sábado, 26 de Maio de 2018
Nada Pop

Os segredos do sucesso para uma vida milionária

Relações e conexões na produção e distribuição independente

Por Bruno Palmito

Os segredos de sucesso para uma vida milionária em merchandising e distribuição foram desvendados na noite de 1º julho na Red Bull Station (Praça da Bandeira, 137, centro). No foco, ou sofá, estava Fabio Mozine, produtor executivo e musical da gravadora Läjä. Já a Hearts Bleed Blue (HBB) foi representada pelos idealizador e funcionário-parceiro, Antônio Augusto e Alexandre Machado, respectivamente.

crackinho_da_laja-twitterPela breve apresentação e histórico apresentados por Mozine e Antônio, foi possível notar um engajamento de suas gravadoras não apenas para a venda ou o desejo desenfreado pelo lucro, mas num conceito ideológico de terem feito de suas escolhas uma missão. Com relação ao desenvolvimento de suas empresas os dois foram unânimes: “Fiz da gravadora parte da minha vida”.

No contexto abordado, viver algumas problemáticas é assunto obrigatório, como foi a “crise da cena”, com a chegada do MP3 e plataformas virtuais como o Youtube que derrubou as vendas de CD físico. Em contrapartida, disseram que a empresa fabricante de vinil no país está sendo reaberta e provavelmente uma em São Paulo pode dar início a essa atividade, em breve.

Num clima muito agradável, engraçado e dinâmico, os assuntos envolviam os expectadores. Particularmente, fui tomado por uma energia de querer fazer parte daquilo de maneira mais intensa e presente! Nas duas horas do evento os pensamentos atropelaram-se num aglomerado de informações, atitude, ideologia e muitos sentimentos.

O tema da palestra foi discutido no momento de perguntas e respostas. No caso do merchandising, Mozine disse que culturalmente temos facilidade na sua criação, pois existem vários tipos, como vestuários, acessórios e outros que identificam e trazem a banda pra perto de seu público. Com larga experiência na carreira musical, Mozine já esteve no palco com suas bandas Mukeka di Rato, Os Predero e Merda.

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O milionário bem sucedido Mozine, da Läjä Records (risos!)

Por outro lado, a distribuição tem suas “tretas” e a dificuldade está na baixa aceitação por parte de lojistas em divulgar uma banda “desconhecida”, sem contar com o alto custo de frete para o envio de materiais. Bom, para quem vive no cenário underground já conhece bem esses e outros empecilhos, mas por eles são tratados como natural, pois é possível serem superados com estratégias no momento das vendas e criando novas condições, enfim, pensando e quebrando a cabeça.

Quando foi dada a largada para perguntas e respostas uma “pré-tensão” ficou no ar, que durou pouco, mas existiu. Os assuntos passearam entre situações e experiências, e o público ávido por informações. Nesse momento, me ajeitei várias vezes na cadeira me perguntando: “faço ou não minhas perguntas?”, como era um momento único, vamos aproveitar né?! Mas não fiz! (no fim falei com o Antônio da HBB e foi produtivo). A falta de estrutura para shows foi um assunto pertinente em algumas indagações e em determinado momento Mozine foi claro em relatar a falta de um circuito para shows fora de sua cidade, Vila Velha, no Espírito Santo.

O relógio aproximou-se das 22 horas, perto de acabar, mas ter escutado que a HBB está dando passos para organizar shows foi algo sensacional. A última pergunta, na verdade sugestão, foi de fazer distribuição em quiosques de praia, com uma produção e investimento mínimo, aproximando-se da pirataria (sim, esse foi o termo usado). Alexandre rebate a necessidade de fazer algo com um diferencial, pois é o que instiga o sujeito a ter o produto, nesse caso o CD. Algo que não foi citado, porém existe e é o diferencial – a ideologia, (por trás de tudo o que foi apresentado na noite, que são impossíveis de serem descritas nesse humilde texto), é um sentimento e um estilo que se vive. Não é apenas música, boné, camisa, adesivo. É a alma do artista transformada em arte.

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Repare no boneco do crackinho na foto, demais né? Queremos um, manda pra gente Mozine? Foto por Rafael Galhardo

Sobre os segredos de sucesso para uma vida milionária do início do texto, foi o meu merchandising, pois não existe, por enquanto, um retorno financeiro confortável em grandes dimensões. O mercado é muito restrito e o trabalho é duro, a palestra que faz parte do evento Pulso (encontro para identificar as oportunidades e desafios da música independente no Brasil), me faz concluir: dê o sangue pelo que você acredita. Por fim, Crackinho, (boneco criado pela Läjä) sempre sorridente na frente do palco, desperta o desejo de criar e fazer acontecer por seus próprios esforços (DIY), sua simpatia é impar, todos devem conhecê-lo.

As dicas de quem entende do assunto

Nosso outro colaborador, Rafael Galhardo, também esteve no Red Bull Station e trouxe outros tópicos citados na palestra. Destacamos alguns abaixo:

– Segundo o Mozine, o que faz crescer nesse meio é a tentativa e o erro, no entanto, o caminho é baratear em algumas coisas como marketing e propaganda, para se fazer um material com maior luxo, maior qualidade, capas com a assinatura de um artista mais reconhecido e coisas do tipo.

– Fazer uma auto-divulgação, mandar para sites e blogs do segmento musical, usar as mídias digitais, investir mais em uma rede social boa, do que um anúncio pago, por exemplo, é um caminho. Afinal, é mais fácil você ouvir uma banda que seus amigos compartilham ou do que uma propaganda indica? A primeira opção talvez seja a escolha de muita gente.

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Antônio Augusto, proprietário da HBB.

– Outro ponto citado é a parceria com empresas privadas para criar materiais da banda, como camisetas. Além disso existem os editais, principalmente municipais e regionais, pois são mais fáceis de se conseguir. Afinal, é dinheiro nosso que vai ter um retorno real, mas é bom tomar cuidado, pois o mundo está em crise e isso afeta a todos, então é importante não viver só disso, ter esse dinheiro como parte de um lucro.

– Um ponto citado pelo Antônio, da HBB, é que a crise na mídia física é culpa da falta de divulgação, e que por isso se deve usar todo tipo de mídia e explorar outras áreas, transformar a banda em uma marca, algo além de só CD’s.

– O  valor dos fretes dos Correios dificulta que fãs distantes consigam materiais da banda. Uma das formas de burlar esse empecilho é a venda desses CDs e produtos diretamente no show e sempre ter uma maquina de cartões, que hoje em dia pode ser tirada com apenas um CPF. É importante para a facilitação das compras, afinal, hoje em dia todo mundo carrega um cartão, mas nem todo mundo carrega dinheiro em espécie.

Boas dicas? Sem dúvida. Uma coisa é certa, arregaçar as mangas é algo que sempre será necessário. Ficar parado não adiantará e será sempre necessário pensar qual a melhor forma de levar a sua banda e o seu trabalho para o maior número de pessoas possível. Boa sorte!

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Sobre o autor

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