quinta-feira, 21 de março de 2019
Nada Pop

#005 – Os 10 álbuns de Nuno Mindelis

Nuno Mindelis – Foto por Rosemeire Pereira (Joy Joy)

É com imenso prazer que o Nada Pop apresenta os 10 álbuns de um dos melhores guitarristas do mundo! Nuno Mindelis, luso-brasileiro nascido em Angola, respeitado e admirado por seu talento e obra, eleito em 1998 o melhor guitarrista de blues pela revista americana “Guitar Player”.

Aos cinco anos se apaixonou pela guitarra e aos nove já tocava em instrumentos construídos por ele! Publicou recentemente no UOL um belo relato sobre a sua experiência com a obra do então falecido B.B. King – acesse aqui. Convenhamos, ninguém melhor do que o Nuno para falar sobre B.B. King.

Nuno lançou em 1990 o disco “Blues & Derivados”, primeiro álbum de sua carreira. Depois disso vieram álbuns como “Long Distance Blues”, “Texas Bound”, “Blues On The Outside”, “Twelve Hours”, entre outros. Um detalhe bem bacana de “Texas Bound” é que este trabalho foi gravado com a participação da Double Trouble, banda de Stevie Ray Vaughan.

No programa “Por Trás do Som”, que pode ser acessado AQUI, Nuno dá uma verdadeira aula de luthieria/história de guitarra, apresentando não só uma qualidade técnica impressionante, como um conhecimento do instrumento invejável. Aproveite para conhecer ou rever o som do Nuno acessando o site http://nunomindelis.com.br e curtindo sua página no Facebook: facebook.com/nunomindelis.

#005 – Os 10 álbuns que influenciaram Nuno Mindelis

01 – BEATLES – I WANT TO HOLD YOUR HAND  (Single 1963, aos seis anos de idade)

Impacto quase fulminante para uma criança que estava acostumada a texturas mais eruditas, que os pais ouviam. Foi o ingresso no rock and roll.

01 - Beatles

02 – THE OTIS REDDING STORY  (aos nove anos, coleção de singles reunidos posteriormente em álbuns)

Idem impacto, por conselho de um amigo mais velho que percebera a minha obsessão por música, ouvi entre 9 e 10 anos toda a obra que Otis deixou. Era difícil, indigesto, dolorido quase, mas me obriguei a continuar ouvindo porque sabia que era bom. Acabei obcecado, apaixonado por aquele som. Foi o ingresso no Soul. Determinante para a minha formação.

02 - The Otis Redding Story

03 – BIG BILL BROONZY – BLUES WITH BIG BILL BROONZY, SONNY TERRY AND BROWNIE MCGHEE

Depois dos dois impactos anteriores, sofri outro lá pelos 12 ou 13 anos de idade), esse LP estava sobre um aparador na casa de um amiguinho da escola, era do pai dele. Ouvimos e fiquei atordoado com a magia de Big Bill e especialmente a magia do Delta Blues. Copiei “Hush, Somebody’s Calling Me” no mesmo dia e gravei em cassete.

03 - Big Bill Broonzy

04 – BLUES BREAKERS – JOHN MAYALL WITH ERIC CLAPTON (1966) 

Aqui já aos 15 anos de idade, impacto do blues elétrico, na fase em que Clapton realmente deixou todo o mundo de queixo caído. O meu também, ao ouvir “All Your Love”. Copiei o riff da introdução / final e o desenho rítmico na guitarra. Provavelmente o ingresso no Blues Elétrico.

04 - Blues Breakers

05 – BOOKER T. & THE M.G.’S – MELTING POT (1971)

Pela mesma época, a banda de Otis Redding (e de apoio de toda o elenco da Stax Records). Com Steve Cropper, Al Jackson Jr., Booker T. Jones e Donald Dunn é um tratado de blues/ jazz rock / soul / country, tudo processado numa linguagem só, rara e não é à toa que a Stax é o que é. Costumo aconselhar os jovens que me pedem referências para deixar esse disco na mesa de cabeceira. Serve para qualquer instrumento, baixo, teclado, bateria ou guitarra.

05 - Booker T. & The M.G.'s - Melting Pot

06 – JIMI HENDRIX – BAND OF GYPSYS (1970)

Quando ouvi o riff de “Who Knows” a minha vida mudou de novo. Senti a mesma indigestão e dificuldade de quando tinha ouvido Otis. Jimi tinha vindo de outro planeta.

De novo, obriguei-me a continuar ouvindo até compreender e passei a venerar. Ingresso na psicodelia e wah wah.

06 - Jimi Hendrix - Band of Gypsys

07 – SANTANA – EVIL WAYS (1969)

Era o guitarrista mais original junto com Jimi naquela época. Se havia dois que não se pareciam com ninguém mais, eram esses dois. Copiei muitos solos, frases, riffs, tudo. O timbre Gibson inimitável, arrebatador. Ingresso nas escalas mais intrincadas.

07 - Santana - Evil Ways

08 – PINK FLOYD – THE DARK SIDE OF THE MOON (1973)

De certa forma, mais um alienígena vindo de galáxia distante. Impossível sair ileso.

08 - Pink Floyd - The Dark Side of The Moon

09 – RORY GALLAGHER – LIVE IN EUROPE (1972)

Ouvi esse disco até gastar. O Irlandês era encapetadíssimo na guitarra, eu já tinha discos do Taste antes, já era fã.

09 - Rory Gallagher - Live in Europe

10 – MAHAVISHNU (JOHN MCLAUGHLIN) ORCHESTRA – BETWEEN NOTHINGNESS AND ETERNITY (1973)

Aqui eu tinha 16/17 anos acho, (minutos antes da revolução que me fez sair do país) andava prestando atenção a ambiências jazzísticas, Chik Corea com Return to Forever, Miles, Coltrane e outros.

Ouvi muitíssimo esse disco e copiei muitas frases de Mclaughlin, foi como um grande professor, assim como Santana, Jimi e outros.

10 - Mahavishnu (John McLaughlin) Orchestra - Between Nothingness and Eternity

Quando você copia um ídolo, você se apropria da técnica dele literalmente, era a forma que eu tinha de aprender. Não havia professores onde eu estava, a não ser de música erudita. Antes, eu já tinha gastado um disco “Santana & John McLaughlin (Love, Devotion and Surrender).

Não havia imagens (vídeos etc ) como hoje, nem o filme Woodstock pude ver, foi proibido pela censura. Não havia moleza. Eram as orelhas, a dedicação e moedas sobre as agulhas dos toca discos para diminuir a rotação e conseguir decifrar o que o seu heróis estava fazendo!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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