segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Nada Pop

Resenha: Ratos de Porão e Mollotov Attack em São Bernardo do Campo

Sexta feira atípica para todos nós! Finalmente caiu uma chuva descente, mas mesmo assim não aliviou nada o sistema Cantareira.

O negócio mesmo foi pegar a caranga e seguir para São Bernardo do Campo e ouvir um pouco de barulheira com Mollotov Attack e Ratos de Porão no Bar Rock Club.

O Rock Club é uma casa relativamente nova de São Bernardo – tem 3 anos –  e é uma das poucas opções para shows de rock na cidade. O local possui um bom espaço, com lugares para ficar de boa, jogar uma sinuca (grátis), jogar dardos (também sem custos), tomar uma cerveja (R$ 8,50) ou ver o show (ou tudo isso junto). Para conhecer a casa basta clicar AQUI ou AQUI.

João Gordo e Juninho

Porém, mesmo com essa estrutura, logo no inicio da noite a presença de fãs era muito maior do lado de fora da casa. Certamente pela colaboração da pizzaria do outro lado da rua que vendia o garrafão de cerveja por R$10.

A abertura da noite ficou por conta da banda Clube dos Canalhas (Matanza Cover), com um vocalista irmão gêmeo do Jimmy. A banda teve o papel de aquecer o público para as duas apresentações seguintes.

Quem pensa que a expectativa da noite estava concentrada somente em uma banda estava enganado. Olhando o público encontrávamos uma mescla de camisas do Ratos de Porão e da banda Mollotov Attack. Com nove anos de estrada o grupo do ABC demonstra que vale a pena sim apostar em montar sua banda, criar músicas próprias e levar isso para o palco. Na sua barraquinha de merchandising podíamos encontrar CD’s, camisetas e adesivos mantendo o “do it yourself” vivo e atual.

Banda Mollotov Attack

Mollotov tem seus seguidores de carteirinha e assim que entram no palco a pancada começa e os mascarados são permitidos nos primeiros moshs da noite. Com a casa já praticamente cheia, o show é uma celebração entre amigos, uma forte troca de energia dos membros da banda com o público, que canta as letras de cor e não para um só minuto do show. O trio, em 30 minutos, faz sua parte tanto para os fãs da banda, como também para os que não conheciam o grupo, terminando o show com seu nome sendo gritado em coro pela maioria dos presentes da casa.

Não podemos deixar de falar da presença inusitada de uma coluna, dividindo o palco, e deixando o show um tanto esquisito para assistir. Felizmente esse não foi um fator determinante para a diversão, mas restringia o tamanho do palco, principalmente para a banda de peso que viria em seguida: Ratos de Porão.

Público agitando no show do Mollotov Attack

Por volta das 2h da manhã o Ratos de Porão chega para o tradicional ataque sonoro que a banda carrega em seus mais de 30 anos de carreira. Aliás, se você quer um exemplo de perseverança em manter sua banda, tem que conhecer a história do Ratos. Com um CD novo lançado neste ano, a banda começou seu show com “Conflito Violento” e “Viciado Digital”, e na sequência mandando clássicos como “Ascensão e Queda” e “Crucificados pelo Sistema”. O calor infernal na casa não impede o RDP detonar “Vivendo cada dia mais sujo e agressivo”, “Vida animal”, “Morrer” e também outras músicas do álbum novo.Casa cheia, público já aquecido, agora era esperar os roadies montarem o palco para a banda mais esperada da noite. Um garoto de 14 anos em um dos lados do palco, punks com seus moicanos, misturado com skatistas e meninas na frente do palco confirmava a diversidade do público presente, que agitou a noite toda sem nenhum incidente.

Jão, Gordo e Juninho

Com um palco que não tinha o tamanho ideal para a banda, o show parecia um ensaio ao vivo, porém com energia real. O Jão destrói as cordas da guitarra a cada musica, enquanto o Boka esmurra com muito calor sua sofrida batera. O Gordo consegue abrir um espaço no palco para fazer sua parte tranquilo, enquanto o Juninho não consegue dar nenhum de seus clássicos pulos, já que o espaço era muito reduzido.

É impressionante como músicas feitas 25 anos atrás refletem tanto o momento atual que vivemos agora. O final pesado e direto com “Plano furado I”, “Amazônia nunca mais” e “Terra do carnaval” deixou todo mundo com um gosto de quero mais, no entanto, agora, só na próxima vez. O povo até chamou a banda para um bis, mas o esquema foi pegar a comanda e entrar na fila para pagar a conta.

Texto por Antonio Yamada Marques e fotos por Marcelo Shina.

A galeria completa dos shows desta noite podem ser vistas no Flickr do Nada Pop: clique AQUI.

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Sobre o autor

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Nada Pop é um espaço sobre punk, hardcore e alternativo.

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