sexta-feira, 24 de maio de 2019
Nada Pop

#02 – Os 5 shows de Matheus Krempel, The Bombers e Porto Produções

Matheus Krempel – Foto Roberto Gasparro

O Nada Pop continua com o intuito de compartilhar experiências de algumas personalidades do cenário artístico e cultural, seja independente ou não, para que possam revelar alguns dos shows mais marcantes presenciados ao vivo por essas personas.

Dessa vez, o nosso convidado é o Matheus Krempel, guitarra e vocal do The Bombers, além de proprietário do estúdio Porto Produções Musicais.

De acordo com o Matheus, essa lista, com apenas cinco shows, foi difícil de ser realizada. “Falar sobre os cinco melhores shows que eu já assisti nesse mundão não foi tarefa fácil. Me baseei nos shows que me fizeram entender o meio musical independente. São shows pontuais na minha vida e mexeram mesmo comigo”, diz.

Confira abaixo a lista do Matheus e não deixe de compartilhar e comentar o que achou dos escolhidos. Conhecia algum?

– Kleiderman, Little Quail and the Mad Birds e P.U.S. (1994)

Foi na praia de São Vicente, em 1994, que eu assisti essas quatro bandas juntas. O Kleiderman (banda formada pelo Branco e o Britto do Titãs) divulgando seu único disco, foi a minha inauguração nas “rodas de pogo”. O

Little Quail and the Mad Birds me fez urrar “1, 2, 3, 4”, enquanto meus amigos me olhavam sem entender nada. Expliquei para eles que era fã da banda, desde que ouvi essa faixa em um programa de rádio na 95FM.

Ainda teve o P.U.S., da Syang, muito antes de todo o hype que viria a seguir. Se eu não me engano, rolou Killing Chainsaw também, uma banda que eu curtia muito na época, mas prefiro não arriscar.

– Beach Lizards (1996)

Esse show foi organizado pelo meu pai junto a galera da Orphan Records. O meu pai gerenciava um bar de rock voltado para “adultos”, onde só rolavam shows do Blow Up, a maior banda de baile de Santos.

Eu estava começando a tocar com o Bombers e ele conseguiu abrir uma data para nós em um domingo à tarde.

A notícia logo se espalhou pela cidade e de repente os caras mais velhos do HC Santista estavam procurando pelo Seu Reynaldo, vulgo “Pai do Menino do Bombers”.

Como nosso show não trouxe problemas para a casa, eles liberaram mais datas para as bandas independentes. Nessa eu assisti esse show do Beach Lizards, que estavam lançando o incrível “Spinal Chords”, com direito a versão de “People are Strange”, do The Doors.

– NOFX (1997)

Foi na Planet Z, antiga casa de shows de Santos, que eu assisti os californianos do NOFX pela primeira vez. Os caras estavam no auge e eu assumo que só fui por pressão dos amigos. Eu tinha muito preconceito com o “Hardcore Melódico”, mas fui também porque tinha muita simpatia por uma fitinha K7 que eu ganhei com o “Punk in Drublic”. Um show épico e inesquecível e que marcou minha vida.

– Shelter, Cólera e Blind (1996)

Em 1996, “Mantra” era um dos discos que eu mais ouvia. “Here we go again” rolava em looping na MTV e eis que anunciam o show dos Hare Krishna, do Shelter, em Santos, com o Cólera e o Blind.

Cheguei tarde e perdi o show do Blind, mas consegui assistir o Cólera destruindo no palco do Cadillac Café.

Me lembro do pico estar abarrotado, vários amigos do colégio e inclusive o João Gordo no balcão do bar.

Quando o Shelter apareceu, o lugar veio abaixo. As músicas eram cantadas em uníssono (como dizia meu amigo Wladimyr Cruz no fanzine Rebel Magazine) e as pessoas se jogavam do segundo andar da casa, em cima do público. Insano! Extremo! Me caguei de medo, mas no final deu tudo certo.

– Backyard Babies (2002 Bar do 3)

Em 2002, eu já era um grande fã dessa banda sueca e nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar que assistiria um show dos caras em Santos.

Vocês devem estar pensando no porquê da minha surpresa. Afinal, depois de ter recebido Madball, Bad Religion, Lemonheads, Biohazard, Down by Law, Dog eat Dog, Voodoo Glow Skulls porque não o Backyard Babies?
Simples.

Em 2002, apenas eu e alguns poucos amigos meus conhecíamos o som dos caras. E o som dos caras não era exatamente o som que a galera do skate e do surf ouviam e isso diminuía bastante a chance de um show de uma banda de Hard Rock Apunkalhado rolar na “California Brasileira”.

Quando soube que a minha ex banda, o Anti-Fashion, faria o show de abertura, me enfiei junto com eles e desse jeito pude assistir a passagem de som, dividir o camarim além de conversar muito com os suecos.

Não tive nem vontade de pedir autógrafo. Era como se fossemos brothers. O Dregen estava espantado em como o cigarro era barato no Brasil e mesmo assim filou meus cigarros a noite inteira. Em contrapartida, me serviram de Jack n’ Coke com a mesma naturalidade que você oferece água da torneira para os seus amigos. Bizarramente lindo.

Ah… no mesmo dia teve Forgotten Boys e Blind Pigs, mas assumo que nem sai do camarim para ver os shows. Outra curiosidade, foi que 70% do pouco público foi pelas bandas de abertura e depois disso foram embora em solidariedade ao Blind Pigs, que estavam indignados com a casa que não deu nem cerveja para os caras enquanto a festa regada a Jack Daniels rolava solta no camarim para os gringos. Er… para os penetras também (hehehehehe).

Sobre o show… quase intimista e de uma entrega inimaginável. Depois desse dia, toda vez que eu pegava um show com pouco público, sempre me lembrava do profissionalismo do Backyard Babies ao tocar em Santos, no minúsculo palco do Bar do 3, numa quarta-feira, para 50 pessoas como se estivessem no Rock in Rio. Uma aula.

Agora eu indico o Raul Zanardo (Dum Brothers), Henrique Badke (Carbona) e a Gabi Delgado (Cosmogonia).

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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