quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Nada Pop

Resenha do álbum “Veja Bem Caralho” da banda Perturba

E no estilo Toy Dolls que tem início o álbum, meus ouvidos ainda se aquecem quando a música “No Bar do Eurico” começa. Pior que estava passando por um bar bem nessa hora, confesso que até me deu uma vontade de entrar, afinal “tenho o direito de molhar o bico”. Mas meus bolsos estavam vazios, com exceção do bilhete único guardado na carteira. O mais engraçado foi lembrar em seguida que há tempos deixei de beber. Sim! Mas isso é outra história, com muitas cachaças, tombos e… De certas coisas não me lembro muito bem, só do que me contam. Enfim… Tinha baixado o álbum no trabalho (é sempre bom usar a internet do trampo para coisas mais úteis do que trabalhar, não é mesmo?). Antes de terminar mais um relatório chato coloquei todas as músicas no celular e antes de me despedir dos amiguinhos do escritório, em mais um longo e cansativo expediente, já estava me preparando para dar o play no “Veja Bem Caralho!”, álbum da banda Perturba. Desci até o térreo, me despedi do porteiro com cara de Reginaldo Rossi, encostei o portão e começo a degustar sonoricamente a música “No Bar do Eurico”.
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Foram poucos minutos até o cruzamento que precisava atravessar quando começa a música “Desandado”. Em minha memória, pelo menos no que resta dela, surgem momentos engraçados quando comprava doses de bombeirinho num bar próximo de casa. Era um ritual antes de ficar sentando na esquina junto com outros amigos tocando violão até as duas, três da manhã ali em frente ao mercado Bergamini, no Lauzane Paulista. Claro, com uma “cuba livre” improvisada em seguida. Ou hi-fi genérico, com Corote e Fanta Laranja. Até me arrepiei nessa hora.

Virando outra esquina tem início outra música, “enquanto a noite parece me acolher o caçador de bruxas vive à solta”. Entra o refrão: “suave que desce, giroflex não tem”. Punk rock mais calmo, porém dá uma acelerada no final. O refrão ainda está na minha cabeça quando o riff de “Aniversário de quem?” começa. Minha intuição já dá sinais de que essa música irá se tornar a minha preferida do álbum. Entro no metrô Santos-Imigrantes cantando o refrão “ah ah há hoje é dia de chapar;  ah ah há de beber até vomitar; ah ah há amanhã nem vou lembrar; me deite na calçada se eu não puder levantar”. Uma letra bem inspiradora para uma sexta-feira ou sábado.

Ainda no vagão do metrô, com várias pessoas voltando ou indo de sei lá onde começa “o quadro na parede a face de um índio…”. Música mais lenta até então do álbum, mas com uma acelerada bem bacana no fim. “Vivendo sob o sereno da lua, amigo dos cachorros da rua”, bela frase sobre moradores de rua. Em seguida “Ser Iguais”, uma faixa mais política e também acelerada. “Quero sair do esgoto, viver sem desgosto e poder sorrir”, verdade seja dita, “o governo não tá nem aí”. A faixa seguinte me lembrou muito Ramones e Replicantes, assim mesmo, juntos. Como se fossem os Ramones tocando com o Wander cantando. Ironias à parte, quem nunca quis jogar bosta no ventilador?

Chegando na estação Brigadeiro, já embasbacado com o álbum e considerando tudo o que ouvia até ali ótimo, começa a música “Por quê”. Cólera na veia e refrão marcado por um “hahahaha”. Simples e direto, tem horas que dá vontade de chamar algumas pessoas de “doentes” mesmo. Um Roger Moreira, por exemplo, e seu QI elevadíssimo. Só se for de idiotice. Talvez seja a hora de você morrer… É o refrão da música.

Logo depois foi a vez de “Não podemos falar”, um cover dos Ratos de Porão. Na hora, confesso que não me lembrei, mas sabia que conhecia essa música de algum lugar. Tem gente que não pesquisa pra fazer resenha, mas sou chato até os ossos com isso. Música das antigas do RxDxPx, rápida e curta, porém muito precisa. Afinal, podemos falar ou não? Muitos dizem que sim, mas é possível mesmo? Bom, não dá para esperar até a morte para querer falar, certo? Então fale!

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Uma das músicas mais clássicas dos Garotos Podres foi a minha assimilação imediata ao ouvir “Papai Nóião”.  Uma faixa para ser tocada num modo repeat inúmeras vezes. Até decorar a letra toda. “Papai nóião deixou seu trenó no morro em consignação; Agora na madruga ele sobe e desce sempre a pé; Papai noião agora se comporta muito, muito mal; Vendeu seus sonhos acabou o Natal”. Papai Noel deixou de ser um “velho batuta” para ser tornar uma “marionete de Satã”. Mas de você ele nunca vai gostar. E chegamos à música que dá nome ao álbum, “Veja Bem Caralho!”. Punk rock, refrão grudento, letra cheia de humor. Ali, em uma simples viagem do trabalho de volta pra casa, ouço uma música que daqui uns 30 anos ou mais ainda será ouvida por muitos punks. Perturba é uma banda símbolo do que existe de mais bacana acontecendo atualmente no cenário punk/hardcore e que certamente se tornará referência (se já não for) para muitas outras bandas.

Mas o álbum chega ao final mesmo com “Cataratas num Barril”. A cereja no bolo, outro hino sobre cachaça e loucura. “Hey, vá pra puta que pariu; Eu vou descer as cataratas num barril”, refrão simples e muito, mas muito grudento. Eu demoro muito mais tempo pra chegar em caso do que a duração do álbum, mas é claro que algumas faixas ouvi mais de uma vez. “Veja Bem Caralho!” e “Papai Nóião” estão entre elas, sem dúvida.

Para fazer o download do álbum, assim como eu fiz, basta acessar o link abaixo:
https://www.dropbox.com/s/6kkfr39jgxmcceo/Perturba_Veja-Bem-Car_o.rar?dl=0

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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