segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Nada Pop

Um LollapaLOSER para chamar de nosso!

Sexta-feira, dia 03 de julho. Um festival que tinha tudo para dar errado: frio, bandas independentes, chuva e um espaço no meio do centro durante a madrugada. E tem mais, não era nem o 5º dia útil e a entrada custava R$ 10. Tá louco! Quem em sã consciência iria sair de casa? Quem deixaria o Netflix de lado para isso?!

Muita gente!

Claro, não foi o que chamo de “casa cheia”, mas não nos decepcionou. Rolou até uma publicação na Folha de S. Paulo falando do 1º Festival LollapaLOSER. Uma verdadeira paródia sobre o outro tal festival que vocês sabem muito bem qual é, certo?

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Zapata – Foto por Talita Santana

Infelizmente o Muff Burn Grace não pode tocar, um dos integrantes teve problemas de saúde. Porém, o André, guitarra do Muff, esteve lá para prestigiar os shows. Essa é uma atitude que vale destacar, mostra que os caras estavam com vontade, mas infelizmente não rolou. Ficará para uma próxima e quem já assistiu o show deles sabe o quanto é bom.

Vale destacar também a ajudar do Clube Outs, que deram aquela força para o Centro Cultural Zapata emprestando os amplificadores. Para quem pensa que existe rivalidade entre as casas, essa com certeza é a prova de que não há. O Daniel, um dos sócios do Zapata, fez questão de contar pra gente esse apoio do Outs. É quase difícil não conhecer o Daniel e não considerá-lo gente boa, meio doido varrido, mas gente boa.

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Querolx (Dino Bang) – Foto por Talita Santana

Falando sobre os shows

Por volta das 23h o público foi chegando e as bandas também. Uma garoa chata, frio do cacete e mesmo assim as pessoas estavam na porta para presenciarem o LallapaLOSER, ou estavam apenas se protegendo da chuva… Antes da Dino Bang começar a tocar, ajudamos a Querolx na montagem de sua exposição “Além dos Amplificadores”, colando com fita adesiva as imagens na parede no Zapata. Algo bem roots, totalmente DIY e ainda sim ficou tão legal como qualquer exposição do MASP – talvez até mais (risos!). Se você não sabe do que se trata essa exposição, não seja por isso, basta CLICAR AQUI.

Bom, da Dino Bang mesmo só estava a Querolx, guitarrista e vocal. Os outros integrantes não puderam vir, não sei dizer ao certo se foi por causa de grana ou por outros compromissos, mas a menina não decepcionou e trouxe para o palco o César Passa-Mal e o Ítalo Hound, respectivamente baixista e baterista da Lomba Raivosa, para assumir as mesmas posições na Lomba só que na Dino – quase uma Lomba Dino Raivosa Bang! Só faltou o Testa, esse nem se deu ao trabalho de ir ao show para levar minha blusa da Dino… Deixa quieto, ele vai ver só. Pego ele na saída (zoeira!).

Com cinco minutos de apresentação (isso mesmo!) a Dino mostrou as seis faixas que fazem parte do primeiro EP da banda chamado de 5 min! – entendeu por que o show durou cinco minutos? Bom, mas isso foi apenas uma preliminar, em seguida o Passa-Mal assume a guitarra e o microfone, chama o Filipe, da banda The Gap Year, para assumir o baixo, mantém a Querolx na guitarra, além do Ítalo nas baquetas, e segundos depois começa o show do Boring Assholes! Um projeto paralelo do Passa-Mal que rolou há pouco tempo e do qual até falamos por aqui: http://migre.me/qGMtN.

Só uma palavra para descrever o show: alto pra caraleo! Mas não de um jeito negativo, foi bom. O Passa mandou bem na guitarra e soube garantir de forma bem agitada o show. Rolou até o vídeo, assista e tire suas próprias conclusões…

Meio escuro, né? Dane-se!

Depois foi a vez do Wiseman, banda paulista com forte influência do grunge. Dessa vez não rolou quebra de amplificador (risos – piada interna? Não, clique AQUI e veja – a partir de 11’50), rolou até um “Toca Hazel” no lugar de “Toca Raul”. Thiagones, vocalista e guitarra, se mostrou um frontman estilo Oasis, sabe? Ahhh, tipo olhando para o microfone e pouco se fudendo para o público… (risos histéricos e bizarros). Se continuarem tocando e gravando sons é provável que fiquem ainda mais afiados e com cada vez mais shows marcados, com um público cantando as letras em coro com a banda. Thiagones maior que Eddie Vedder!

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Exposição “Além dos Amplificadores”, da Querolx – Foto por mim!

Por último, mas não menos importante, o Sky Down com a “sua agressividade juvenil” e demonstrando mais uma vez porque são considerados uma das melhores bandas em atualidade em São Paulo, por que não do Brasil? Ainda não entendi de onde a Folha tirou esse “juvenil”, mas com certeza agressividade é algo que eles possuem. Lembro do André, baterista do Sky Down, indo pegar seus equipamentos no carro e falando para o segurança na porta:

– Com licença, vou pegar meus instrumentos no carro – diz o André.
– Oi, pegar os documentos? Pergunta o segurança.
– Não! – surge um André estranhando a pergunta e com voz de Hulk. – Instrumentos!! – Encerra com cara de ódio e querendo acertar o segurança com a baqueta na volta.

Eu ri internamente disso, talvez você não. Mas garanto que a cena foi mais engraçada do que pude transcrever. Isso nem é relevante, mas ajudou a quebrar o gelo – literalmente – que estava naquele instante.

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Sky Down – Foto por Querolx

Um momento bem legal do show do Sky Down foi a presença do Matheus Krempel, do The Bombers, no palco para tocar junto com a banda. Os caras estão preparando um Split juntos e em breve coisa boa deve sair por aí. Bombers tocando Sky Down e Sky Down tocando Bombers. Algo assim…

Pois bem, chegamos ao fim do show com a sensação de dever cumprido, cansaço nos pés e muito frio. Não à toa peguei um resfriado que me deixou um trapo até o dia de ontem – só hoje consegui escrever essas linhas e deixar registrado o evento. Não leve a mal se você não entendeu alguma coisa, deve ser o efeito do “Privina” – acho que estou viciado nisso, bom demais!*

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Wiseman – Fotos do Caio Felipe, André Guimarães e por mim.

Deixo aqui registrado um grande obrigado ao Wiseman, Dino Lomba Raivosa Bang, Sky Down, ao Zapata, a minha esposa que não brigou comigo por ter ficado a madrugada inteira fora de casa, ao André (do Muff Burn Grace) por ter ido mesmo sem poder tocar com a sua banda, ao Filipe (do The Gap Year), ao Matheus Krempel, ao Wendel (do Cólera) por ter sido o cara da bilheteria, ao Daniel, ao pessoal do Zapata por terem deixado minhas cervejas sem álcool na geladeira deles, além da excelente tapioca que ficaram vendendo a noite inteira, a carona do Wiseman e a Querolx por ter vindo de Brasília para tocar em São Paulo. Muito obrigado a quem saiu de casa, que foi lá e que prestigiou as bandas. Valeu mesmo!

Obrigado a você que leu esse texto, eu teria desistido de ler na metade.

Dia 19/07 teremos mais um show, dessa vez no Tendal da Lapa. Esse será gratuito, no meio da tarde e com as bandas Rovenda, Doze, The Gap Year e Dissonancia. Saiba mais AQUI.

Contamos com sua presença.

Até!

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*Medicamentos não devem ser utilizados sem a prescrição médica, mas se tiver com o seu nariz entupido vá atrás de um Privina. Desentope suas vias nasais e mentais… Cuidado, essa porra vicia, viu?

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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