quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Penha Rock: “Fazer para todos, não para si”

penha_rock_bannerNo próximo domingo, dia 21, será realizado o último Penha Rock do ano. Não sabe o que é o Penha Rock?!?! Como assim? É um dos melhores eventos do ano! É a invasão do rock em espaços públicos na região da Penha, zona leste de São Paulo. Idealizado pelo agitador cultural Adriano Pacianotto, em parceria com a Subprefeitura da Penha, o projeto traz bandas de vários lugares para tocar no Parque Tiquatira, ao lado de feiras de artesanato e um público que varia entre crianças, jovens e até idosos. Para falar sobre o projeto e nos dar uma balanço de sua realização em 2014, conversamos com o próprio Adriano Pacianotto.

Vale a leitura pelo simples fato de demonstrar como o acesso à cultura é importante e, principalmente, como as bandas podem e devem se apropriar dos espaços públicos em suas regiões. Só não esqueça de confirmar sua presença no evento deste domingo, que irá trazer as bandas Instinto Animal, Blues Drive Monster e You And Me And The Conspiracy. Acesse o evento no Facebook para mais informações clicando AQUI.

ENTREVISTA – ADRIANO PACIANOTTO | PENHA ROCK

NADA POP – Como começou o penha rock e há quanto tempo existe? Conta como surgiu seu interesse em organizar shows em espaços públicos.

ADRIANO PACIANOTTO – O Penha Rock surgiu há dois anos, no Largo do Rosário, no Centro Histórico da Penha, mas tomou fôlego há cerca de quatro meses, quando passou a ser realizado no Parque Linear Tiquatira e com um apoio mais efetivo da Prefeitura. Acho que é um caso de interesse comum, os espaços estão aí, aos montes, e são nossos! Arte e cultura transforma o mundo, nada mais justo do que levar isso para as ruas, para todos.

NADA POP – Quantas bandas já passaram por esse projeto e como a população local recebeu os shows na região, pela sua própria observação?

ADRIANO PACIANOTTO – Cerca de 40 bandas. A população recebe muito bem. Nossa plateia tem de crianças à senhoras de 80 anos, e eles curtem de verdade, mesmo que esteja tocando a banda mais barulhenta do mundo (rs).

NADA POP – Você diria que as dificuldades que muitas bandas enfrentam para organizar shows em espaços fechados torna o Penha Rock, além de uma iniciativa excelente, num exemplo de interação social e invasão (no melhor termo possível da palavra) do espaço público muito mais necessária?

ADRIANO PACIANOTTO – Os espaços fechados deitaram e rolaram por muito tempo em cima das bandas (ainda deitam…), e o Penha Rock, assim como outras iniciativas similares, meio que diz: “por que se sujeitar a um cenário sujo – venda de ingressos em muitos dos casos – se você pode ocupar o espaço público, fazer seu próprio show, mostrar sua música pra muito mais gente?”.

NADA POP – O quanto os órgãos públicos, no caso a Prefeitura e Subprefeitura da penha, foram parceiras do projeto? Os órgãos públicos, em sua opinião, se mostram abertos a esse tipo de iniciativa, principalmente no estilo rock?

ADRIANO PACIANOTTO – Na verdade o Poder Público dança conforme a música. Atualmente está na moda a ocupação cultural, e muita gente está fazendo e reivindicando isso, então a Prefeitura, que não é boba, facilita os caminhos porque, no fim das contas, todo mundo é obrigado a votar. No caso da Subprefeitura da Penha, não tenho do que reclamar, são ótimos parceiros, não tem verba pra nada, mas se esforçam pra manter o projeto rolando. Tive uma pequena resistência no início, pois eles temiam “que houvesse um quebra-quebra”, mas autorizaram, pois sou bastante conhecido no bairro e tive boas indicações. Depois que viram rolando eles amaram e não querem que o Penha Rock saia de lá por nada.

Apresentação da banda Sky Down durante o Penha Rock deste ano

NADA POP – Qual o balanço que você faz do projeto neste ano e qual a perspectiva que ele continue em 2015?

ADRIANO PACIANOTTO – Está rolando, tudo é Do It Yourself, ninguém ganha grana, mas é algo extremamente valioso. Conseguimos nos consolidar em 2014. Para 2015 seguiremos com a programação de pelo menos dois eventos por mês e um foco maior na criançada. Eles poderão subir no palco, conhecer os equipamentos e instrumentos, interagir com os músicos. Muita coisa vem pela frente.

NADA POP – Para as bandas que tenham interesse em participar do projeto, qual o seu conselho e como você as seleciona?

ADRIANO PACIANOTTO – Banda que trabalha de verdade, tem uma boa qualidade musical, é correria e não empina nariz, é só mandar material para o meu e-mail: adrianopacianotto@gmail.com. Bandas em busca de “fama, dinheiro e poder” podem continuar vendendo ingressos por aí (rs).

NADA POP – Deixe uma mensagem para as bandas, como usar o espaço público em suas regiões, como se organizar e criar laços que possam favorecer a cultura e, consequentemente, a sociedade?

ADRIANO PACIANOTTO – Primeiramente pense bem se você está preparado para encarar as responsabilidades e dificuldades que virão de tal atitude. Diplomacia é tudo. Se tem condições de fazer e consegue lidar com tubarões, procure os órgãos de cultura, certamente vão te dar muitas portadas na cara, mas como diz o ditado: “água mole em pedra dura…”. Tem que acreditar, ter amor pelo que faz e fazer para todos, não para si.

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Curta a página do Penha Rock clicando AQUI, sobre o Adriano Pacianotto, para saber mais sobre o seu trabalho na área da cultura, basta clicar AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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