segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Nada Pop

Sensações a Vapor

Por Luciana Maria Nascimento Santos*

Os acordes da guitarra incansável de Thiago Amarante, mais conhecido como Mantega, calculam uma possível música que fará parte do repertório do próximo disco que a banda paulistana Vapor está para lançar.

Sobre o cálculo, não falaremos sobre matemática, mas de uma sensação que pode ser sentida além da alma. Poderia ser um dia qualquer, pois fora apenas um breve encontro entre os quatro integrantes de uma banda em um estúdio ainda em formação.

Contudo, foi este momento que me fizera perceber a grandiosidade da música em São Paulo. Mantega olha para Victor Silveira, popularmente chamado de Pirulito, e mostra o que idealizou na transição da tarde para a noite de um domingo nublado na capital paulista. Victor sorri e senta.

Ele escuta a música que seu companheiro de banda apresenta e começa a remexer os dedos em seu baixo à procura de uma entonação para completar aquele verso instrumental.

Juntos, eles conseguem fazer um arranjo e a partir dali, novas ideias musicais circulam naquele pequeno espaço localizado no Bairro Belém.

Mais cedo, o chefe, ou queriam chamá-lo de Diogo Dias, tocava os experimentos da Vapor, acumulados dos últimos meses entre 2016 e 2017.

Ao contrário do que se pensa a banda não é um cover e muito menos uma tentativa de projeto para programas como o Superstar ou Ídolos.

A banda é um pedaço daquilo que São Paulo é, ou seja, surpresa incalculável.

Os ritmos se misturam, mas todos lhe farão pensar que você está se conectando com algo que você não pode ver, mas que suas veias e artérias podem sentir fortemente.

As canções não lhe farão pensar em amor, ou em pensamentos perdidos nas ruas ao redor da Avenida Paulista. Não vai ser assim.

Entretanto, elas te farão pensar que você está vivo. A sensação é de uma máquina, que lhe bombeia na hora em que tudo parecia estar em silêncio e lhe dá gás para imaginar além do nublado do céu paulistano.

Sobre São Paulo: a cidade não para, as pessoas estão em movimentos e as músicas estão muito além das paredes daquela residência na Avenida Celso Garcia, Zona Leste paulistana. Ainda pela manhã, as mãos de Erik Yuji formularam um som diferenciado que ainda não pode ser fechado.

Eu consegui ver a bateria dançando e introduzindo-me aquilo que a Vapor representa e poderá lhe mostrar nos próximos meses.

Era como se meu sangue pulasse de uma parte para outra do meu corpo, fervendo, de forma frenética, devido aquele som que jamais tivera contato antes.

Escutar a banda Vapor não me deu apenas ânimo, mas me trouxe confiança e determinação, como se me puxasse e falasse: você pode. Em êxtase, numa tarde domingo, pude ver arranjos e experimentos que me fizeram perceber que a música daquela banda é muito mais que barulho.

A música é vida e acalenta a alma, em suas diversas explorações, entonações e circunstâncias. Eu me senti viva, cheia de sensações e emoções que não poderão ser esquecidas por este detalhe mais do que musical, mas humano.

Observações: Antes de tudo, eles ainda estão em produção. Mas você pode conhecer o trabalho nas redes sociais e há vídeos no YouTube para você entender o que eu quis dizer. Afinal, além do que se vê, é o que se pode sentir e a música faz isso. Escute.

*Luciana é uma jornalista nordestina, meio ousada nas horas vagas.

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Sobre o autor

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