segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Nada Pop

#01 – Os 5 shows de uma vida por Débora Cassolatto, a Debbie Hell

Debbie Hell no Tarantino Sounds – Foto: Ariel Martini

O Nada Pop inicia um novo quadro com o intuito de compartilhar experiências de algumas personalidades do cenário artístico e cultural, seja independente ou não, revelando alguns dos shows mais marcantes presenciados ao vivo por essas personas.

Não há um critério fechado, sendo definido unicamente pelas experiências do convidado e suas percepções sobre o show, que podem nos revelar a importância daquela apresentação ou o impacto representado em sua vida.

Para esse primeiro capítulo, convidamos a Débora Cassolatto, a Debbie Hell, reconhecida pelo seu trabalho e curadoria em diferentes projetos sobre música e arte, além de uma super DJ, que segue discotecando por diversas festas e shows de música alternativa (a chame para tocar na sua festa! Mande um direct em seu Instagram).

A Débora também continua escrevendo para o seu site Ouvindo Antes de Morrer e conta com um programa, o Debbie Records, na Mutante Radio, onde podemos conferir todas as quintas-feiras, às 21h.

O diferencial desse novo quadro é que, ao final de cada experiência compartilhada, é o próprio convidado quem realiza o convite para as próximas participações. #ficaadica

A partir de agora, quem assume o quadro é a própria Débora. Confira abaixo os cinco shows marcantes que ela tem para nos contar.

Os 5 shows de uma vida, por Débora Cassolatto:

Acho que é inevitável, todo show marca a gente de alguma forma, ainda mais nesses últimos anos com uma safra tão criativa e produtiva de bandas. Não vou levar em consideração aqui os gringos porque queria separar uma seleção de shows atuais das bandas independentes que estão sempre por aí pra galera ter a oportunidade de assistir também. Vem comigo:

A LAVA DIVERS tem um disco maravilhoso de noise shoegazinho e seus shows tem uma aura de college rock especialmente por conta da Ana Zumpano, baterista e vocalista. Já vi o show deles diversas vezes, mas o último, na sala da casa da Ana com uma galera foi aquela experiência de clipe (fofo) do Sonic Youth.

Gosto de acompanhar os BEACH COMBERS e seu conceito de Beach Attack de se apresentarem pela cidade naquele esquema de músicos de rua fazendo a cidade e os transeuntes parte da experiência. Chega a ser injusto jogar eles na categoria “Surf Music Instrumental”. Os títulos das músicas, os uniformes, as histórias da banda formam um todo bem único na hora da apresentação. O show deles que mais me marcou foi o do festival da Jagermeister BR no final de 2017, mas sempre estou acompanhando eles.

Foi no porão de um restaurante tailandês (acho,rs), nos fundos de uma galeria da rua Augusta que vi os THEE DIRTY RATS pela primeira vez. O som cru, primitivo, garage punk é o tipo de coisa que amo, e o duo faz com excelência. A dupla construiu sua própria cigar box e usa o set de bateria da forma mais simples possível. Um show lo-fi desses em um lugar como aquele é algo que não vou esquecer nunca.

Sempre falo que se novela ainda valesse qualquer coisa no Brasil, a YMA seria trilha sonora obrigatória. Gosto demais do som indie pop dela e toda a identidade visual dos clipes e no palco. Vi seu show no Festival Fora da Casinha, organizado pela Casa do Mancha em 2018 e fiquei hipnotizada o tempo todo. Especialmente quando o Lau (da banda Lau e Eu) subiu para fazer uma participação. Fiquei emocionadinha sim.

É difícil demais escolher entre SKY DOWN e COLOR FOR SHANE pra fechar a seleção, então infelizmente vou ter que burlar as regras aqui e botar os dois juntos, hahaha. Gosto demais da raiva do Sky Down. A intensidade do Caio Felipe (guitarrista) contrastando com todo aquele sagrado feminino da Amanda Buttler (baixo) é um show à parte, e sempre saio bem impressionada. Vi várias apresentações deles, mas quando tocaram numa edição da Festa Gimme Danger foi especial demais. Se não me engano, também foi o primeiro show depois que a Amanda entrou.

Sobre o Color for Shane, sempre falo que as letras do Rafa Chabu parecem uma mistura de Lou Reed com Iggy Pop depois do eletrochoque, e acho que o show do duo que mais me marcou foi quando o baterista ficou preso no trânsito por causa de uma tempestade, e o Rafa escalou um amigo da plateia para substituí-lo. Estavam sem baquetas e acabaram tocando com as ferragens da bateria, com chuva no palco, tudo desmontando, mas o show rolando na marra.

Agora é hora de passar a bola para Ana Zumpano, Joyce Guillarducci e a Alinne Anno (a Liu!), três maravilhosas da cena independente, pra compartilharem com a gente suas experiências com shows.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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