segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Nada Pop

Novo álbum do Desacato Civil é verdadeira obra-prima punk

Neste mês, a banda de hardcore/punk paulista Desacato Civil lançou seu segundo trabalho intitulado “Monumentos da Barbárie”. O álbum, com 13 faixas, começa com alguns relatos sobre violência policial, ditadura militar, poder popular, entre outros depoimentos que retratam o cenário passado e presente de nossa sociedade, que infelizmente ainda se misturam.

O nome do álbum é inspirado no filósofo e sociólogo Walter Benjamin, autor da frase “nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie!”. Após a introdução do disco, seguem as faixas “Poder Popular”, “Taca Gás” e a canção que já nasce clássica “Mito do Underground”:

Lucrando em suas costas criaram o mito do underground.
Te fazem acreditar em uma cena nacional
Destruíram a rebeldia com visão empresarial
Com preços tabelados que querem te catalogar

O punk rock é rua, é resistência, um ideal
Não é negócio de empresário, nem uma forma de lucrar!
Não vou cair, me enganar
Eu quero acreditar na rebeldia que ultrapassa a roupa.
Não vou me adaptar!

Um discurso de bom moço pra ganhar seu coração
Seu baixo, sua guitarra e um cambista no portão
Se apropriam da cultura da sua forma de expressar
grana e falso sorriso aqui te transformam em outdoor

Em seguida, “Boa Ação” é quase uma selfie da hipocrisia disfarçada de “caridade” não só de pseudocelebridades, mas de todos aqueles que querem ajudar o próximo, mas desde que haja algum retorno promocional a respeito. Já “Presídio Escolar” questiona o formato da educação, que ensina a repetir e decorar ao invés de pensar por conta própria, contribuindo para manter o status quo.

Depois temos “Não Acredito”, “*(Asterisco)” e “Ódio ao Futebol Moderno”. A última simboliza o desgosto e decepção ao futebol, mas me refiro ao jogo fora de campo também, que se transformou em máquina de fazer dinheiro para corruptos e inescrupulosos do futebol. Joseph Blatter, é você?

“Sem esquecimento e nem perdão”, que fala sobre os resquícios da ditadura e suas consequências, talvez seja uma das melhores faixas do álbum, seguida de “Palestina Livre”, que cita campos de refugiados, territórios ocupados e “Apartheid sionista”.

“Itinerário do Terror”, junto com o cover de “Terceira Guerra Mundial”, encerram o disco, mas não sem antes fazer uma homenagem ao “Psycoze”. É o tipo de álbum necessário e importante para quem quer pogar e também refletir sobre a nossa história. Curtiu?

Ouça o álbum abaixo na íntegra.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.