quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Resenha: Não Há Mais Volta – Punks de Rua

O Não Há Mais Volta é uma banda paulista surgida em 2012. E ao ouvir o som, logo de cara já dá pra sacar que se trata de um grupo com uma sonoridade street punk, estilo Boucing Souls, Bombshell Rocks, Dropkick Murphys, entre outras. Mas o que é mais interessante, e que dá uma certa identidade para a banda, é o fato de ser possível encontrar no som dos caras fragmentos de punk rock na linha de The Clash e Rancid e também uma dose de hardcore na linha de H2O. O que deixa o som mais encorpado e como boas variações.

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Gian Coppola (bateria), Gustavo Rodrigues (baixo), Fernando Lamb (voz) e Ricardo Galano (guitarra e voz) Foto Por Roberto Gasparro

Formada por Fernando Lamb (voz), Ricardo Galano (guitarra e voz), Gustavo Rodrigues (baixo) e Gian Coppola (bateria), o Não Há Mais Volta lançou em março desse ano o seu primeiro disco,  auto-intitulado, pela gravadora Hearts Bleed Blue (HBB Records) e pelo selo Semper Adversus. O álbum conta com 11 sons,  gravado e mixado por Tiago Hóspede, no Estúdio Lamparina, em São Paulo. Tiago também participa do álbum tocando guitarra nas músicas “Domingo à Tarde” e “Ruas e Vielas”. Destaque para a capa do álbum que ficou por conta de Antonio Carlos Coltro. Arte gráfica massa, ótimo trabalho profissional.

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Não Há Mais Volta – Hearts Bleed Blue / Semper Adversus (2015)

O grupo apresenta letras que são um grande diferencial da banda. Começando com a música candidata a hit “Nada Pra Nós”, que inclusive virou clipe, passando por temas com contexto político, como em “Falsas Promessas”, “Povo Sem Ninguém” e “Politico Bom…”. Mas se esse tema parece soar datado, com o Não Há Mais Volta acontece diferente. O temas políticos aqui são sutis, na medida certa, sem soar clichê, tá ligado? Já os outros sons abordam temas mais pessoais e cotidianos. Mas na minha humilde opinião a “Velha Rua” é um dos destaques do disco. Isso porque ouvindo o som me veio à cabeça a antiga rua em que eu morava na Zona Norte de SP. Senti uma sensação boa de nostalgia, resgatando velhas lembranças. Mas não posso deixar de falar de outro som que poderia facilmente ser tocado em algumas rádios, a música “Kevin”. Que fala sobre o garoto boliviano Kevin Spada, morto no estádio de futebol em Oruro, na Bolívia, em um jogo do Corinthians em 2013. Acredito que muitos tenham esquecido desse fato, certo? Mas os caras não!

Poderia ficar aqui falando de todos os sons desse álbum, mas prefiro pedir pra você ouvir o disco inteiro e se surpreender, assim com eu fui surpreendido ouvindo mais essa nova (e excelente) banda de punk rock. Tô falando sério!

Te digo que de fato você irá sacar todas as influências musicais citadas nessa resenha. Mas o que vai fazer você se identificar com a banda é o fato de os caras se inspirarem e terem como referência, tanto no som, como nas letras, a vida na cidade grande, mais especificamente na cidade de São Paulo. Mas que é a mesma realidade de qualquer outra capital do Brasil. E após conhecer essa banda, quando te perguntarem quais são as bandas de Street Punk que você mais ouve/curte atualmente, você citará várias bandas do gênero. E com certeza também falará do Não Há Mais Volta com o seu Punk de Rua. Que ainda está no começo, mas que tem tudo para se tornar uma grande referência no cenário. Aperte o play abaixo!

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Sobre o autor

Toni Dissidente

Toni Dissidente é vocalista e fundador da banda Dissidentes, com mais de 10 anos de estrada. Também foi um dos idealizadores do Nada Pop, deixando o site em 2015.

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