quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Resenha: Punk Destroyer 4 – 9 bandas, cinco merréu!

Taí: essa é uma resenha duma noite de bailão na roça.

Goró barato, rock cabuloso, irmandade e alegria.

Esse é o resumão do Punk Destroyer 4, que rolou sábadão em Rio Claro, interior de São Paulo.

Local supimpa, tudo nos trinques e o rock começou com os campineiros do Anestesia.

A pegada do trio é punk rock/hardcore. Com energia, sinceridade.

E a lua chapada no céu de marofa, o firmamento beldão e olha lá a turma, colando no rolê, altas caravanas das cidades vizinhas (Santa Gertrudes, Cordeirópolis, Sumaré, São Carlos, Dourado, Leme).

Em todos os cantos, na área da sinuca, do lado de fora, perto do palco, ouvia-se aquele lero sambarilóvi, sentia-se do calor da convivência, do reencontro.

Havia barraquinhas de merch, aquele tradicional space-cake-amigo, tudo como manda o figurino dum belo concerto rock and roll.

Na sequência, o Satanagem. Direto de Sumahell (Sumaré).

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Focalada – Foto: L Moreira

Trio capirotão chein de gás e vitalidade rocker, que mandou brasa e sacudiu o bar– “i have not frescura, i’m rock and roll”. Em breve tá na área o primeiro playzão oficial dos trutas.

Saem os doidos de sumahell, e eis que surge o rock préza do Focalada, molecada sangue no zóio da city. O Focalada é rock 80 fm thc, é préza mermo, como comprova o hit “Tudo Explode, ”gravado no Estúdio Válvula 9, gentileza place aqui de Rio Claro.

Dispois, outra banda da cidade, o Inocoops. “

O duo respira entrega suor. Rique guitar e Anáriun nas baquetas – garage rock supimpa, pra ouvir e dançar bebendo conhaque flat duo jets, cheio de válvulas, riffs punk blues, e batuque intensidade mil grau. Foda.

E de Sampa então pintou no baile umas das bandas mais legais da atualidade: o Boring Assholes.

Passa-Mal e Ítalo (2/3 do Lomba Raivosa), formam este belo conjunto musical.

O disco de estréia dos caras é fodaço. Running Out é minha favorita, e logo essa eles não tocaram. Tá certo. Hoje, o Boring soa mais pesado ao vivo, mó feeling, dupla entrosada, criativa, cativante, cheia de persona. O Boring mandou brasa num punk rock from hell, uma paulada atrás de outra.

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Boring Assholes – Foto: L Moreira

Era o momento das rodas.

Pogo, sintonia: com muito respeito e alegria, manas e manos bailando, festival da simpatia, fraterno.

Era o punk rock ali contagiando a turma, sábadão sambarilóvi, mais de cem pessoas no recinto curtindo uma náite mágica.

Na sequência, o Garrafa Vazia, rock paulera pra todas idades.

O show dos Garrafa Vazia foi cheio de integração e irmandade, bem massa ver a turma agitando, cantando os sons, pogando, e subindo no palco pra cantar Cirrose, a úrtima canção. Teve Corotinho, teve Copo Vazio, e teve Babaca, nova música contra toda a cultura estúpida do machismo.

O punk doidão do Balls of Genival veio na sequência.

Muito demente o som dos caras, persona própria total, Murilex descendo a marreta na batera , Cris Silva no bass, Rômulo na guitarra dread, e claro, o simpático e desparafusado vocalista, o Cinho.

Cinho tava com um olhar pra lá de vidrado. Recém liberto da terrível camisa-de-força da caretice, graças ao poder da cachaça, Cinho é show.

E tinha mais.

Um, dois, três: vai!

Baixão estralante, batera monstro da Miriam tupá tupá, e o Saulo dando aquele pulos de dar inveja ao Dadá Maravilha: era o Alerta Mental na área!

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Curtição do pessoal – Foto: L Moreira

Era o Alerta, e seu hardcore punk viciante!

Saulo mandando o verbo, o Alerta Mental que representa o interiorzão com suas letras de conteúdo crítico de responsa, como na crássica “Moralistas por tabela”. Toda turma pirou e bailou à beça.

E pra fechar o bailão, que escorria felizão pela doida madrugada da roça, o crossover mil volt do Braincrusher.

Outro trio. E que trio!

Trio destroyer.

Era o sensacional Jotão metranca na guitarra thrashcore, Murilo Birolo e Miriam: rock veloz, papo reto e porradaria, fudido!

É, a noite estava compreta. Agora era só esperar a adrenalina vazar, ali pelas nove da manhã.

Na saída, as despedidas, é Kombi que vai embora, bicicleta que sussurra adeus, minibusão saindo à galope, todo mundo contente, enquanto pelas esquinas ouço um amigo beldo sentenciar: “porra bicho, hoje o rock na roça escreveu mais uma bela página”.

Pois é. E sem bairrismo. Só intercâmbio e construção, amizade, respeito. E sempre num esquemão diy 100% bagunça e alegria, do jeito que o capiroto gosta.

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Pessoal curtindo o som do “Corotinho”, da Garrafa Vazia – Foto: L Moreira

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Sobre o autor

Mário Mariones

Nascido na roça, roqueiro, escritor, fliperama pirata do Street fighter II, tomate fatiado com sal, café sem açúcar, horto florestal, muita maionese, Copa de 90, cantor e baixista do Garrafa Vazia, rock paulera pra todas as idades.