quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Nada Pop

Riot Grrrls: trajetória das mulheres no rock (parte 3 de 3)

HOJE

Após um hiato na cena independente brasileira, o movimento riot voltou com força em meados de 2014. A nova onda do feminismo despertou o desejo de gritar e lutar novamente pelo espaço e por direitos, especialmente após a veiculação de novas denuncias de machismo na cena Straight Edge de São Paulo (mulheres tiveram fotos enviadas por whatsapp num grupo de homens, alguns até organizadores do evento Verdurada – conheça a história: http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2013/12/526930.shtml).

theyteachustobequietEssa denúncia é uma das mais graves dentre inúmeros problemas que mulheres que frequentam a cena independente brasileira passam. Em conversa com muitas minas para escrever esse artigo, percebi que comentários do tipo “para uma mina, você canta bem”, ~elogios~ como “olha pra ela toda menininha, não imagina que ela grita” ou “aquela guitarrista toca como cicrano homem” são comuns; homens frequentando shows “porque a mina da banda é gostosa” também. Frequentemente somos objetificadas; vistas como propriedades dos nossos companheiros (“a mina do cara” no caso das mulheres heterossexuais); se estamos nos shows sozinhas, estamos ali para a diversão masculina; quando debatemos, denunciamos ou discordamos dos homens da cena somos taxadas de loucas e histéricas (o que não é exclusividade do rolê). Muitas mulheres da cena tiveram seus corpos violados, foram assediadas em pogos, moshs e bate-cabeças, foram manipuladas psicologicamente – podendo vir de seus companheiros ou não, e até agredidas fisicamente por homens que se dizem politizados (sim, o rolê independente também é “político”). Além disso, importantes campanhas online como #meuprimeiroassedio tiveram homens do movimento libertário brasileiro desmascarados.

nongratas(Zine Prisões – Coletiva Feminista Non Gratxs)

Cansadas dessa postura, mulheres começaram a se mobilizar para criar novos coletivos feministas, movimentos artísticos, fanzines, blogs – principalmente os de denuncias, novas bandas e contou com o retorno de bandas importantes como o Lâmina, que teve sua volta marcada pelo lançamento de um EP gravado no estúdio Rubber Tracks.

Manifestações como a #MulheresContraCunha, ocorrido em outubro de 2015 juntou mais de 30 mil pessoas na Avenida Paulista em sua maioria mulheres e contou com a participação de inúmeras riots em SP. Outros estados também fizeram atos na mesma data com a temática “#MulheresContraCunha: Direito ao nosso corpo”.

O movimento riot, assim como o movimento autônomo de mulheres vai muito além da música, é um movimento político, comportamental e de difusão da mensagem feminista. Isso significa que o feminismo punk brasileiro ainda é forte e necessário. Vem se reinventando ao longo dos últimos 25 anos de existência e se fortalecendo cada vez mais, com o envolvimento de mais mulheres na luta e na cena, pela conquista do espaço que também é nosso!

REFERÊNCIAS

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Ilustração Ana Antonov

Livros e textos:

Flávia Lucchesi. Riot Grrrl: capturas e metamorfoses de uma máquina de guerra (Mestrado em Ciências Sociais);
Sara Marcus. Girl to the Front: the true history of the Riot Grrrl Revolution
Carrie Brownstein. Hunger Makes Me a Modern Girl: A Memoir
Kim Gordon. Girl in a Band: A Memoir
Andrew Boyd, Dave Oswald Mitchell. Bela Baderna – Ferramentas para revolução

Fanzines:
Liberta-te Maria
Jigsawunderground

Filmes:
Bella Donnas – Meninas da Cena Punk.
The Punk Singer
Don’t need you – The Herstory of Riot Grrrl.
The Runaways
Not bad for a Girl

Sites:
Arquivo Riot Grrrl

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Leia a primeira parte do artigo clicando AQUI. Leia a segunda parte AQUI.

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Sobre o autor

Cintia Ferreira

Cintia Ferreira é feminista, riot grrrl, militante da coletiva Chega de Assédio e vegan, além de integrante da banda In Venus.

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