segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Nada Pop

Sistema Sangria e o hardcore além do Brasil

Às vésperas de completar 15 anos de atividades e de malas prontas para sua primeira tour internacional, conversamos via e-mail com o pessoal da banda SISTEMA SANGRIA. Peso-pesado do som porrada e trabalhando no disco novo, a banda respondeu algumas perguntas sobre a cena, equipamentos, cantar em português, jeito de compor, entre outras coisas com a mesma delicadeza que demonstra em suas letras, ou seja, nenhuma!! Confira abaixo!!

ENTREVISTA – SISTEMA SANGRIA

NADA POP – Vamos começar pelo básico e depois partimos pra diversão, ok? Há quanto tempo o SISTEMA SANGRIA existe? Qual a formação atual? Ainda é a mesma do início ou já houve muitas trocas de integrantes?

NADER – Começamos a fazer os primeiros sons no ano 2000 com o nome de “Inside Core”. No fim de 2001 mudamos o nome para “Sistema Sangria”. A formação atual e a que consideramos a clássica é Igor (bateria), Fabio (guitarra), Antônio Carlos “Tonhão” (voz) e Nader (baixo). Passamos por mudanças na formação ao longo dos anos como a entrada do Fabio, que substituiu o André, a entrado do Igor no lugar do Dinho e o Tonhão no lugar do Jesher, porém o Tonhão foi o primeiro guitarrista e fundador da banda, comigo e o Jesher. E eu também me afastei por um tempo, sendo substituído pelo Leandro.

A parte instrumental da formação atual vem desde 2003, e o Tonhão voltou em 2009.

NADA POP – O álbum homônimo da banda foi lançado apenas em vinil (pelo selo Hardcaos Discos, de propriedade do guitarrista Fabio). Qual a razão dessa escolha? Existe algum projeto de lançar esse play em outras mídias?

NADER – Na verdade nós não tínhamos outra opção, não tínhamos outros selos para dar suporte, então resolvemos fazer tudo sozinhos, com apoio da Hardcaos. Já estamos fazendo a versão do disco em CD com alguns selos envolvidos, a previsão de lançamento é para março de 2015.

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Sistema Sangria

NADA POP – Parece que foi um longo caminho entre o início das gravações e o lançamento do álbum. Quanto tempo durou e como foi esse processo?

NADER – Sim, começamos a gravar em 2009, com o Jesher na voz. Porém ele saiu da banda e logo em seguida me afastei também. A banda deu continuidade no trabalho, mas por questão de grana houve uma pausa na produção do disco. Quando retornei à banda em 2011, gravei novamente o baixo, finalizamos a gravação, mixagem e masterização, juntamos mais dinheiro e lançamos o material em 2013.

NADA POP – O SISTEMA SANGRIA costuma ter um som poderoso no palco, e que causa um grande impacto no público. Existe alguma preocupação especial com os equipamentos nas apresentações ao vivo? E no estúdio, na hora de gravar? Quais são as preferências dos integrantes da banda?

NADER – Na verdade a gente acaba usando o equipamento que está disponível no evento. Em alguns casos levamos nosso backline como amplificador de baixo e guitarra, alguns pedestais a mais… Nada muito magnifico, mesmo porque não temos (risos). No estúdio sim, usamos equipamentos melhores. Pro próximo disco usaremos Ampeg no baixo, Laney ou Peavey na guitarra, bateria Mapex e microfones Shure para voz. Acredito que essas são as preferências dos caras também.

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Flyer da tour no Chile que acontece em junho/2015

NADA POP – Eu soube que a banda já vem trabalhando em novas músicas que devem fazer parte de um próximo álbum. Como é o mecanismo de composição de vocês? As músicas e as letras já nascem juntas ou são processos independentes um do outro?

NADER – Geralmente chegamos com as músicas prontas. No meu caso, quando componho uma música, já faço também a letra. Mas às vezes temos a música sem letra, então todos opinam e dão ideias pra que a letra fique com a cara da banda.

NADA POP – Nesse último trabalho, os alvos da banda foram a podre política brasileira, o capitalismo desumano e as mazelas sociais como o vício e a violência. As letras do próximo trabalho seguem por essa mesma linha ou ainda é cedo para dizer?

NADER – Sim, seguimos a mesma fórmula. As letras do Sistema sempre serão em tom de protesto e críticas, e nesse disco não será diferente. Abordaremos temas como guerra, corrupção, analfabetismo, ditaduras e tudo que faz desse mundo um caos.

NADA POP – As letras do SISTEMA SANGRIA são todas em português, certo? Vocês chegaram a considerar fazer músicas em inglês visando uma maior aceitação no mercado musical internacional ou a ideia sempre foi ser entendido por aqui mesmo?

NADER – Nós gostamos de cantar na nossa língua que é o português. Essa história de cantar em inglês pra atingir o mercado internacional na realidade é ilusão pra bandas do nosso gênero musical. Esse tipo de público gosta da originalidade do som, e cantar em nossa língua pra gente já é um diferencial. Porém nada nos impede de compor um som ou outro em inglês ou em outro idioma como o espanhol, etc… Mas nunca falamos sobre isso.

NADA POP – Outra característica marcante da banda são os riffs quebrados, cheios de paradas e tempos insanos. Quem é o responsável por esse “caos” rítmico?

NADER – Hahaha Cara, tem um pouco de todos, mas eu e o Fabio sempre inventamos riffs quebrados que às vezes nós mesmos não conseguimos tocar. Aí a gente muda a palhetada ou até mesmo o riff… Confesso que o cérebro ferve na hora de pegar as músicas, mas acredito que a essência do Sistema Sangria esta aí.

NADA POP – Com tanto tempo de estrada, a banda certamente já dividiu o palco com muita gente boa. Quais as bandas com quem o SISTEMA tocou que, seja por ser influência ou por simples admiração, ficaram gravadas em algum lugar especial na memória?

NADER – Com certeza o Ratos de Porão, que pra mim é uma das maiores bandas do mundo, o Olho Seco, Agathocles, Rattus, Rot, DFC, Ação Direta e várias outras que cada um da banda deve ter sua admiração e respeito em particular.

NADA POP – Vocês farão uma excursão ao Chile em junho deste ano. Será a primeira tour da banda fora do Brasil? Qual a expectativa da banda quanto a essa experiência e quanto a recepção por parte do público chileno?

NADER – É a primeira vez que tocaremos fora do Brasil e estamos empolgados. Acredito que faremos boas apresentações, mesmo porque os organizadores têm se mostrado muito engajados com tudo, desde a divulgação, logística, até a escolha do lugar e equipamento. Tenho feito amizades com muitos chilenos nos últimos tempos e todos me tratam muito bem e oferecem ajuda. Acho que vai ser uma ótima oportunidade de mostrar nosso trabalho, conhecer uma cultura diferente, novas bandas e fazer novas amizades.

NADA POP – E quanto ao público e bandas brasileiras? O que vocês acham da cena atual e o que gostariam de destacar de positivo e negativo nela?

NADER – Acho banda brasileira muito louco e sei que é muito difícil sobreviver na cena atual, porque hoje a coisa acontece muito rápido. Existem muitas bandas lançando muita coisa e se você se acomoda, fica pra trás. O público brasileiro não tem o costume de consumir muito material e nem de frequentar shows pagos, sendo assim, as bandas não podem contar muito com bilheteria e venda de material. Acho que a cena deveria se compactar um pouco. Por exemplo: ao invés de marcar 4 ou 5 eventos no mesmo dia e na mesma cidade, juntar as bandas e organizar festivais com 10 bandas por dia. Seria melhor, porque aumentaria a média de público e acabaria com a concorrência entre os eventos. Facilitaria também na questão de equipamento e divulgação. Porém acho que melhorou muito por existir muito mais lugares para tocar o que antes era um pouco escasso.

NADA POP – Para terminar, o espaço é de vocês. Muito obrigado pela conversa, por atenderem o NADA POP, e deixem seu recado!

NADER – Agradecemos de coração por nos dar a oportunidade de mostrar um pouco do nosso trabalho. Estamos em fase de produção máxima e de olho lá na frente, batalhando para conquistar um público fiel e verdadeiro. Deixamos também um “salve” pra galera que nos acompanha, nossos filhos e toda a galera da Cursino, ABC, Z/L, Z/S, Z/O, Z/N e litoral.

Obrigado a vocês do Nada Pop. E 2015 vai ser pesado!!!

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Para ouvir o som e assistir aos vídeos da banda, acesse o ReverbNation
http://www.reverbnation.com/sistemasangria

Facebook
http://www.facebook.com/sistemasangria

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Sobre o autor

Wagner Cyco

Wagner Cyco é guitarrista das bandas Mollotov Attack e Irmã Talitha, além de exímio guitarrista reconhecido pelo seu trabalho.

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