segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Nada Pop

Resenha Riot Fest: Bailão das manas!

Eskrota – Foto: divulgação

Domingão, dia de bailão.
Dia de mais um rolezão monstro no interior terror, rock na roça.
Aqui vai a resenha do Riot Fest: protagonismo feminino em ação.
Em cada banda ao menos uma mulher presente.
Empoderamento feminino, consciência e ação direta.
E num puta pico animal: a Heuz, em Sumaré.
A Heuz é espaço de arte, atitude, música e audiovisual, além de loja de roupas estaile, chefia.

O BAILÃO

A positividade total esteve presente em Sumahell.
A interação também.
Rolou mosh, rolou pogo, fun fun fun.
Domingão cheio das birita, refrão, celebração.
Teve bateção de cabeça, teve stage dive encachaçado pra turma acordar moída de ressaca na segundona braba.
E o mais legal: como ressaltei, tudo num climão ótimo, cheião de entrosamento e sintonia.
Astralzão chique reunido em diferentes gerações, bem como as caravanas da zuera, encontro/gincana de cidades em supimpa convergência – baita bailão!

Mas bora falar do arrasta pé.
Quem deu o pontapé inicial foi o On Crash.
Hardcore “chocante”.
Quarteto de sonoridade com personalidade, originalidade.
On Crash traz um paredão sonoro todo riffado.
Embuído em nuances atmosféricos delirantes, alterna no lusco-fusco psicoacústico marcantes levadas, climáticas como os livros de Kafka.

On Crash – Foto: divulgação

Mars no vocal representa demais, explodindo tudo, com grande carisma e trocando uma ideia sincera entre os sons.
No cavaco do inferno temos o cabeludão Júlio Freschi, veterano na cena punk-hc de Hell Claro, usina chapada de riffs mortais, aliado à experiência do polvo-baterista-monstro Gabriel Raghiantte, outro veterano na cena, que vai espacando a bateria como um cracaço, cheio dos pedal dupro punch – tudo sob a supervisão do impassível e metrônomico bass violento do zica Eder Cruz.

Marcantes, canções marcantes, como Ruminante, Os Outros, Eles vivem e Expresso do Fim do Mundo, dentre muitas pancadas.

Apresentação sensacional, cheia de energia, pondo a galera pra dançar numa nice.
Ah: saca só: o ep de estréia do On Crash é um dos mais aguardados da praça, vem aí uma obra prima.
Depois, mais devastação.

Eskrota é uma banda longe de rótulos, e perto da ebulição barulhenta do caos nosso de cada dia, Eskrota rules.
Yasmin esmerilhando nas seis b.c rich cordas, Mars destruidora nos berros, Miriam voando baixo na batera e Tamy regaçando no bass. Integrantes também do Kultist, On Crash, Braincrusher/Alerta Mental, Aborn, respectivamente.
Que pedrada no zóio!

Rock veloz, com alma, com gana.
Porrada na oreia, as manas tem muita presença em ação e discursos articulados, proporcionando um momento devastador para todos presentes.
Gentrificação – sons muito fodas como esse, foram a tônica, e um cover destruidor de RxDxP.
Guarde esse nome: Eskrota.

Flyer do Riot Fest no Heuz Bar

Eskrota não para de compor e arrepiar nos constantes bailões – Eskrota tem uma puta camiseta foda, incrusive – e se você ainda não adquiriu, tá moscando. Pro ano que vem, vem aí o play de estréia!

E segue o baile!

Entonce, foi a vez do crossover dilacerante do Braincrusher.
Raaaaasgaaa !! (como diria Jota Hc).

Com a baterista turbo e musicista ninja Miriam Momesso destruindo tudo again, além dos vocais e backings furiosos, o trio fast from hell tem Jota Hc – o Kerry King do canavial – moendo tudo na guitarra jackson metranca, e o Murilo Birolo dando a letra nos bérrão atitude, antifascista coração, é o rei da palhetada pra baixo, voando baixo no bass from hell e no gogó sangrento.

Braincrusher – Foto: Kubo Metal

“Pare de ser um pseudo Good Vibes” e “Braincrusher” foram uns dos sons que fizeram a galera agitar absurdamente, com direito a um coverzão destruidor do Psych Possessor, Cubatão.

Em breve o Braincrusher estará com seu petardo de estréia em mãos, gravado e produzido no Estúdio Válvula 9, em Hell Claro: com letras antifascistas, de denúncia social e toda uma postura de insubordinação, o Braincrusher tem entrosamento absurdo, sua postura firmeza cada vez é mais rápida e agressiva, num punch repleto de velocidade, pra deixar todo mundo doidão, pogando sem parar, sem refresco. Que trio!!

Pois é.

E a turma tava doidaça, quando entrou em cena o Manger Cadavre, de São José dos Campos.
Nata de Lima, além de cantar muito, tem um puta carisma.

Agitando sem parar, com toda turma do baile acompanhando, o Manger é mó brisa, uma sonzera crust fudidaça, com direito a coverzão do Napalm, de levantar caixão. Abril Vermelho e Crimideia são sons destruidores, ouça a banda no bandcamp.mangercadavre.com e fique surdo e com o pescoço quebrado, alucinado e lesado, pode apostar.

Manger Cadavre – Foto: Kubo Metal

E o gran finale ficou com o Kultist.
Banda que carrega em sua bagagem literária uma inspiração no grande escritor H.P Lovecraft e toda sua piração cósmica, psicológica, aterrorizante.

Com uma integrante trans, a atitude Karine Profana, no bass e discurso marcante, com Ya Exodus moendo tudo na guitarra, Leticia Figueiredo espancando a batera e o Daniel Pacheco (ex- Cursed Slaughter ) mandando bronca no vocal – o Kultist traz uma roupagem mezzo soturna, estética sonora dark brutal ataque de muita responsa.
Os “velhos anciões” mandaram uma sonzera alucinante e performática, do doom ao extremo, esculpindo uma massa sonora pra lá de coesa, amparada em muito peso e vitalidade, urgência.

Já caía então a noite em Sumaré, e aqui vai um salve pro Markito e toda galera da Heuz, que tratou muito bem toda caravana que saiu de Hell Claro pra prestigiar o Riot Fest.

Kultist – Foto: Kubo Metal

Um puta festival foda, num espaço foda, mostrando todo o protagonismo feminino no underground. Energia foda demais pelos poros do domingão na roça.

Destaco toda correria e empenho da Karina Santiago, que mais uma vez organizou um fest que ficou pra história, vida longa ao Riot Fest!

As barraquinhas de merch, turma de várias cidades e idades como a pequenina Helena, proporcionando aquele astralzão mil grau, e aquele clima aconchegante do interiorzão, banco de praça corote e hardcore do lado de fora, e do lado dentro tudo sambarilóvi live fast die young numa casa espetacular, a Heuz.

CONCRUSÃO:

É isso aí, caro leitor(a).
Não é a toa que Sumaré é Sumahell.
No domingão do Riot Fest, bailamos sem fronteiras.
Era especial o momento, forrado e canalizado em muito rock doido, rock de combate – que não morre nem fudendo.
Que bailão foda, turma!
Que venham os próximos, fogo na roça!!

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Sobre o autor

Mário Mariones

Nascido na roça, roqueiro, escritor, fliperama pirata do Street fighter II, tomate fatiado com sal, café sem açúcar, horto florestal, muita maionese, Copa de 90, cantor e baixista do Garrafa Vazia, rock paulera pra todas as idades.