segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Nada Pop

Galpão Studio – Um dia para se lembrar

Eu passei dois dias pensando no que aconteceu no último domingo no Galpão Studio, lá em Ferraz de Vasconcelos. Confesso que ainda estou pensando em tudo o que aconteceu e não sei se haverá palavras para descrever tudo o que senti.

Três bandas se juntaram em nome de um propósito: tocar. Parece óbvio que bandas se juntem para tocar, não? Mas nem sempre é assim. Na verdade foram quatro bandas, mas sobre essa quarta banda eu falo depois.

Só preciso explicar antes sobre o surgimento do coletivo e como funcionam as coisas por aqui. Por favor, me acompanhe. O Nada Pop surgiu do interesse de organizar shows e contribuir para divulgação de bandas, simples assim. Cada show organizado pelo coletivo é uma demonstração de força, coragem e acreditem ou não, de tensão. Não existe uma pessoa única que faz tudo, não existe aquele cara que cuida de marcar shows ou aquele cara que cuida do site, nada disso. Cada um tem a autonomia necessária para agir, mas é claro que conversamos entre nós e agilizamos o lado de cada um na medida do que é possível para fazer as coisas acontecerem.

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Luta Civil: Leo Moraes (guitarra e vocal), Maurício Martins (baixo e vocal) e Eduardo Coes (bateria).

Trocamos experiências sobre shows, contatos, espaços para tocar, equipamentos, enfim. Uma série de coisas que pensamos em conjunto e para o coletivo. Você deve estar pensando que isso aqui é uma panela, né? Não, não é. Se você quiser fazer parte do coletivo basta chegar, mostrar que o seu interesse é contribuir, você terá o seu espaço e dará espaço. Não vamos falar em ajudar a cena, mas vamos falar em se tornar parte ativa da cena, longe daqueles que preferem se utilizar dela apenas para os próprios e egoístas fins.

Pronto, acabou aqui a explicação. Se você continuou lendo até aqui esse texto, obrigado. Vamos voltar ao dia 13 de abril, o dia em que as bandas Dissidentes, Luta Civil e Mollotov Attack se apresentaram no Galpão Studio. Teve ainda outra banda chamada OU20’s, mas vamos falar rapidamente sobre eles depois.

Foi a primeira vez que juntamos essas três bandas num mesmo evento. Essas três bandas formam atualmente o coletivo Nada Pop. Os shows organizados anteriormente foram realizados com bandas do coletivo e bandas convidadas, grupos que, além de nossos amigos, se tornaram ainda mais parceiros do coletivo.

O Galpão Studio é o grande responsável por isso, um lugar que além de muito bem localizado em Ferraz de Vasconcelos, algo que permite o fácil acesso ao local, também possui um espaço ao público bem bacana. O lugar é grafitado, possui preços acessíveis e bons equipamentos para que as bandas possam fazer os seus shows. Acredito que se houvessem mais lugares como o Galpão muitos dos nossos problemas estariam resolvidos.

No domingo, dia 13, o evento teve início às 17h. Início é modo de dizer, estavam todos sentados conversando e trocando ideia sobre assuntos diversos. Além disso, ficamos secando o time do Santos na final do Campeonato Paulista, parece que deu certo. Não que eu me importe com o futebol ou seja um desses boleiros de fim de semana, longe disso. Apenas acredito em uma tendência natural em torcer por aquele que parece ter menos chance de vitória.

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Mollotov Attack: Bollaxa (baixo e vocal), Wagner (guitarra) e Didi (Bateria)

Mas voltando ao domingo, a primeira banda (a minha) subiu ao palco por volta das 19 horas. Já tínhamos passado o som e organizado tudo. Tivemos que dar uma pausa para fumar um cigarro e tomar uma cerveja. Após o último trago a Luta Civil subiu ao palco para expressar o nosso som por mais ou menos 40 minutos. Claro que sou suspeito para falar, mas foi um dos melhores shows da banda, além de conseguir nos ouvir estávamos mais calmos do que o normal e desempenhamos a maioria das músicas sem erros graves – o que para nós já é um grande coisa (rs). O público presente foram as bandas Mollotov Attack e Dissidentes, entre outros amigos e conhecidos. Mas para nós foi como se houvesse uma multidão, e é assim que tem que ser.

Depois de finalizado o nosso show, sobem ao palco os caras do Mollotov Attack, com o seu hardcore pesado e com integrantes desempenhando um som extremamente competente. É muito diferente ouvir a banda num CD e ao vivo. E posso garantir que os caras ao vivo são ainda melhores. O power trio, é acho importante dizer isso, fez um som muito profissional, agressivo e agitado. Todos da banda merecem destaque, desde o baixista Bollaxa com o seu vocal estilo Ratos de Porão, passando pelo Wagner e sua guitarra com estilo heavy metal chegando até o Didi, com a sua bateria parecendo uma metralhadora sonora imbatível.

Depois do som do Mollotov foi a vez dos Dissidentes, uma banda que não me canso de ouvir e assistir. Foi a primeira apresentação ao vivo da banda com o novo guitarrista. Mesmo com um nervosismo natural que envolve qualquer banda com novo integrante, o grupo ganha força com o seu vocal, Toni, livre da obrigação de tocar. O cara simplesmente se torna um frontman, agitando tudo e não deixando a bola cair em nenhum momento. O agito foi tanto que até o baixista Japa acabou perdendo a voz durante o show. Não é possível dizer que os caras não se entregaram ao show. A banda terminou sua apresentação sendo aplaudida por todas as pessoas presentes.

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Dissidentes: Toni (vocal), Japa (baixo), Sub (guitarra) e Mario (bateria)

Logo depois surge a banda OU20’s, banda que fez questão de se isolar em seu próprio mundo, não prestigiando nenhum show de nenhuma banda, fazendo questão de ficar do lado de fora do Galpão Studio com o seu pequeno público conversando sobre sei lá o que como se não existisse nada melhor para fazer. Claro, ninguém é obrigado a assistir os shows de ninguém, ou muito menos gostar das bandas que estão ali, fazendo parte do mesmo evento que você. Mas é triste saber que existem bandas que ainda agem com o mesmo sentimento egoísta e cheio de si, que preferem ignorar as outras bandas ao seu redor e esquecer que estamos todos no mesmo barco. Quer saber? Foda-se!

A foto que você viu com todas as bandas reunidas resume o que aconteceu no Galpão Studio no dia 13/4. Três bandas que se juntaram para fazer um som, se divertir, trocar experiências e ainda por cima terem a certeza que novos shows irão acontecer.

Sim, eles irão acontecer.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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