segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Nada Pop

Resenha: Many Minds – Tributo ao Nitrominds

Tributos são em sua grande maioria uma caixinha de surpresa, ou CD no caso, né? A verdade é que juntando várias bandas tocando clássicos de uma banda venerada e reconhecida fica muito difícil agradar todo mundo.

Quando a banda convidada para o tributo tem interesse em fazer uma versão da música original então, quase sempre é alvo fácil de críticas, narizes torcidos e muita aporrinhação. Mas o que difere um ótimo álbum e interessante tributo daquele álbum típico caça-níquel está na qualidade das bandas e também no artista homenageado, claro.

Além disso, a diferença também pode estar na união das bandas em prol do projeto, na vontade e garra que cada grupo se entrega para a música a ser interpretada. Por isso é possível dizer que o álbum Many Minds, tributo ao Nitrominds, é uma das pérolas lançadas neste ano e que merecem toda a sua atenção. O motivo vamos contar agora, tenha paciência, pois eu sei que você já deve ter lido sobre este álbum em algum lugar por aí. Vamos tentar fazer algo diferente para te dar uma real ideia da importância deste tributo.

Para começar este tributo surgiu da cabeça de um fã da banda, o Fabio Chagas, proprietário do selo Two Hands Records. O selo já assume pra si um papel fundamental neste projeto. Em seguida vêm as parcerias: Monophono Estúdio (masterização), Q Arte Studio (arte e encarte), além do apoio do Chagaz Tattoo Studio. Logo depois estão as bandas, cada uma com a sua história, importância e peso, e bota peso nisso.

Antes é preciso dizer que o Nitrominds foi uma das bandas mais importantes do país, não só pela qualidade musical do trio formado por André, Lalo e Edu, mas também pela sua coragem de botar a mão na massa, organizando as próprias turnês, lutando todo dia contra um tubarão e sobrevivendo por quase 20 anos na estrada. É muita história pra contar, muitos shows, muita música, tudo muito. Muito foda!

O bom de um tributo como este é que faz ressurgir um novo público que nunca deve ter escutado Nitrominds e que irá procurá-los só para saber se os caras eram tudo isso. Já consigo imaginar uma galera boquiaberta constatando o óbvio: sim, eles eram tudo isso. E o primeiro som do tributo só dá provas disso…

O álbum começa te jogando na parede, é com a música “Imperialism” se encaixando perfeita com a banda Ação Direta que o álbum mostra ao que veio. Não espere menos, logo você estará ouvindo o som no último volume. Tenho dó dos seus vizinhos (mentira, que se fodam os seus vizinhos).

Depois vem a banda Austin apresentando a melódica “Down and Away”. A música com maior frescor de juventude do álbum. Me fez lembrar dos tempos que ficava vadiando pela rua, com meu tênis All Star quase rasgando, ainda num tempo que arranhava um pouco de guitarra, saia na madruga para beber pinga com Coca-Cola com os amigos. Bons tempos, mas acho que acabei divagando um pouco, vamos voltar para o tributo.

Em seguida vem a música “Something to Believe”, interpretada pela Kacttus, banda do qual nunca negou possuir Nitrominds em suas veias. Uma das melhores músicas do álbum, sem dúvida nenhuma.

A banda Q.I? traz “About The Truth” com uma introdução bem bacana. Não sei o que o André, Lalo ou Edu pensaram a respeito quando ouviram este som, mas acredito que ficaram bem orgulhosos, não consigo ver onde é possível reclamar dessa faixa.

Fiquei feliz em saber que pelo menos um dos sons do Nitrominds cantados em português tenha recebido a devida menção. A banda La Marca, formada em 2009, manteve a pegada da música original, mas é claro que é possível ver que existem elementos da banda na música. Afinal, é tributo, não cover.

Minha favorita, a que ouvi repetidas e repetidas vezes é “Room With Parasites”. A banda Bambix dá o recado e mostra toda a sua qualidade nessa maravilhosa faixa. Vale citar que a participação da Bambix nesta coletânea é mais do que sincera, a banda já fez algumas turnês com o Nitrominds e até podemos dizer que existem influências mutuas. Essa música já vale o álbum, mas ainda tem muita coisa boa.

O céu desaba na sétima faixa, Sistema Sangria apresenta/representa “Policemen”. Grindcore, punk/ metal. Tudo junto e tudo muito bom. Repare que no meio da música surge uma referência ao Black Sabbath, reparou? Não? Volte para o início do álbum e escute tudo de novo!

A música “Fences All Over” é outra versão incrível contida neste álbum. Interpretada pela banda Gagged. O Nada Pop não é uma escolinha onde ficamos dando nota para álbuns e bandas, como se isso significasse alguma merda. Mas é preciso dizer que ficou nota dez essa versão… hehehehe

A banda Nox entra com a faixa “Flowers and Common View”, dá pra sentir uma pegada também melódica, um pouco diferente da original no começo da música, porém também boa. De qualquer forma me fez procurar pela banda na web.

Na décima faixa surge “Sick Man” pelas mãos da banda Caffeine Blues. Excelente ideia de cantar o refrão dessa música em português, deixando até mais forte a canção. Outra banda nascida em Santo André, deixando claro também que além das influências naturais pelo estilo de som, o Nitrominds também foi uma inspiração para o surgimento de diversas bandas no ABC.

Em seguida vem a banda Typhoon Motor Dudes com “Sun Shines Outside”. Confesso que na primeira vez que ouvi não curti muito, mas na segunda vez, prestando um pouco mais de atenção, reparei que essa música ficou com uma levada meio Billy Idol. E não, isso não é uma crítica, é um elogio!

Logo depois vem a banda Taiko com “We Need To Realize”. Não vou bancar o sabichão aqui, não conhecia a banda. Uma ótima surpresa, essa versão mais gutural e com a batera super trabalhada deu um grande peso para a música.

Ao contrário de vários sites por aí que ignoraram algumas das bandas presentes neste tributo, algo que considero meio ilógico porque justiça deve ser feita (ou se fala de todas ou de nenhuma), achei estranho o pouco que foi citado dessa versão do Mollotov Attack para “Fire and Gasoline”. Porradaria digna de nota e bem como citou a resenha do Resgate HC, é um hardcore lindo mesmo!

Como na música “Punk Inglês” do Fogo Cruzado, eu diria que “aqui não é Londres para entender inglês”. Pois é, com essa prévia diria que a banda FISTT desempenhou com muita dignidade a música “Seeds In The Ground”. Vale lembrar que os caras estão na ativa desde 1994, por isso todo o respeito a banda pela sua história.

Na décima quinta faixa está a banda 350ml com a bela “On the road”. Os caras vieram com a mesma pegada da canção original. Acredito que neste caso fizeram o certo mesmo, pra que tentar criar algo em cima de algo que já está ali, ótimo.

A música “Usefull For Losers” ficou com a banda Bullhead que mudou o início da música dando um tom mais “we are the world” pra mesma, mesmo assim ficou bacana. É o clima de despedida do álbum, chegamos aos últimos sons do tributo.

A banda Visão Vermelha fez algo incrível na “Gunshot”, música instrumental do Nitrominds. Parecia que a polícia tinha invadido a minha casa e começado a metralhar tudo. Impressionante a energia depositada pela banda nessa música. Baixo sujo, guitarra distorcida e bateria simplesmente fodástica.

Para fechar o tributo tem “Modern Family” interpretada apenas na bateria pelo Daniel Blume. Confesso que senti muito a falta da guitarra e do baixo, mas quem conhece pelo menos um pouco de bateria sabe o quanto foi corajoso o Daniel. Mas no fim não é de coragem que se precisa, mas de técnica e qualidade. Isso foi apresentado de sobra.

Como não poderia ser diferente, o próprio Nitrominds encerra o álbum. Os caras aparecem com uma versão ao vivo de “We Can Only Live Now”. Os mais saudosistas devem ter chorado nesta parte, quase fui um deles.

Tributo incrível e que merece toda a sua atenção. Para incentivar o seu interesse neste álbum, como se precisasse, fizemos uma brincadeira junto com Fabio Chagas, do selo Two Hands Records. Se você for uma das dez pessoas interessadas na compra deste álbum a partir de agora você irá levar junto e gratuitamente mais um álbum de uma das bandas do coletivo Nada Pop. Para isso basta mandar um e-mail para o Fabio e pedir o Many Minds. O e-mail dele é: twohandsrecords@yahoo.com.br

Para ouvir o álbum acesse o Bandcamp da Two Hands Records – Basta CLICAR AQUI. O Fábio também aceita encomendas pelo Facebook, para falar com ele clique AQUI.

É isso. Valeu e até!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.