quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Nada Pop

Sky Down: O céu pode cair, e eu quero que ele caía na sua cabeça

Acordar quase que no meio da madrugada, ainda podre e com os olhos semicerrados. Ligar o chuveiro, se sentir menos morto com a água morna batendo na pele. Se trocar apressado para dar tempo de tomar um café puro com um pedaço de pão, se despedir com um beijo na testa da sua filha para logo depois sair e seguir em direção ao ponto de ônibus que o levará para a estação Prefeito Celso Daniel (Santo André).

Cerca de 20 minutos depois você faz parte daquelas pessoas se empurrando no trem, espaço apertado e a sensação que o inferno em terra se chama CPTM. Você passa por quatro estações para, em seguida, fazer integração com o metrô no Tamanduateí. A linha verde parece menos irracional, mas o aperto continua. Cinco estações para nova integração, dessa vez com a linha azul. Falta pouco para a viagem de casa até o trabalho terminar, só precisar descer na Santa Cruz e fazer uma caminhada de 20 minutos a pé. Durante a caminhada vai dando algumas mordidas no pão de queijo comprado na padaria da esquina na saída do metrô. Pronto, você chegou ao trabalho quase duas horas e meia depois de sair de casa, agora são mais oito horas de trabalho para fazer o caminho inverso até chegar em casa outra vez.

Durante o seu tempo no transporte público, seja ele ônibus, trem ou metrô, você vai ouvindo naquele fone de ouvido de última geração da China bandas como Sky Down, que aliviam o estresse ou, melhor dizendo, concentram o estresse para coisas boas e fazem você pensar na vida, no caos do mundo ou em fazer resenhas de bandas que ainda valem a pena ser ouvidas, que não se renderam ao comodismo musical e o clichê romântico, que não se contentaram em falar de forma fácil ou fazer as coisas de maneira comum. São as bandas que preferiram se tornar agentes do caos ao invés de ativistas da bundamolice. O Sky Down é agente do caos, representa aquele deslocamento social que sentimos durante toda a nossa vida e que não temos o menor interesse de resolver.

É esse deslocamento, na verdade, que nos move. O céu pode cair, e eu quero que ele caía na sua cabeça. Quem sabe assim acordamos desse sonho chamado realidade.

Ouça e assista Sky Down. O clipe acima foi feito e editado pela Cintia Ferreira, da In Venus.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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