quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Nada Pop

Salve, salve! As Mercenárias!

Em primeiro lugar, isso aqui não é uma resenha. Nem era o objetivo, muito ao contrário. Diante de uma semana de caos, cansaço e com a sensação paralisante de – no meio de uma tarde num escritório fechado – pensar no “que diabos estou fazendo aqui?”, nada mais justo do que assistir As Mercenárias num domingo de sol e ainda perto de casa.

Combinei de encontrar com o Leo Moraes às 17h no metrô Vergueiro (Leo é guitarra e vocal da banda Luta Civil – que coincidentemente sou baixista, coisas da vida!). De lá seguimos para o Centro Cultural São Paulo. Compramos nossos ingressos para o show das Mercenárias e depois fomos até o bar, fora do CCSP e do outro lado da avenida, para trocar uma ideia sobre música e de nossos empregos “maravilhosos”.

Com menos de 10 minutos para início do show previsto para começar às 18h, voltamos para o CCSP tentando imaginar o set list e se o show contaria com as participações do Clemente, da banda Inocentes, ou do Edgard Scandurra, do Ira! .

O CCSP é, talvez, um dos melhores lugares de São Paulo para se passar uma tarde, por exemplo, conversando com amigos, visitando exposições de arte, pesquisar por um bom livro na biblioteca ou até praticar um pouco de flash mob com outros amigos adolescentes – sim, vimos uns adolescentes praticando uns passos por lá. Sem preconceitos, achamos ate divertido.

Depois de entrar na área onde o show seria realizado, uma pequena surpresa: bancos para assistir o show sentado! Até tentamos, ficamos ali comportados esperando pelas Mercenárias, observando o público que também chegava aos poucos e tentando adivinhar onde o Clemente ou o Edgard estariam.

Minutos depois, surge no palco a Sandra Coutinho, Michelle Abu e Silvia Tape, respectivamente baixista e vocal, bateria e guitarra. Mesmo contando somente com a Sandra da formação original, podemos considerar que o trio assumia naquele instante o papel de santíssima trindade do pós-punk nacional. O uso do termo religioso foi feito de propósito, beleza? Aproveite e assista “Além Acima” e “Ângelus”, duas das músicas do set list do show.

Simples e direto, assim foi o início da primeira conversa da Sandra com o público. Os primeiros acordes demonstraram uma impossibilidade de se permanecer sentado. Levantamos e fomos conferir o show do lado do palco, de pé.

Sandra conduzia o espetáculo, os riffs de baixo se sobressaíam magistralmente enquanto a guitarra de Silvia Tape ecoava simples e eficiente, deixando claro que virtuosismo de “cu é rola”. O que dizer de Michelle Abu? Linda, elétrica e completa. Talento que transbordava, uma das melhores bandas do rock nacional e com letras que são tão atuais mesmo depois de tantos anos – quase 30!

Basta conferir músicas como “Dá dó”, “Polícia”, “Imagem”, “Há 10 anos passados” e “Santa Igreja”. O público, apesar de presente, foi mais comportado do que é possível imaginar. Mesmo com palmas efusivas após cada música, houve um pouco de letargia, sem demonstrar aquele agito pulsante que as músicas das Mercenárias inspiram.

O Clemente, pelo que constatamos, não estava mesmo. Mas o Edgard Scandurra sim! Esperamos por uma canja dele com as Mercenárias, porém não rolou. Acredito que por causa do tempo, as coisas no CCSP devem ser mais “certinhas” em relação ao horário. Não sei exatamente qual foi a duração do show – me perco nesse tempooo! – mas acredito que tivemos um pouco mais de uma hora.

O encerramento do show foi com a música “Santa Igreja” – O homem quer subir na vida/ em busca de fama e prazer/ daí encontra com Jesus/ e seu espírito de luz vai renascer/ vai se foder!/ Salve! Salve! / A Santa Igreja! – melhor impossível.

Logo devem anunciar um trabalho novo que acreditamos MUITO ser excepcional. Fica o nosso salve para As Mercenárias.

SET LIST DO SHOW

Mercenárias
Dá D
Inimigo
Amor inimigo
Há Dez Anos Passados
Lembranças
Ação na Cidade
Imagem
Além Acima
Poder
Pânico
Ângelus
Homem Bicho
Labirintos
Danação
Polícia
Somos Milhões
Nada de Definitivo
Me Perco Nesse Tempo
Trash Land
Santa Igreja

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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