quinta-feira, 15 de novembro de 2018
Nada Pop

Punk no Hangar e histórias de uma primeira vez

São cinco da tarde, tô esperando a Debi, “minha fotógrafa”, na estação Armênia com um frio na barriga e uma inquietude surpreendente, o meu coturno começa a incomodar. É estranho, acho que é o nervosismo, depois de 10 minutos ela chega e vamos procurar onde é o Hangar 110, pois é, eu nunca tinha ido lá, me julguem.

Chegamos cedo, ajustamos a câmera, tomei uma cerva e esperamos, cada vez mais pessoas iam chegando, a casa abriu e fomos para o mezanino para ter uma vista melhor do palco. Antes disso, recebemos a informação que a banda Sistema Sangria não iria mais participar do evento, não foi informado o motivo, apenas avisaram…

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Banda Trassas – Foto por Débora Aguilar

A primeira banda a subir no palco foi a Trassas, um som pesado, bom para um bate cabeça, mas ele só ia acontecer mais tarde, a casa estava vazia ainda, então me contive e fiquei quieto no meu canto ouvindo aquele som foda.

Quando o Guetto Hardcore começou a quebrar tudo com uma primeira música instrumental e depois nas seguintes com o Fabio Braga, que também é baixista do Olho Seco, cantando, ali eu admito que já estava em um pogo solitário curtindo o som, e a Debi do meu lado em estado de êxtase curtindo seu primeiro show, a cada música, a cada riff de guitarra o show ficava mais foda, a adrenalina subia, um sensação indescritível!

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Guetto Hardcore – Foto por Débora Aguilar

Creio que era umas 21h quando o Lobotomia começou seu show e, com um som pancada, o Edu (vocalista) fazendo um vocal tão destruidor o quanto, ouvi um pessoal falando que eles estão bem metal, e na verdade, eu concordo, mas para mim é por conta do baixista e do guitarrista que estão fazendo algo além do HC/Punk, mas a atitude da banda continua a mesma da era Markon, arrisco dizer até maior (que me perdoem os fãs do Lobotomia clássico).

Foi aí que começou um bate cabeça bem em frente do palco, e eu fui correndo lá para o meio, afinal, estou lá para “sentir” o show, não posso ficar de fora da experiência mais marcante! (risos de aproveitamento!)

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Lobotomia – Foto por Débora Aguilar

Nisso, o City Rats já estava na casa, no que eu volto para o mezanino reparo em um cara com uma camiseta amarela do álbum clássico do Cólera “Pela paz em todo mundo”. Era o jornalista Fred Melo Paiva, O Infiltrado, do History Channel, fui conversar com ele e o mesmo me diz que está no show só pelo Olho Seco. É interessante isso, uma quebra nesse preconceito de punk vagabundo, somos pessoas e fazemos o que bem entendermos, essa é a real.

Enquanto isso, o Lobotomia ainda arrebentava tudo no palco, e a Debi tirando fotos, o bate cabeça comia solto na frente do palco, e o Edu incentivava cada vez mais aquela explosão de adrenalina. O Lobotomia finalizou sua parte, e rolou uma pausa para a preparação do palco, passagem de som etc.

Depois desse mini descanso, a banda City Rats, vinda de Israel, sobe no palco. O guitarrista está com uma camiseta do Cólera, acho que alguns idiotas com síndrome de vira lata deveriam ver isso, mas não vem ao caso, não agora, depois de uma ou duas tentativas de falar algo em português, eles começam a sua participação e você pode dizer o que quiser sobre essa banda, mas se você ouvir eles ao vivo, ou você muda completamente o que pensa ou apenas reforça.

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Banda City Rats – Foto por Débora Aguilar

É o som dos álbuns, mas com a presença de palco surpreendente, principalmente do baixista, que nem na frente do microfone fica parado. É com o tipo de coisa que tinha se perdido com os Ramones e Sex Pistols, a coisa da loucura no palco e quem está assistindo ter a escolha de surtar junto ou só assistir, o que eu acho muito difícil, pois o som pesado, sujo, cheio de atitude nas letras, melodias e em cima do palco, cara, eu fiquei no bate cabeça todas as músicas, foi muito louco!

Depois de um discurso do baixista pedindo a paz, a igualdade, a paz, o a mor e mandado o Brasil e Israel irem se foder e dizer que nacionalidade é uma besteira e uma grande perda de tempo, e o vocalista gritando a plenos pulmões “PELA PAZ EM TODO MUNDO”, eles tocaram mais algumas músicas e deram espaço a ultima banda da noite, o tão esperado Olho Seco.

O que eu vou falar desses caras????

O show foi simplesmente foda!!!!

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Olho Seco – Foto por Débora Aguilar

O baixo forte, a guitarra pesada, a bateria rápida e o vocalista Fábio, com a atitude que só ele e o Mao (ex-garotos podres, atual O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos) tem, aquele tipo de postura de palco que não tem como descrever, é agressiva, representativa, é simplesmente PUNK!

Entregando o microfone para o publico em alguns instantes (eu estava lá no meio, claro! Gritei varias vezes, da forma mais forte que conseguia no momento, “ISSO É OLHO SECO!, SECO! SECO! SECO!”) fazendo o povo que estava lá vendo surtar, o Fred Melo Paiva foi Carregado para cima do palco, desceu, voltou, estou fazendo o meu melhor, mas a sensação é indescritível.

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Olho Seco – Foto por Débora Aguilar

Era pouco antes da uma da manhã, eu estava chegando em casa, com a minha cabeça ainda martelando: “Isso é Olho Seco!”, com Ramones nos fones de ouvido, o coturno já não incomoda, estava me sentindo ótimo, satisfeito, e querendo mais que tudo um banho e minha cama, afinal, estava completamente quebrado.

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É possível conferir mais fotos do show clicando AQUI.

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Sobre o autor

Rafael Galhardo

Jornalista e apaixonado por música, em especial rockabilly e Johnny Cash. Um curioso e viciado em Mortal Kombat, colecionador de CDs, LPs e HQs, além de completamente louco por Star Wars.

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