domingo, 20 de agosto de 2017
Nada Pop

Nada Pop e Howlin’ Records entrevistam Sky Down sobre nova formação da banda, lançamentos, shows e machismo na “cena”

O vídeo acima apresenta o último show da Sky Down no ano de 2016 e foi filmado por Stage Struck Clóvis (acesse o canal e veja mais vídeos de apresentações ao vivo). Toda a intensidade da banda, durante o show de aproximadamente 30 minutos, surge como uma corrente elétrica de centenas de volts. Sem contar o clima do 74Club, espaço mais do que consagrado como um dos melhores para bandas autorais no ABC Paulista. Acredite, só a versão da banda para “Transmission”, do Joy Division, vale o seu play.

Nesse dia, a Sky Down ainda dividiu o espaço com as bandas Travelling Wave e The Mugris (Chile), e também aproveitou para mostrar duas músicas novas que servem como uma pequena introdução para a tempestade sonora que a banda anda preparando. Seu primeiro álbum, “…nowhere”, saiu em 2014 e causou estardalhaços por onde esteve. Nossa resenha sobre este álbum pode ser conferida clicando AQUI. Agora, nada mais natural que o seu segundo álbum esteja sendo aguardado com certa expectativa.

Sky Down (da esquerda pra direita): Amanda Buttler, Caio Felipe e André Arvore. Foto: Daniel Cardoso

De 2014 até o momento, a banda passou por algumas mudanças. Com a saída do Tales Lobo (que foi morar fora do país), o grupo precisou de um novo integrante para assumir o baixo. A entrada de Amanda Buttler, que assumiu as quatro cordas da Sky Down, não só manteve o nível de qualidade do grupo como ainda parece ter se tornado mais orgânico.

Agora, Caio Felipe (guitarra e vocal), Amanda Buttler (baixo) e André Arvore (batera e doido de pedra) estão com novos planos para 2017 e integram o selo da Howlin’ Records que, inclusive, conta com excelentes bandas em seu casting (Billy Negra, Blear, Color For Shane, Gomalakka, The Hexx, In Venus, Loyal Gun, Miêta, Poltergat, MonstroMonstro, Penhasco, Stase e Vapor).

Na próxima semana, a Sky Down irá lançar o clipe de “Kindness”, oitava faixa do “…nowhere”. Para falar sobre esse lançamento, entre outras questões relacionadas com shows, espaços e indicações, conversamos com o grupo num bate-papo bem bacana e com a parceria da Howlin’ Records. Confira a entrevista abaixo.

NADA POP – Se apresentem e respondam como foi 2016 para o Sky Down?

CAIO: 2016 foi foda, de coisas boas e uns chorumes aí num geral. Teve mudança na formação, a Amanda entrou no baixo (no lugar do Tales), tocamos em lugares que não havíamos ido antes e começamos a trabalhar melhor nas músicas novas.

AMANDA: Foi loko. Quebrei umas palhetas, torei a mizona, sobrevivi.

CAIO: Eu quebrei o pulso.

AMANDA: Mas ai quando eu entrei a gente também já focou no disco novo mesmo.

ANDRÉ: E gravamos uma session ao vivo no Estúdio Aurora com duas músicas novas.

CAIO: Teve também o lance do tributo ao Titãs, onde gravamos Clitóris do Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. Primeira música que a Amanda gravou em estúdio conosco. Ouça aqui: http://migre.me/vVZMq.

NADA POP – Como a Amanda entrou para a banda e como foi a “escolha” em relação a isso?

AMANDA: Teve um show no Gambalaia (Santo André) que fui tocar e ai fiquei sabendo melhor que eles estavam atrás de baixista, mandei uma mensagem para o Caio no outro dia falando “passa as tab do …nowhere ai”. Aí o Caio fez bonitinho um doc com as tab e tirei a porra toda. Eu e o Caio passamos as musicas em casa e depois ensaiamos os três, rolou legal, aí foi isso “você quer ficar na banda?” (cara de emocionada).

CAIO: Quando que foi? Foi em abril? Você anotou?

AMANDA: Foi em abril, anotei, postei uma foto no instagram falando que tava contratada.

ANDRÉ: Tadinha.

Amanda Buttler e o “anúncio” da nova formação da Sky Down. Foto: Instagram

NADA POP – O quê podemos esperar do sucessor de “…Nowhere”?

CAIO: Ele vai ter uma sonoridade um pouco diferente do …nowhere, pra quem gosta de rótulos talvez soe menos garage ou punk, mas bem mais barulhento. Tem um outro lado do Sky Down nele, eu não consigo escrever muita coisa otimista, ainda mais hoje, mas tentei também. Ou na real posso estar errado nisso tudo que falei, sou péssimo pra analisar essas coisas.

ANDRÉ: A gente tá trazendo outras referências de coisas que gostamos também, mas que vieram naturalmente conforme fomos trabalhando nas músicas novas.

AMANDA: Eu acho que vai ser algo que algumas pessoas vão escutar e falar “que?!”.

CAIO: Acho ótimo.

AMANDA: Tem uma música que eu fiz e canto também.

CAIO: Ah e o disco vai sair pela Howlin’ Records. Que esse ano tá preparando um monte de lançamentos e atividades relacionadas as bandas do selo por ai.

NADA POP – Citem os locais mais bacanas que vocês tocaram em 2016.

CAIO: Vixe, vou ter que olhar os flyers dos shows pra lembrar melhor. O Asteroid em Sorocaba foi bem legal. Pra mim foi diferente esse porque eu estava com o pulso quebrado e engessado, só cantei e o Rodrigo Lima (Blear / In Venus) tocou guitarra. O show no Duese com In Venus foi legal também. Devo estar esquecendo de vários.

 

#QHABA #ASTEROIDNOW #SKYDOWN

Publicado por Asteroid Entretenimento em Domingo, 23 de outubro de 2016

AMANDA: No 74club sempre os que rolam são legais, é tipo tocar na sala de casa.

ANDRÉ: No Squat foi legal também.

NADA POP – E quais shows que vocês conferiram no ano passado que vale a pena indicar?

CAIO: Lançamento do disco do Rakta no Sesc Pompeia foi bem foda. Peter Hook tocando os dois Substance do Joy Division e New Order. Second Come com Mickey Junkies no Centro Cultural São Paulo. Umas coisas mais experimentais e improvisação que vi no Hotel Bar também ou na Associação Cultural Cecília. Eu acho que tirando transporte, gastei pouco vendo shows por aí, é algo interessante, muita gente reclama dos preços de entrada (que na média são de 10 a 15 reais), mas caro mesmo é festival grande, Lollapalooza da vida. Teve show pra caramba, é só ir pra rua e assistir.

AMANDA: Show delas (Rakta) na Cecilia e no festival de rua também curti. Vi bastante o Boogarins também. Gostei do Wry, do Travelling Wave.

ANDRÉ: Gostei do Libertines.

NADA POP – Contem pra gente sobre o clipe de Kindness. Quem fez, onde foi gravado como foi a ideia do vídeo e qual a importância – pelo menos pra vocês – de se posicionar contra o machismo e outras fitas “embaçadas” da nossa querida “cena”?

CAIO: Às vezes é meio doido a forma como as coisas acontecem, a gente tinha planos de fazer um vídeo para “Kindness” logo depois que saiu o clipe de “Liar” quando lançamos o …nowhere, na época chegamos a conversar sobre, mas a ideia ficou meio engavetada e acabou rolando fazer o clipe de “Nowhere”. Teve um show há pouco tempo no 74club que o Allan (amigo nosso daqui) tava com uma câmera e filmou algumas amigas maquiando…

AMANDA: A gente tava maquiando e fazendo umas tatuagens na boneca que tem lá.

CAIO: E “Kindness” tem uma letra de um ponto de vista mais feminista, fala da forma como o homem tenta sempre moldar a mulher de acordo com suas vontades e opiniões, até com esse (de uns anos pra cá) papo libertário que alguns reproduzem para elas, dizendo que devem ser livres sim (mas sempre de acordo com o limite de liberdade imposto por nós, homens) e fala também que o corpo delas não é um convite. Tem dois versos dela que “peguei” da Mia Zapata que cantava no The Gits (“it hurts me to be angry, kills me to be kind”), um tempo depois mostrei a música para o Steve (baterista do The Gits) e ele ficou contente com a homenagem e o tema da musica.

No dia o Allan me mostrou o material e comentou que podia rolar um clipe com aquelas imagens. Ai queríamos usar junto uns comerciais antigos de bonecas e nessa pesquisa a gente se deparou com umas coisas muito escrotas, sinistras, machistas e agressivas para uma criança. Ele editou e virou clipe de “Kindness”, não foi algo planejado.

E esse vídeo saindo hoje talvez faça mais sentido ainda do que na época pra gente. É um tema que muita banda não leva a sério, outros fingem que essas coisas (machismo e violência) que não acontecem, de uns tempos pra cá comecei a ver melhor o meio que estávamos/estamos e o quanto eu acreditava que nesse meio as coisas estavam um pouco melhor resolvidas nesse assunto, obviamente longe de algo perfeito, mas vi o quanto a coisa esta feia e esquisita mesmo proximamente.

AMANDA: Sair o vídeo hoje conversa mais com o que ta acontecendo…

CAIO: As pessoas ficam muito em cima do muro também, acredito que é importante bandas terem alguma postura em relação a machismo ou qualquer tipo de violência contra mulher no caso, mesmo se sua banda não aborda diretamente temas políticos (alguns confundem ter postura com ser “politizado”), mas como ser humano é importante se posicionar, sair do muro, não apenas falar da boca pra fora ou deixar sua atitude morrer em posts de Facebook, precisa ser levado na prática. Por mais que uma banda seja um coletivo, no fim das contas é você e sua postura como indivíduo que conta dentro dela.

AVISO

O vídeo de “Kindness” sai semana que vem no Nada Pop. Assista a entrevista com a banda Miêta clicando AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.