sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Nada Pop

Você não é radical só porque curte rock. Não se sinta incrível e diferentão por isso

Every role is the same

Eu vim trazer uma notícia, uma boa nova pra você hardcorer movimentador cultural da cena underground brasileira, você não é radical. Nesse primeiro texto, depois de décadas sem causar discórdia, eu escrevo pra (quase) todo mundo reprimido nos shows.

Não sou tiazona do underground pra dizer que já vivi tudo que a ~ cena ~ poderia me oferecer, mas de um tempinho pra cá me deu uma canseira dessa baboseira que galera prega. Um monte de gente falando de união do hardcore e na hora que galera precisa de ajuda de verdade nenhum dos brothers do mosh aparece pra apoiar. Um monte de gente falsa, com ideologia bosta imitando o som de bandas fmz, MAS esse não é o ponto desse texto. Vim aqui dizer que todos (ou quase) os shows que você frequenta são iguais e só são assim por causa de você.

OH MEU DEUS COMO ASSIM?

Every show que você vai tem aquele boyzinho de 16 anos com bermuda de patch e boné do Suicidal dançando com o dedinho pra cima e tentando fazer mosh, você olha, dá aquela risadinha e pensa o quão jovial ele é por estar se vestindo e agindo igualzinho as pessoas que ele acha massa.

Enquanto isso, você cruza seu braço, bebe sua cerveja e balança levemente a cabeça ao som daquela banda que você tá achando incrível. Sua blusa preta com a estampa de uma banda qualquer, uma calça ou uma bermuda e no máximo sua mão bate na coxa pra mostrar que você curtiu o ritmo da bateria.

Todo rolê é a mesma coisa, todo mundo apoiado nas paredes, todo mundo fazendo a mesma coisa, os mesmos shows, a mesma receita. Tudo sempre igual. Parece tão distante a possibilidade de você dançar loucamente, seria tão estranho se você fosse de chinelo de dedo pro show de HC, se usasse aquela blusa super confortável que tem uma foto do seu avô no aniversário de 80 anos.

Em uma entrevista, Michel Maffesoli (um pensador francês) fala sobre como o imaginário é uma realidade. O imaginário que existe da cena, dos rockeirão, dos panq e dos shows é real, mesmo não sendo uma verdade absoluta.

É verdade porque você reproduz esse imaginário, você se encaixa dentro do imaginário, mesmo quando você questiona.

A galera que põe um passo pra fora desse imaginário vira quase star do underground, o fato de um cara curtir música brega e ter uma banda punk ou um cara com visu de roqueiro cantar lambada parece tão inimaginável que os caras viram estrelas simplesmente por não se portar dentro desse imaginário que tá todo mundo repetindo. Por que você acha que o Milo ou Greg Graffin são figuras tão adoradas?

Pra concluir, todo rolê que você frequenta é igual. Você (eu) e maior galera ficam reprimidos nos shows pra poder se encaixar dentro dessa caixinha do ~ underground ~ Então não se sinta radical e revolucionário usando blusa de banda satanista e coturno, não se sinta incrível e diferentão dos brothers do trabalho porque você usa uma calça rasgada, cheira no banheiro e usa blusa dos Ramones.

Você se encaixa dentro de um imaginário, você se encaixa dentro da regrinha de quem tenta não se encaixar nas regras.

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Sobre o autor

Querolx

Nascida em Brasília, cresceu brincando no quintal e viajando durante as férias com os pais. Na adolescência começou a frequentar shows horríveis de bandas desconhecidas, largou as aulas de piano e aprendeu a tocar guitarra.

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