quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Statues on Fire na Europa: horas de estrada, reencontros e enquadro da polícia

14.11 – Bregenz – Áustria

Saímos cedo esse dia, nos hotéis daqui o check-out é sempre entre 10h e 11h, seguimos para Áustria, 4 horas de viagem bem tranquila.

Já tocamos ano passado com o mesmo produtor, Pascal, ele é daqueles caras que sempre que gente quiser votar, eu tenho certeza que ele vai fazer o show. Ano passado, vocês devem ter visto fotos da gente quase pelado pensando que era o Manowar… Bom, é esse lugar.

Uma banda local instrumental muito foda abriu o dia, mix de Helmet com Tool, bem legal. Nossos amigos Italianos estavam lá de novo com a sua Camper e macarronada, ficamos ainda mais chegados. GLP é o nome da banda.

Nosso show nesse momento esta estilo bem afiado, o pico lotou e tocamos pra caralho, a italianada filmou o show e em breve eu vou tentar pegar esses vídeos.

Quando a galera gosta do seu show é legal porque eles começam a te pagar um monte de bebida esquisita e sua missão é não deixar ninguém desapontado. E ficamos bem chapados.

O Ricardo conseguiu subir a escada do hotel igual aquela menina do filme Exorcista, naquela cena que ela sobe de costas a escada, tá ligado? Muito hilário.

Os italianos ficaram interrogando o Curci no show sobre todos os seus pedais coloridos, foi legal encontrar esses caras, porque eles são como os brasileiros, abraçam, falam com as mãos e têm um sotaque desgraçado!!

15.11 – Day Off

Foram 650 km de distância, num dia claro e uma estrada que parece um tapete. Cruzamos o sul da Alemanha e chegamos à Áustria de novo. Arena é um pico muito cabuloso, chegamos, procuramos um lugar pra bater um rango e tínhamos o nosso quarto com várias camas, só pra gente.

16.11 – Vienna – Arena

Esse lugar é tipo os Matarazzo, em São Caetano, uma fábrica que os punk invadiram há 25 anos e fizeram esse pico fantástico. No verão tem Open Air, bandas como Pennywise e Bad Religion tocam nesse pico, eles possuem vários galpões e o bar menor, foi onde a gente tocou.

Se no Brasil os lugares fossem um terço desse butequinho eu já estava feliz pra caralho, plena segunda-feira e todos os galpões estavam com atividade, muita gente circulando.

Nosso show não tinha tanta gente, mas o tratamento foi impecável, rango, som perfeito, gente legal vendo o show, venda de merchan. Porra! Numa segunda eu acho que tá bom pra caralho.

De dia, jovens dispostos foram passear na cidade.

17.11 – República Tcheca

Não foi longe, mas tomou umas 4 ou 5 horas de viagem, atravessamos a Eslováquia e um bom pedaço da República Tcheca. A bosta da Maria, nosso GPS que fala português de Portugal perdeu sinal às vezes. A gente costuma dizer que a Maria vai na casa do Almeida comer uns bolinhos de bacalhau nesses momentos…

Bem, já era tarde, ficamos perdidos no meio daquelas ruinhas medievais do castelo do Drácula por um bom tempo. Era feriado, era terça e o show não foi nada do que esperávamos. Porém, Alex tem lá seus coleguinhas, Empty Hall of Fame e Rythim Collision apareceram pra dizer um olá.

Foi até meio esquisito, porque o pessoal do Empty Hall saíram fora no meio do show, se não perdiam o trem… Enfim, nos trouxeram um case cheio de cerva Tcheca, algumas com 12% de álcool.

18.11 – Berlim – Tommy Haus

Acordamos às 8h da manhã, eram mais 650 km pra dirigir de novo, via Polônia, que é um lixo de dirigir por lá. Logo cedo tomamos um enquadro no posto de gasolina! (hehehe)

Acho que a galera tá parando todo mundo aqui por causa das bombas de Paris. Mais uns 5 km pra frente nos pararam de novo, dessa vez não tínhamos o selo, aí tomamos multa. Uns 1000 Guidables tchecos, mas isso em euro é uns 50 pilas, aliás, o guarda foi super gente boa.

Essa viagem durou 9 horas, longe pra caralho, mas chegamos um minuto antes do combinado pra estar no Tommy Haus, Squatão toscão lindo.

Para uma quarta-feira em Berlim, eu esperava umas cinco pessoas, mas o show estava bem cheio. Alguns amigos de lá, gente que estava no show passado e algumas pessoas bem especiais, como o Marcão, do Hangar 110, e Cil. Caralho, que da hora foi encontrar com ele lá, diferente de quando você vai no Hangar e ele está trampando, estava ele lá meio bebinho gritando “Vai Corinthians”.

Bermejo e sua esposa, Eva, voaram de Barcelona até lá, só pra ver o show. Ele tocou comigo no Guillotine, minha primeira banda, quando eu tinha 15 anos de idade, foi foda revê-lo, fizemos uma mega festa depois do show.

Claro, nosso querido Cauê, ex Social Chaos/ FDS, que está morando por lá também apareceu, além da Fernanda e Ian, do Der Baum, banda que ensaiava lá no meu estúdio (em Santo André). A Fê tirou umas fotos cabulosas que estão no Facebook dela e no nosso (aqui no Nada Pop também, clique AQUI).

O show foi impecável, som foda, pico cheio de gente tudo perfeito.

19.11 – Dordrecht – Holanda

Foram 680 km dessa vez, puta merda, apesar de dirigir pela Alemanha eu achei que seria mais rápido do que aquela merda da Polônia, pois é… Não foi, durou 9 horas de novo.

Quando cruzamos a fronteira da Holanda, a polícia nos parou de novo, mas os caras são gente boa, quando vêem o passaporte brazuca eles ficam de boa, pelo menos, isso. Nossa multa dessa vez foi dar 2 CDs de graça pro cara e só!!

Mas isso nos custou tempo, e logo que saímos, alguma coisa grudou debaixo da Van e fomos parados pela polícia de novo. Aí as coisas começaram a decair, começou uma chuva horrível e a velocidade caiu pra caralho, chegamos tarde, lógico.

Na city não tem como parar o carro, é uma das cidades mais velhas da Holanda, não tem como… Bom, e também parece que não mora muita gente que gosta de punk rock por lá, porque o técnico de som disse que fez um show de metal outro dia com três bandas, deu 11 pagantes!!!

Mas era fixo nesse dia, então tocamos do mesmo jeito como se estivessem 5 mil pessoas em nossa frente, o pessoal era tão acolhedor que, apesar de ter quase ninguém, foi um prazer imenso fazer o show pra eles.

Como os lugares de dormir não eram uma Brastemp, resolvemos dirigir mais 200 km para Koln, onde quando cheguei quase morri de felicidade, 12 horas no volante a 130 km/h e ainda fazer um show nesse ínterim… Na minha idade, posso dizer que é bem cansativo.

Nos próximos dias teremos a última parte e considerações finais do André Alves sobre a euro tour da Statues on Fire.

Confira a primeira e a segunda parte da tour report pelo André Alves clicando AQUI e AQUI.

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Sobre o autor

Andre Alves

Andre Alves é guitarrista e vocalista da Statues on Fire e ex-integrante da lendária banda Nitrominds.

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