sexta-feira, 24 de maio de 2019
Nada Pop

#001 – Cenas de uma vida hardcore – Entrevista com Fernanda Carrilho Gamarano

Fernanda Gamarano – Foto: Isabelle Andrade

Fernanda Carrilho Gamarano é uma mulher multitarefas, além de guitarrista na banda Der Baum, de psicodelia/rock/pop, e ser uma chef de cozinha em seu próprio restaurante, o Fefas Massa, é fotógrafa do cenário independente, principalmente do rock do ABC Paulista, região onde mora.

É com ela que inauguramos a coluna “Cenas de uma vida hardcore”, que bate um papo com esses artistas da imagem e que exercem papel importante para o registro de bandas e da própria cultura, como uma memória física e histórica de uma cena musical, shows ou simplesmente para nos lembrar que existe algo acontecendo além da própria música.

Mas vamos deixar que a própria Fernanda conte a sua história, nos fale sobre esse trabalho, calotes e momentos incríveis, dicas e percepções sobre a fotografia e como trabalha o seu olhar para poder captar as “fotassas” que realiza. Além disso, montamos uma galeria especial com as fotos da Fernanda, confira logo abaixo.

Vale dizer que o Fefas Massa está no Ifood (propaganda gratuita aqui), e que as suas receitas veganas e fitness podem ser conferidas em seu Instagram de mesmo nome (basta clicar AQUI para ser direcionado). Como ela mesma nos disse, “são elas que mantém meu sonho com a música! Um jeito de sobreviver nesse mundo capitalista sem precisar ficar dentro do sistema, faço de tudo para manter ativa as coisas que realmente gosto! Ganho pouco, mas o pouco vale muito quando se faz o que ama!”.

Sky Down, na Neu - Foto: Fernanda Gamarano

NADA POP – Fernanda, como surgiu a fotografia em sua vida, qual o equipamento que você geralmente usa e quais shows, por exemplo, você já fotografou?

FERNANDA – A fotografia assim como a música surgiu na minha infância! Sempre gostei de tirar fotos, e o engraçado que não era de mim e sim das paisagens das viagens que fazia às vezes na escola ou com meus pais, adorava mexer nas câmeras analógicas! Sempre levava a câmera nas excursões e etc., me divertia! Hoje em dia uso uma Nikon d5200 semiprofissional, equipamento é muito caro. Vou aos trancos e barrancos com ele, mas vou fazendo meu trampo! Já fotografei muitos shows que até difícil contar! Acredito que foram mais de 50!

Comecei a fotografar shows quando havia show da minha banda, eu levava a câmera e aproveitava para tirar fotos das outras bandas, porque sei que tem lugar que não tem fotógrafo e pensando como banda sei que é massa ter registro fotográfico. Foi o começo pra mim! Shows massas que já fotografei (que eu me lembro) foram o do Autoramas, no Sesc Pompéia (fui de curiosa tirar); do Jonnata Doll e os Garotos Solventes, no CCSP – Centro Cultural São Paulo; Bratislava, na Avenida Paulista; Festival Distúrbio Feminino; Chuck e Os Crushs, na Associação Cultural Cecilia; entre muitos outros e tantos que estou tentando lembrar (haha).

NADA POP – O que você destacaria como melhor momento da sua carreira como fotógrafa?

FERNANDA – Acho que hoje me encontro no melhor momento! Apesar de fotografia ser muito parecido com a música, no sentido de não ser muito valorizado e se você não entra naqueles esquemas de fotografar casamentos ou aniversários de criança você morre de fome praticamente! Mas tem surgido trampos no ramo que eu gosto (não muitos) de fotografar tanto shows como ensaios fotográficos de bandas! Escolhi um dos ramos mais difícil de se ganhar dinheiro, mas eu realmente amo!

NADA POP – Existe alguma coisa que já deu ruim e qual foi a lição disso?

FERNANDA – Sim, já tive! Tive mais de uma alias! No começo, quando ainda estava cogitando trabalhar também com a fotografia, eu nem tinha essa câmera mais profissional, lembro de uma moça querer que eu fizesse umas fotos da marca de roupa dela, eu avisei que não tinha experiência pra isso, e a pessoa insistiu, cobrei uma miséria pra fazer o trampo! Fiz as fotos, quando fui passar do HD para o PC, o HD deu pau! Fiquei desesperada, pois não sabia o que fazer naquele momento (chorei horrores haha)! Fui pra São Paulo achar um lugar que recuperava HD externo. Paguei 700 REAIS para recuperar as fotos perdidas! Recuperei o que deu, editei, a mulher não ficou feliz, ficou me cobrando horrores (sendo que eu tinha avisado que não tinha experiência e cobrei um preço que no fim eu gastei muito mais do que recebi). Enfim, nunca mais aceitei trampo que eu não tenha experiência ou trampo que pague menos do que é exigido! Isso tem de monte!

NADA POP – Você faz fotos promocionais de bandas, quais os erros que as bandas mais cometem nesse tipo de foto? O que você considera ideal para as bandas terem em mente para esse tipo de foto?

FERNANDA – Sim! Faço e amo fazer fotos promos! Quando a banda me procura eu procuro entender e conhecê-la melhor, para entender o estilo que ela gosta e as referências de que ela gostaria de ter nas suas fotos! Sempre tento mostrar e deixar claro como é meu jeito de editar para que ela já fale do jeito que ela curte pra não ter problemas depois (afinal, o cliente tem que estar feliz com o resultado).

Algumas bandas às vezes não têm referências do jeito de se vestir ou de lugares de como gostaria que fosse, isso acaba sendo um problema pra mim, porque se eu fizer do meu jeito pode ser que no fim a banda não goste do trampo, o que acaba me prejudicando! Eu sou muito perfeccionista nesse momento, eu gosto de agradar 100%! Mas sim, tem banda que não sabe o que quer e o conselho que dou é que se você quer fazer fotos promos busque referências! Não precisa ser de bandas que você goste, mas pode ser de fotos que te inspire! Isso ajuda muito o fotógrafo! =)

NADA POP – O que é pior: calote ou ficar sem espaço na memória??

FERNANDA – Calote sempre é pior! Hahaha Porque ficar sem memória seria um erro meu, agora você fazer um trampo e não receber por ele é bem zoado e triste, já tive que cobrar um trampo que fiz (numa área que nem curto) que a pessoa demorou quase mais de um mês pra me pagar! Nunca mais também aceito esse tipo de trabalho!

NADA POP – Você tem algum(a) fotógrafo(a) que você seja fã ou apenas curte o trabalho e acompanha?

FERNANDA – Essa vou responder em dois aspectos! Fotógrafos que eu amo o trampo do ramo underground que nem o meu é da Isabelle Andrade (fez as fotos promos da Der Baum recente) e do Sam Cruz (nosso fotógrafo do coração que manda muito e que fez muitas fotos pra Der Baum também!). Do ramo fotógrafos mais famoso eu curto demais o trabalho do francês Pol Kurucz, ele mora aqui em São Paulo, faz um trampo foda! Acho, além de moderno, um retrô futurista nas fotos dele! Me inspiro muito!

NADA POP – Por fim, para você, o que significa uma “fotassa” de show?

FERNANDA – Eu sempre busco numa foto captar aquele momento onde você consegue mostrar a emoção do show que estava ali acontecendo! Pra mim isso é A FOTO! Momento que você transmitir a emoção através de uma fotografia, fotassa será!

CONTATO DA FERNANDA GAMARANO

Para entrar em contato com a Fernanda acesse seu Instagram (@fefotografia1) ou pelo e-mail: fernandagamarano@hotmail.com. Para as comidinhas que faz, tem outro Instagram (@fefasmassa). E para curtir o som da sua da banda, a Der Baum, tem o Facebook e o Instagram – Acesse AQUI e AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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