quarta-feira, 18 de julho de 2018
Nada Pop

Resenha – Punk Donation no Matilha Cultural

CHEGADA

Sábado à tarde, céu aberto e muito calor. Hora de passar na Matilha Cultural e verificar o que está rolando.

O evento Punk Donation tem como base ajudar crianças com doenças do sangue (HIV, Leucemia, etc…). O valor da entrada do show seria revertido em brinquedos para a brinquedoteca de hospitais com crianças nessas condições e como era véspera do Dia das Crianças era uma data ideal para conhecer novas bandas, trocar ideias e reforçar um pouco mais o nosso cenário tão judiado. Reunir bandas bem interessantes da cena underground em prol dessa conscientização, que já faz uma grande diferença.

Cheguei na Matilha bem fácil, o espaço está bem localizado no centro e, para quem não conhece, fica na Rua Rego Freitas, 542. O ambiente me pareceu muito bom, com diversos andares: no subsolo a exposição “Setembro Verde”, demonstrando alguns problemas relacionados a água e seu futuro não tão distante (que parece muito claro para nós nesta estiagem em SP), com a ideia de conscientização sustentável; banquinha do pessoal do “Garimpo Cultural-Corsário Discos” com seus CDs e camisetas; bar com cerveja em lata a R$ 3,00 e, para completar, uma discotecagem punk-rock. Já no andar de cima com o palco e uma área para descanso. Os outros andares estavam fechados para o pessoal das bandas (camarim).

Após tomar aquela gelada e trocar ideias com o pessoal da organização e com alguns integrantes das bandas que já estavam por lá vamos aos shows que esperamos.

Asteroides Trio mostram o seu “punkabilly”. Foto por Leo Moraes

SHOWS

Abertura ficou para o pessoal da Infeccion Necrozitante. Uma demora no começo por uns problemas técnicos na batera, mas depois de arrumados correu tudo “ok”. Somente com guitarrista e baterista no palco, mandaram uma sonzera foda. Vocais guturais e viradas muito roots na bateria. É muito louco de ver o que pode se fazer com apenas dois instrumentos e ainda ter uma força sonora devastadora.

Logo depois Rattu Mortu entra com seu som irreverente e experimental. Para que você tenha uma visão da coisa, tivemos músicas com uma furadeira no bloco no lugar do baixo e até um liquidificador (acho que era isso) no microfone. Da hora, o povo ficou com cara de “que porra é essa?”, mas pareciam estar curtindo. Legal essas bandas que ousam no palco.

Asteroides Trio mostra um seu som “punkabilly” fazendo todo mundo pogar na pista. Essa banda é única, quem tiver condições de ir a um show deles vá, pois ouvir punk rock com um contrabaixo acústico e guitarra acústica é uma experiência muito agradável. Destaque para o convidado especial “Barata”, do DZK, cantando a música “Somos todos inocentes”. Isso lembrou três décadas atrás, bons tempos… E a saideira foi um cover de Ramones.

Percebi um aumento de público com o pessoal, tinha uma galera do hardcore. A próxima banda O Inimigo mostra um som bem elaborado e cadenciado no hardcore moderno. Em relação a sonoridade a banda possui riffs bem definidos com sobreposições com os dois guitarras e vocais muito bem gritados. Gostei da apresentação, precisava mesmo de uma pista de skate lá, ia ficar o cenário ideal. Será que preciso dizer que a banda tem em sua formação o Juninho, do Ratos de Porão, e o Fernando Sanches, ex-CPM 22, nas guitarras? Acho que não, né?

Entra Sistema Sangria com uma porradaria nervosa. É crust, é grindcore, é crossover e punk 80. Dava para ver pela galera agitando e pirando na pista com os riffs pesados da guitarra junto com a batera insana. O som dos caras é muito bom mesmo, acho que foi o show que vi a galera agitar mais, incluindo o que vos escreve aqui. O saldo no final do show era muito suor com aquela sensação de ter exorcizado o capiroto.

Pausa para a cerva e conversando com o pessoal por ali as impressões foram bem positivas dos shows, com muitos elogios aos equipamentos e infraestrutura do local. Agora a espera das Mercenárias para fechar o dia.

As Mercenárias sobem ao palco com o apoio do “convidado/roadie/parceiro” Edgard Scandurra. Todo o público presente, mas mesmo assim não com a lotação que acreditava que iria ter, até ficou um show bem intimista. No começo com alguns probleminhas técnicos com retorno de voz e de vez em quando falha nos pedais/equipo da guitarra, mas tudo resolvido com ajuda do Scandurra, umas porradas nos pedais e uma bronca de leve no técnico. É banda grande também tem seus problemas (hehehe).

Repertório de clássicos como “Polícia”, “Inimigo” e “A Santa Igreja”. A galera toda curtindo como se entrassem no túnel do tempo e voltassem aos anos 80. Em “Me Perco Neste Tempo” o Scandurra assume a guitarra e percebe-se que a criança toca pouco né? Ninguém queria que terminasse, mas com o horário já estourado e a galera pedindo bis as meninas tocam a última e encerram o festival com aquele gostinho de quero mais.

As Mercenárias apresentam os clássicos da banda. Foto por Leo Moraes

CONCLUSÃO

O evento trouxe bandas boas, originais e interessantes, cada uma com o seu estilo dentro do underground. Mais todas demonstraram suas qualidades e, ainda mais, a vontade de mostrar a sua arte para muita gente por aí, a vontade de ajudar em muitas causas que possam beneficiar o próximo.

Em relação ao público, achei pequeno perto do que esperava. Mesmo com divulgação na rádio e na web não apareceram muitos para ajudar. Muita gente podia ter aproveitado, tirado o seu traseiro de casa, contribuído na causa e ter assistido a shows muito bons.

Mas a cena hoje em dia não é como a dos anos 80/90. Poucos ainda se prestam a fazer algo para melhorar isso. Enfim, é uma luta constante, mas ainda tem gente que faz e acredita.
Talvez você possa contribuir um pouco também, não é? Quem sabe no próximo evento nos encontramos…

Para ver mais fotos dos shows clique aqui.

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Sobre o autor

Leo Moraes

Já participou de várias bandas de punk rock e com elas tocou em diversas cidades. Acredita 100% no DIY e possui muitas influências de bandas punks brasileiras dos anos 80 e 90.

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