sábado, 26 de Maio de 2018
Nada Pop

Sobre a luta dos estudantes secundaristas

Da “Revolta dos Pinguins” no Chile até a luta dos secundaristas em SP contra a “reorganização”

Chegamos ao mês de outubro, dois mil e crise se encaminhando para o seu final, até o mano do “De volta para o Futuro” chegou, e o governo do Estado de São Paulo resolveu aos 43 do segundo tempo protagonizar mais um daqueles ataques frontais aos serviços públicos como ele sabe fazer como poucos. O (des) governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, resolveu que as escolas públicas não estavam sucateadas o suficiente, e lançou uma proposta de “reorganização” das escolas paulistas.

A ideia é que cada escola atenda só um ciclo (Fund I, II ou Ensino Médio). O resultado disso é que a demanda se concentre em algumas escolas, permitindo que o Estado feche uma enorme quantidade de escolas, salas de aula e períodos inteiros (principalmente o noturno).  Afinal, as salas de aula não estão superlotadas o suficiente e o governo pode se dar ao luxo disso, né? E pra deixar a situação um pouco pior, os alunos terão que estudar mais longe de suas casas (com o transporte público maravilhosamente caro e caótico), milhares de professores e funcionários serão demitidos, e por aí vai. A previsão é que milhares de alunos sejam transferidos pra outras escolas!  E tudo isso é claro, sem nenhuma consulta pública, tudo feito às escondidas da forma autoritária costumeira. Especialistas no assunto dizem que o objetivo escondido por debaixo dos panos sujos é o de criar a organização necessária para o projeto de privatização da escola pública paulista. (leia mais sobre isso em https://www.fe.unicamp.br/TEMPORARIOS/mocao_211015.pdf)

E nesse cenário, como não poderia deixar de ser, os/as secundaristas se levantaram em um grande movimento com o alto índice de apoio e aprovação da sociedade civil, com o intuito de barrar esse projeto do nosso “Exterminador do Futuro” reeleito. Os alunos saem às ruas em todas as partes da cidade com diversos atos de rua (muitos deles duramente reprimidos pela PM cão de guarda do governador de SP).  E além dos atos já se fala que se resolverem fechar alguma escola as mesmas serão ocupadas pela/os alunas/os! Essa radicalização de alunos secundaristas não é uma novidade nem no Brasil e nem no Mundo. Trata-se de uma das forças sociais historicamente mais combativas, sobretudo dentro dos processos de revoltas mais atuais aqui na América Latina. A maior revolta popular dos anos pós-ditadura militar aqui no Brasil, que iniciou-se em 2013 com os aumentos das tarifas de ônibus, têm suas raízes criadas a partir da mobilização de alunos secundaristas, desde a Revolta do Buzu, no ano de 2003 em Salvador, passando pelas manifestações da “Revolta da Catraca” em Florianópolis em 2005 e finalmente chegando em 2013 que teve uma grande adesão no território nacional desencadeando também diversos protestos de questionamento à Copa do Mundo de 2014.

Documento publicado pelo coletivo O Mal Educado:

E assim como no Brasil, uma revolta bastante semelhante ocorreu no Chile. Em 30 de maio de 2006, surgem à tona na mídia internacional as tumultuadas cenas de rua que se multiplicavam em diversas cidades do Chile, com a forte repressão policial aos manifestantes. Tais cenas, consideradas episódios inusitados nas últimas três décadas da história daquele país, eram protagonizadas por estudantes secundaristas – mobilizados em nível nacional – que entraram em greve, ocuparam as escolas, organizaram assembleias e saíram em passeatas, gritando palavras de ordem que sintetizavam um discurso político há muito tempo ausente do cenário estudantil chileno.

Ganhando adesão das famílias e de várias organizações da sociedade civil, o movimento dos “pinguins” (assim chamados por seu uniforme ao estilo do início do século passado) abalou o governo recém-empossado de Michelle Bachelet, obrigando à realização de reuniões ministeriais de emergência, pronunciamentos do Legislativo, dos empresários, manifestações do sindicato docente (denominado Colégio de Professores), das universidades e de outras entidades.

E sempre atento à importância desses episódios da história recente latino-americana, o conhecido cineasta Carlos Pronzato (que também dirigiu documentário sobre a “revolta do Buzu” e “junho de 2013”), filmou o documentário intitulado “A Rebelião dos Pinguins”. O documentário é o registro da luta dos estudantes secundaristas chilenos por mudanças profundas no sistema educacional chileno. Nesse momento de mobilização estudantil por aqui no Brasil, é importante conhecer a história de outras experiências para que os acertos inspirem e os erros sejam evitados, rumo à vitória contra mais esse ataque do governo representante das elites, à população. Por isso esse documentário é altamente recomendável.

Deixamos aqui toda força e apoio aos estudantes! Como diria o som do Sham 69, “if the kids are united then we’ll never be divided!”

Recomendações

Além dos vídeos citados neste artigo, como “A rebelião dos pinguins”, “Revolta do Buzu” e “A partir de agora – As jornadas de junho no Brasil”, e um artigo utilizado como fonte, conheça alguns grupos envolvidos nessa luta:

A PARTIR DE AGORA – As jornadas de junho no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=3dlPZ3rarO0

Revolta do Buzu – 2003
https://www.youtube.com/watch?v=dQASaJ3WgTA

O Mal Educado
http://gremiolivre.wordpress.com/

REAL – Revolta Estudantil Autônoma Libertária
http://migre.me/rWgLx

G.A.S – Grupo Autônomo Secundarista
http://migre.me/rWgMu

A Revolta dos Pingüins” e o novo pacto educacional chileno
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v13n38/02.pdf

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Sobre o autor

Suna

Suna é colaborador do Nada Pop.

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