quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Smegma Comix: quadrinhos de gosto duvidoso para desagradar toda a família

Pablo Carranza é doente, possui péssimo gosto para piadas e provavelmente errou ao criar a Smegma Comix, quadrinho de conteúdo vulgar, obsceno e que fere profundamente o politicamente correto.

Se tudo isso acima fez você ficar curioso pelo quadrinho, é importante avisar que o mesmo consegue ultrapassar os limites da infâmia e causar enjoo em pessoas sensíveis. Não me surpreende que o termo “quadrinho underground” se encaixa perfeitamente com a Smegma, já que em nenhum momento essa HQ conseguirá chegar ao mainstream (posso até estar enganado, mas duvido muito disso).

Recebi pelo próprio Carranza três das quatro edições que já saíram da Smegma Comix. Li tudo em uma simples tarde, que com certeza poderia ter sido melhor aproveitada fazendo outra coisa. Algumas histórias me fizeram revirar o estômago, enquanto outras me fizeram questionar a continuidade da leitura.

Edição de número 2 da Smegma Comix.

Por tudo isso, Smegma Comix (por favor, jamais procure pela palavra smegma no Google) também é brilhante. Para fãs da revista MAD, Chiclete com Banana ou Frauzio (Marcatti é, definitivamente, o rei da escatologia), os quadrinhos de Pablo Carranza atraem o mesmo furor criativo e a obscenidade mental. Sátiras, ironias e tudo o que for freak percorre cada página das edições, do início ao fim, sem qualquer zelo pelo bom senso e, acima de tudo, desrespeitando com prazer outras obras e pessoas.

Na segunda edição, por exemplo, damos de cara com os personagens Rivalino e Chupacabra em uma história absurda, que envolve lanches vegetarianos, McDonald’s (ou mequidonis) e serras elétricas. Mas o melhor ainda está por vir com a história do Mad Hipster e uma SP pós-apocalíptica. É difícil explicar, mas podemos dizer que existem referências bem interessantes – talvez você consiga até enxergar semelhança em um dos personagens com o vocalista da banda Supercombo (eu, pelo menos enxerguei). A edição encerra com tiras do Arrombadinho e Um Sábado de Merda, que zoam literalmente os personagens de Alexandre Beck e Carlos Ruas.

Nas edições seguintes é ladeira abaixo, o mesmo humor ácido e histórias impiedosas que sacaneiam geral – inclusive o Maurício de Souza (!!!). Definitivamente, não é um quadrinho para todo mundo. Mas o barato talvez seja esse mesmo. Smegma Comix é um quadrinho iconoclasta e se você é alguém que gosta de subverter ideias, padrões ou até mesmo obras de outros artistas “respeitados” pelo público e crítica, deve ler Smegma e se surpreender (positivamente ou negativamente).

Um detalhe que me chamou atenção foi o Smegmail, que traz opiniões e “críticas” de outros artistas em relação a revista. Recomendo a leitura das críticas de Laerte e Allan Sieber (edição #04).

No fim das contas, encomendei a primeira edição da revista no site da Beleléu. Você também pode fazer o mesmo no site: http://beleleu.iluria.com/index.html.

Pablo Carranza é doente, leia sua entrevista para a Vice clicando AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.