quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Nada Pop

Statues on Fire: resenha, clipe e faixa a faixa do novo álbum “No Tomorrow”

O Status on Fire lançou para streaming nesta sexta-feira, 22 de julho, o seu segundo álbum intitulado “No Tomorrow” (ouça abaixo). O trabalho representa um avanço na carreira da banda após o Phoenix, trazendo novos elementos que garantem aos apaixonados por hardcore algo de extremo bom gosto.

Dizer que os caras são músicos competentes seria um pleonasmo, mas não são os solos incríveis do André Curci, nem a bateria eficiente e prática do Alex Xavier, muito menos a qualidade vocal do André Alves ou o baixo “fudidaço” do Lalo Tonus que torna “No Tomorrow” especial.

O que de fato faz com que esse disco seja histórico – um dos melhores do ano – está na energia empregada e impregnada para superar os próprios problemas e transformar a arte em um tanque de guerra capaz de superar obstáculos, inclusive os internos, e com isso estimular em outras pessoas essa mesma vontade de criar algo especial e único, independente de tudo ou de todos.

Tive a honra de ouvir as músicas do álbum com semanas de antecedência do seu lançamento oficial, algo proporcionado pelo André Alves. “Tá aqui, de presente. Só não publica nada antes da gente lançar”, disse.

Assim, foram diversas as ocasiões que me vi saindo de Santo André para São Paulo com os fones de ouvido na cabeça, o No Tomorrow em alto volume e observando as pessoas dentro do trem e a paisagem que corria rapidamente do lado de fora. Quantos sonhos perdidos existiam dentro de um vagão cheio? O que cada um realmente gostaria de fazer naquele exato momento? Quantas esperanças já haviam sido perdidas?

No Tomorrow levanta algumas dessas questões, algo que pode parecer pessimista de início, mão não é. Pelo menos não de determinado ponto de vista. Foi o que me ensinou o amigo Rodolfo Marga. “Acredito que TUDO tenha um lado bom e um lado ruim. Aproveito pra ver a parte boa, a ruim sempre está em evidência”, me explicou.

Mesmo que intitulado “sem amanhã”, o álbum questiona o estado das coisas serem do jeito que são, mas faz de uma forma inteligente. Não banaliza a revolta, reflete a respeito dela por meio de acordes muito bem estruturados e estimula a nossa saída de qualquer tipo de letargia. É um disco que faz você pular, pensar, cantar junto e que sempre estará disponível para nos fazer reagir quando necessário.

Ouça “No Tomorrow” abaixo (por meio do Bandcamp).  Se preferir, escute no Youtube ou no Spotify. O lançamento físico do disco está previsto para o mês de agosto (avisaremos quado estiver disponível para compra).

FAIXA A FAIXA COM ANDRÉ ALVES (GUITARRA E VOCAL)

LAY ON OTHERS (Nas Costas dos Outros)
Dentre todas do disco, essa demorou quase um ano pra ser feita, mudamos os arranjos uma centena de vezes. A letra fala sobre a nossa mania de não assumir os próprios erros e sempre achar que a culpa é dos outros, nunca nossa, de não olhar pra dentro de si e mudar seu comportamento. Achar que sua própria desgraça é mais importante do que a dos outros.

MY SHOES ARE TIGHT (Meus Sapatos Estão Amarados?)
Como sou eu quem leva a minha filha todos os dias na escola, eu sempre fico escutando os depoimentos da diretora sobre os maus tratos que algumas crianças sofrem dos pais. Eu acho isso um absurdo você colocar um filho no mundo e não ser 100% responsável por ele. Alguns pais deixam os filhos às 6h da manhã sozinhos na frente da escola, sendo que ela abre apenas às 7h30. Crianças de 4, 5 anos de idade. Muitos também têm coisas mais importantes do que fazer, do que ir buscar o filho no horário da saída. Crianças ficam esperando por horas lá também. Essa música trata de uma delas, que fica toda prontinha esperando alguém aparecer e num futuro próximo ela manda essa pessoa à merda.

NOWHERE IS ALWAYS WHERE I GO (Lugar Algum é Para Onde eu Sempre Vou)
Essa, de certa forma, eu escrevi sobre mim. Sobre passar anos em uma determinada coisa e não chegar a lugar algum. Essa música é sobre todos os músicos, atores, artistas que lutam por um lugar ao sol, outro prisma também a qualquer profissional de área qualquer, seja ele peão de fábrica, médico ou advogado. Também inspirada pelo documentário FILMAGE, do Descendents,

NO TOMORROW (Sem Amanhã)
Do jeito que as coisas andam, existe um amanhã seguro? Hipocrisia, devastação da natureza, guerras…

NEVERTHELESS (No Entanto…)
Essa letra faz uma crítica as empresas que fabricam remédios e todo o esquema ardiloso de colocar um medicamento no mercado , que pode salvar muitas vidas, transformado em apenas lucro. Muitos medicamentos ainda não lançados no mercado, que poderiam melhorar a vida de muitos, não são fornecidos ainda porque o remédio anterior não deu lucro suficiente ou não pagou ainda a pesquisa…

MINORITY AIN’T NO LONGER JUST A FEW (A Minoria Não São Poucos)
Em um mundo onde você deve seguir a vertente que mandam nas coisas e qualquer coisa que afete esse status quo é considerado fora dos padrões. Você é considerado como se fosse de uma minoria, escrachado, marginalizado, entre outras coisas. Porém, essa minoria agora tem voz ativa e em breve tomará o poder.

CAUSE FOR ALARM (Motivo Para Alarme)
Gays não podem se casar, correto? Crianças não podem ser crianças, tem que ser mini adultinhos seguindo uma conduta, correta. Qualquer forma de expressão fora dos padrões é extremamente ofensiva.

YOU SHATTERED (Despedaçado)
Você passa boa parte da sua vida com uma pessoa, e quando seu relacionamento termina, as pessoas querem destruir umas as outras, tentando achar um culpado pela situação em que se encontram.

NOTHING IS REALLY TRUE (Nada é Realmente Verdade)
Essa música eu escrevi sobre a morte do meu pai, muitos anos já que ele se foi, se você já perdeu alguém que realmente ama sabe do que estou falando na letra. Também aborda toda a burocracia e das pessoas que lucram com a sua dor.

NOTHING TO PROVE (Nada Para Provar)
Recentemente perdemos um amigo, sabemos que a depressão, o uso de drogas e o alcoolismo faziam parte do seu cotidiano. Também a luta pra sair de tudo isso e colocar as coisas no seu devido lugar, infelizmente ele se foi.

*JULIETTE
July quer ser cantora de sucesso, seu sonho é cantar na televisão. Ela pode ser uma Susan Boyle, quem sabe? Mas, ela é uma fudida, pobre, cheia de filhos, analfabeta, negra e mora longe. July não está entre os estereótipos de sucesso. Não é loira alta, gostosona, não fez plástica no nariz, ela é apenas uma pessoa cheia de sonhos, como todos nós. Porém, quando ela tem a chance de cantar ao vivo na televisão, todos os jurados ficam tirando o sarro da cara dela. Mais ou menos o que acontece no “Superstar”, “American Idol”, tipo o programa do Chacrinha antigamente, que ele jogava um bacalhau em você. Eu sou a Juliette, e você?

*Juliette é uma faixa bônus que virá nos lançamentos físicos do álbum (vinil).

Não deixe de curtir a página da Statues on Fire. basta clicar AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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