quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Os transmissores do Dance of Days anunciam Amor-Fati no talo

Os gostos musicais geralmente são criados ao lado de bons amigos, que apresentam uma novidade com o desejo de compartilhar algo. No meu caso, conheci o Dance of Days, após gravar uma música em uma fita K7, daquele momento em diante presenciei dezenas de shows, acompanhei a evolução e transformações da banda e até um pedido de casamento no palco, pra mim DOD é um bom amigo.

Após uma pausa para recarregar as energias, o quinteto volta aos palcos implacáveis com o lançamento do disco Amor-Fati e numa formação que criou a identidade da banda em seus primórdios. Nenê, Marcelo, Tyello e Júlio somaram forças com o baixista Guto. Apesar do aguçado talento do frontman nas composições, o álbum foi uma criação em conjunto, com produção executiva da Hearts Bleed Blue, as 11 faixas foram editadas pela Deckdisc.

Falar das canções do disco é uma tarefa difícil, dado o alto teor poético e pessoal, porém é perceptível uma música de combate e resistência, no qual lhe diz que você é totalmente responsável pela sua caminhada, ou seja, você é o protagonista e jamais deve submeter-se a qualquer tipo de força opressora. Na verdade, esse recado existe em várias outras músicas da banda. Mas dentre todas as faixas, destaco “Brigada Kenaima, A Canção das 43 Garrafas ao Mar”, ela é muita inspiração, um clamor ao que realmente importa, um encontro ideal com quem deseja sentimentos bons ao invés de apenas consumir, o que somos induzidos a fazer a todo o momento na sociedade em que estamos inseridos, “é esse mundo que está torto, não esse espírito”, diz uma passagem sintetizando isso.

Apesar dos músicos reunirem-se apenas nesse momento, cada qual esteve envolvido na cena musical independente de São Paulo, seja tocando em bandas, realizando produções e escrevendo. Com forte influência no cenário underground, os caras são referências musicais de muita qualidade e para muitas gerações, não é a toa que a tour desse novo disco, lançado em março no Carioca Club, tem datas pelo Brasil e Argentina, sempre arrastando multidões para a dança dos dias. Enfim, como diz um trecho da primeira música do CD “somos muitos nessa alma”, também são muitos que desejam que essa “história não tenha fim”. Confiram!

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Sobre o autor

Bruno Palmito

Skate, kombi, shows, acampar e cerveja deixam-no mais perto daquilo que ele define como felicidade, se a trilha sonora for Punk Rock/Hardcore com pitadas de Ska, é um breve resumo da perfeição nessa vida. A música é a manifestação ideológica do sujeito, acredita Palmito.

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