sua música por aí. Muitos amigos e amigas viraram fãs dele (risos). Sigo evangelizando.

02 – BHIMSEN JOSHI – VOCAL RECITAL /ODEON (1968)

Uma época cheguei a estudar a filosofia indiana, religião bramane. Achei bem interessante, principalmente a música, os microtons, a rítmica. Era um som cósmico. Comprei esse vinil sem saber numa feira de discos não sei de onde, não lembro. Comprei por, sei lá, 30 conto. Vejo que é um disco raro, nem se acha no YouTube (se pá tem no SoulSeek). Ouço esse disco até hoje e me impressiono com a sacralidade da voz do Joshi. A música indiana sempre está presente no que faço musicalmente. Foi um contato interessante, frutífero.

03 – KING CRIMSON – RED (1974)

Moldou minha forma de tocar baixo, de compor, de entender o progressivo. Foi meu primo David (que toca comigo na St. Louis Disaster) me apresentou. Quando ouvi o baixo bem na cara, bem pesado, fiquei em choque! Divisor de águas.

04 – JOHN COLTRANE – A LOVE SUPREME (1965)

Toquei saxofone durante 4 anos por causa dele. Lembro que peguei um DVD de umas apresentações dele numa TV europeia. Quando ouvi My Favorite Things foi decisivo. Troquei o trompete por um soprano chinês. Ouvi muito Coltrane. Hoje ouço somente o sax dele e já reconheço. Minha concepção musical mudou demais, cresceu muito com esse disco. A relação de música e espiritualidade me foi ensinada aqui.

Uma vez fiz uma experimentação tomando um enteógeno (substância alteradora da consciência) e ouvindo esse disco. Sentia o sax rasgando a minha espinha dorsal. Daí comecei a ter outra noção da realidade vivida. Até me recuso a tocar esses temas por conta da sua força e história. É algo para ser ouvido somente, como uma oração.

05 – BANDA BLACK RIO – MARIA FUMAÇA (1977)

Esse de fato foi quando eu comecei a levar o contrabaixo a sério. Eu sempre quis copiar o Jamil Joanes (baixista do disco e compositor de vários temas). Ele é a minha maior influência no instrumento. Toda vez que algum engenheiro de som pede referência de som de baixo para uma gravação eu mostro esse disco. Para mim, essa mix é perfeita. Lugar do baixo cantando bonito, demais, timbre de Fender 70. Uma pérola!

06 – ELIS (1973)

Poderia colocar junto com o Clube da Esquina e o Gil, mas sinto que os dois foram ligados pela Elis. Esse disco é gigante. Quando ouço vejo uma maturidade musical absurda e como nossa música é densa. Destaque para “Agnus Sei”’ que é uma versão macabra do João Bosco. Estudei bem o baixo do Luizão Maia nesse disco. A escolha das músicas pela Elis foi demais. Para mim o melhor disco dela e um dos melhores da música brasileira.

07 – QUEEN – MADE IN HEAVEN (1995)

Esse foi o meu primeiro contato profundo com um disco. Decorar as letras, ter o encarte meio surrado de tanto ler. Lembro que eu não sabia o que significava “I was born to love you”. Adorava o peso das guitarras, a voz e as melodias do Freddie, os pianos, os sintetizadores. Esse eu ouvia sempre que ia pra casa dos meus tios na Figueira Grande, perto do M’boi Mirim, Zona Sul de SP. Era uma casa num escadão, e as ruas nem eram asfaltadas. Isso acho que era 96, 97.

08 – QUEENS OF THE STONE AGE – SONGS FOR THE DEAF (2002)

A MTV me apresentou um clipe maluco com um veado sendo atropelado, tudo meio chapado. Melodias todas doces, mas sombrias e umas guitarras altas e pesadas. Esse é o melhor do QOTSA, é quase unânime. Hoje tem alta influência quando componho rock, principalmente na voz. O Josh Homme mistura a voz do R&B e muitas vezes de cantoras de Vaudeville (ouçam “Do it Again”) com guitarras do Stoner, do grunge. Era isso que eu mais amava. Tenho o CD até hoje.

09 – PIERRE BOULEZ CONDUCTS BEETHOVEN SYMPHONY N.5 – NEW PHILHARMONIA ORCHESTRA JOHN ALDIS CHOIR (1972)

Esse foi em disco de vinil também. Quando ouvi o TAN TAN TAN TAAAAANNN da quinta sinfonia beeeem lento, tive um treco. Falei; Putz, meu toca disco tá zoado. Mas era isso mesmo. Allegro con brio. O Pierre doidão, né. aahah ficou melhor que o original que todo mundo toca, que é mais rápido. Uma vez fazendo faxina em casa teve um momento ali que eu lacrimejei ouvindo. Me tocou profundamente.

10 – STEVIE WONDER – INNERVISIONS (1973)

AMO o Steve Wonder. Um enviado extraterreno com um poder absurdo. E produziu muito. Difícil escolher um disco dele. Escolhi um dos mais progressivos e que mais ouvi. O jeito de cantar dele, as harmonias, o funk. Ele é uma fonte de pesquisa musical muito ampla. Ouvi-lo já nos dá muita vontade de criar. E esse disco tem umas texturas, falas, ele experimentou mesmo. Sempre foi autêntico. E isso foi um ensinamento.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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