quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Nada Pop

She Hoos Go e o punk feminista que vem do Sul

E a conversa dessa vez foi com a banda punk She Hoos Go, formada em 2010, em Pelotas (Rio Grande do Sul), e que apresenta em suas músicas algumas das situações do universo feminino e que, segundo as integrantes, busca unir a subversão e a luta contra a opressão social, fazendo o resgate do movimento Riot Girl. Atualmente a banda é formada por Lídia True Love (Vocal), Simone Del Ponte (Bateria), Ariane Behling (Baixo) e Wayner Brião (Guitarra).

Confira o papo realizado pela Lary Durante especialmente para o Nada Pop.

She Hoos Go - Merch

ENTREVISTA SHE HOOS GO

NADA POP – Bom, primeiramente gostaria de agradecer a disponibilidade de vocês em ceder ao Nada Pop esse bate papo. Vamos começar falando um pouco sobre o início da banda, como vocês se conheceram e como rolou o primeiro ensaio?

SHE HOOS GO – A She Hoos Go surgiu pela necessidade de curtir um som feito por mulheres na nossa cena musical. Juntamos umas gurias e tudo começou a tomar forma. O primeiro ensaio foi bem legal, rolou L7, Hole e já começamos a compor uma música própria. Depois de varias mudanças na formação, conseguimos nos estabelecer como um quarteto. Somos uma banda de punk rock, da cidade de Pelotas, e buscamos unir a subversão e a luta contra a opressão social, fazendo o resgate do movimento Riot Girl. Atualmente a formação é composta por Lídia True Love (Vocal), Simone Del Ponte (Bateria), Ariane Behling (Baixo) e Wayner Gear (Guitarra).

NADA POP – Vocês iniciaram seus trabalhos em 2010, de lá prá cá o que mudou no cenário independente? Muitas portas se abriram? Muitos trabalhos? Conte-nos um pouco sobre esses cinco anos de estrada, por onde passaram e o que rolou.

SHE HOOS GO – Infelizmente, se tratando de metade sul do Rio Grande do Sul, o cenário independente não teve mudanças substanciais. Mas quando falamos em outras regiões brasileiras, podemos dizer que as portas realmente se abriram para nós. Trabalhamos em cima da gravação dos nossos sons, que compilamos no EP Go Grrrls, tocamos em festivais independentes de várias cidades, chegando a participar do festival Roque Pense, em 2012.

De fato, foram 5 anos bem aproveitados, com altos e baixos, alteração das integrantes da banda, mas tudo isso foi e é um grande aprendizado para nós. Continuamos na luta, sempre no sistema DIY.

maes, mulheres e filhas

As mulheres da She Hoos Go – Foto por Thiago Gonçalves

NADA POP – Baseando-se na trajetória da banda, qual foi o show ou situação mais legal, e ou mais bizarra que rolou até hoje?

SHE HOOS GO – Os shows mais legais, com certeza, foram o Festival Roque Pense, no Rio de Janeiro/RJ, o Março de Luta, em Canoas/RS, e o Reage!! em Pelotas/RS, que é o festival idealizado e realizado por nós da She Hoos Go.

NADA POP – Por qual lugar a banda ainda não passou, mas adoraria passar?

R: Adoraríamos fazer uma tourzinha, passando por cidades que sabemos que o movimento Feminista é forte, seria um grande prazer para nós, tocar em festivais como o Mulheres no Volante e Vulva la Vida.

NADA POP – Atualmente a banda passou por mudanças em sua formação, como rolou essa mudança e o que agregou no som de vocês?

SHE HOOS GO – Foi uma mudança necessária, precisávamos dessa renovação. A banda atualmente está mais focada, o som ganhou um peso extra, vocais fortes, tudo como a She estava precisando.

NADA POP – Qual é a parte mais legal e a mais trabalhosa de se ter uma banda hoje em dia?

SHE HOOS GO – A parte mais legal é a hora do show, quando o pessoal está lá curtindo, fazendo essa troca de energia, de ideia. E a mais trabalhosa é a correria de banda independente mesmo, desde o ensaio, produção de material, marcar shows, conseguir conciliar a banda com a vida pessoal.

She Hoos Go - Capa

NADA POP – Sobre as composições da banda quais são os principais temas abordados, e como surgem as composições?

SHE HOOS GO – Se tratando de uma banda que tem como objetivo ser composta majoritariamente por mulheres, as letras sempre tratam de situações do cotidiano feminino, sempre com uma sacada de combate à opressão social que todas nós sofremos. Nosso principal objetivo é, através da música, retratar o cotidiano da nossa luta diária, nossos medos e nossas vitórias, buscar o empoderamento feminino através da arte.

NADA POP – Sobre os grandes festivais de rock, é notável a ausência de bandas femininas, como vocês veem isso? Vocês acreditam que há algo além do machismo nessa questão?

SHE HOOS GO – O Rock é um movimento que sempre foi protagonizado pelo gênero masculino, assim como a grande maioria das atividades sociais. Mas assim como vem acontecendo na sociedade como um todo, em seus diversos ramos, as mulheres no rock também estão alcançando seu espaço. Ainda não temos grande aceitação. Talvez, em função do rock ser um estilo musical que “cultiva” sua produção, através da manutenção dos “clássicos do rock”, e nestes clássicos quase não temos participação feminina na produção, ainda sentimos grande pesar na falta de bandas femininas (ou com integrantes mulheres) nos grandes festivais. Não há como negar que a virilidade da atmosfera roqueira dificulta o acesso feminino. Mas estamos rompendo com esse paradigma.

She Hoos Go - LogoNADA POP – Há uma questão pouco comentada, mas existente no universo de bandas femininas, que é a competitividade, observo que nem sempre há a mesma união entre femininas infelizmente, como vocês veem isso? Com vocês já aconteceu algo do tipo?

SHE HOOS GO – Nossa sociedade estimula a competitividade entre mulheres, e isso, infelizmente, existe e é bem intenso no dia a dia de todas nós. Mas no universo de bandas femininas, no que tange a She Hoos Go, talvez pela filosofia de valorização do feminino que a banda busca, felizmente não vivenciamos esta competitividade, pelo menos entre nossas bandas irmãs, que é com quem mais interagimos.

NADA POP – Gostaríamos de saber sobre os trabalhos e projetos futuros da banda, o que o público de vocês podem esperar nos próximos trabalhos?

SHE HOOS GO – A She Hoos Go está cada vez mais engajada na luta pela emancipação feminina. E isso será refletido nas nossas letras e na nossa postura. Já estamos trabalhando em um novo EP, que vai trazer muita reivindicação e estímulo à todas nós mulheres regado a muito hardcore. Porque de fato, como diz na letra de um dos nossos sons (Reage!): “…é com arte que marcamos essa união…).

NADA POP – Em nome do Nada Pop, gostaria de agradecer novamente esse bate papo e dizer que esse espaço estará sempre aberto a vocês e as bandas do nosso cenário musical independente. Para finalizar, façam suas considerações finais, comentários, passem a agenda de shows, contatos, enfim, esse espaço é de vocês!

SHE HOOS GO – A She Hoos Go agradece o espaço a Nada Pop e avisa que estaremos tocando em Novo Hamburgo, dia 04/07 em um festival lindo, abrindo pra banda Mercenárias e outros aqui na região. Pra saber mais, curtam a page da banda (fb.com/shehoosgo) e pra ouvir nossos sons, da um play no Soundcloud da banda (soundcloud.com/she-hoos-go).

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Sobre o autor

Lary Durante

Formada em Comunicação e Marketing pela Universidade Cidade de São Paulo, além de baterista da banda de punk Ratas Rabiosas. Também é colaboradora da revista eletrônica Hi Hat Girls Magazine.

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