terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

Uma resenha sincera sobre o Porão do Rock 2015 – Parte 2

Rolou nesse sábado (5) a decima oitava edição do porão do rock, no estacionamento do Mané Garrincha em Brasília, DF, Brasil, América Latina, etc.

O festival começou com 40 minutos de atraso na abertura dos portões, os 4 primeiros shows aconteceram num palco-caminhão com bandas que participaram da seletiva mas não “passaram na prova” daí foram convidadas, com esse atraso eles tiveram que diminuir o set, cada banda reagiu de uma forma diferente foi desde “vamos encurtar nosso set pras outras bandas não terem problemas”, “valeu galera do HC blábláblá” e “cortaram 5 minutos do nosso show porque a organização atrasou tudo, tchau”. Lógico que daí cê já vê o caráter das bandas, engraçado que os que mais reclamaram foram jovens de classe alta afinados no inglês de cursinho.

Durante um dos shows no caminhão um dos produtores foi distribuir prêmios da loja patrocinadora do palco (inserir logomarca com link) com o microfone na mão ele perguntava questões nível hard uma delas obteve uma resposta que resume o festival e esse texto. “Essa é qual edição do Porão do Rock?” a resposta foi “A pior”.

Nesse ano o festival teve só 1 dia (normalmente tem 2) e todas as bandas eram nacionais, rolou até post no evento dizendo “troco todas as bandas brasileiras por uma boa atração internacional”, que se fodam os americanizados de merda Brasil é foda e tem muita banda incrível, pena (ou não) que nem sempre estão em eventos assim, quem ocupa o espaço são bandas que sempre tocam nos mesmos palcos, mesmos horários e mesmas performances. Paralamas, Capital, Raimundos, Angra etc, etc. País em ~ crise ~ galera corta grana da cultura, a coisa pega.

Com a moda dos foodtrucks em alta os caras decidiram abrir pra esse pessoal e vender só bebidas, a comida acabou no meio da noite, as filas eram enormes e o preço absurdo, o lance era comer lá fora na barraca da tia e pagar 8 conto numa bomba.

O que não falta no Porão são jovens bêbados vomitando no chão e morrendo aos poucos, esse ano parecia que tinham muito mais brigadistas que qualquer outro ano em segundos os caras tavam socorrendo a juventude rebelde jogada no chão.

A distancia dos palcos com nome de marca < inserir duas logomarca + link promocional < pro palco ~ pesado ~ era enorme (de novo) claro, questões de som etc., tem gente que entende e estuda essas coisas, eu não. O caminho pra chegar lá era escuro e com buracos, uma beleza. No meio do caminho tinham (umas pedra) pessoas fazendo pesquisa, Arthur um jovem de ótimo gosto musical sugeriu, com seriedade, que na próxima edição se apresentassem as bandas Lomba Raivosa, Dino Bang e Descendents; estamos orando pra que isso aconteça, amigo.

Nesse ano, além das banda de sempre, rolaram umas banda alternativa/jovem rico/lago norte/sul/iphone20s era uma galera com cachecol, calça de camurça, colete hippie etc. Rola né? Se vai ter Bad Religion no Lollapalooza por que não? No palco pesado a luz caiu no meio do show do DFC, durante Galinha Preta não dava pra ver nada e pra finalizar Angra, como sempre.

Uma frase que sempre ouço é “ano que vem o porão vai ter abadá” a área VIP com lounge, sofazinho pra galera olhar de cima os palcos rir e tomar champanhe, na frente do palco essa galera acumula e atrapalha o trabalho dos fotógrafos fudendo com tudo, esse ano eles pareciam não se importar com esse pessoal (imprensa) sem internet, com problema de acesso aos palcos e a enorme propaganda de sustentabilidade que ia embora toda vez que negavam um copo plástico pra tomarmos água, ao invés de apresentar uma solução decidiram que seria melhor deixar a galera com sede.

Dessa vez eles investiram na parte dos skateeeer, essa foi uma reclamação que fiz da ultima edição, esse ano teve prêmio, concurso e mini rampa da funhouse (um abraço pro Luizinho, grande homem) o lance é admitir que esse é um público que existe e investir cada vez mais.

O Porão se repete mais uma vez, mesma galera, mesmas bandas, mesmas experiências, temos vários festivais de qualidade no país (e fora) a pesquisa não precisa ser extensa pra descobrir que na décima nona edição eles precisam se reinventar.

É possível conferir a 1º parte dessa resenha sincera sobre o Porão do Rock neste link: subverter.com.br/poraodorock

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Ana Querolx Nicolau é estudante de cinema, fotógrafa e já dirigiu diversos clipes de bandas autorais de Brasília. É editora do site Subverter e mantém uma página com boa parte dos seus trabalhos fotográficos e audiovisuais. Saiba mais clicando neste link: fb.com/querolx

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Sobre o autor

Querolx

Nascida em Brasília, cresceu brincando no quintal e viajando durante as férias com os pais. Na adolescência começou a frequentar shows horríveis de bandas desconhecidas, largou as aulas de piano e aprendeu a tocar guitarra.

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