quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Nada nessa vida é Eterno – Uma “resenha” e entrevista

O álbum começa com a música “Pai” e sinto automaticamente um frio na espinha. Minhas memórias mundanas são invadidas por pessoas vestindo camisas xadrez, tênis all star surrado, calça jeans rasgadas com copos de cerveja na mão, brindando ao nada por apenas existirem momentos no qual podemos esquecer de quem somos. Sinto uma nostalgia e penso nas pessoas que já magoei nessa vida, nada como uma música chamada “Me desculpa” para afogar lembranças em sentimentos escuros. Ouço alguém gritar “Hey” lá no fundo da alma e me dizer que há tempos alguém “Tentou demais” e que “Novamente” insiste nos mesmos erros se perdendo da vida que prometeu para si mesmo. Afinal, será que ainda teremos tempo para conquistar o que queremos ou agir de acordo com a nossa vontade? Nesse momento o mundo parece se tornar um lugar simplesmente do “Contra” e se “Despedir” do mundo talvez seja uma solução. Logo me livro desses pensamentos e sugiro um vinho a mim mesmo para aliviar os problemas equivocados que acabo criando na minha mente. Um “Uh-uh” surge nos meus fones de ouvido, tudo parece apenas “Depressão”, mas é só ilusão. Nada nesse vida é Eterno.

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Da esquerda para a direita: Maria Maier (bateria), Felipe Gasnier (guitarra e voz) e Leo Bravo (baixo e voz) – Forto por Fernanda Gamarano

Um conversa com um dos Eternos – Felipe Gasnier (Xilip)

NADA POP – Qual é a formação da banda e como vocês se conheceram?

FELIPE – O Léo é baixista e eu conheci ele no final dos anos 90, ele era o único que curtia grunge da galera que gostava de punk/hardcore aqui do ABC. Tivemos uma banda que durou muito pouco e só agora voltamos a tocar juntos. A Maria toca bateria e nos conhecemos em 2001, quando começamos a namorar, e já tivemos trocentas bandas juntos, trabalhamos juntos, ou seja, estamos sempre 24 horas grudados! (hahah) Eu sou Felipe, toco guitarra e canto, e estou me realizando com o Eterno pois minha primeira banda foi de metal e depois já pulei para o hardcore, não deu tempo de tocar algo mais grunge que na real desses 3 estilos é o que mais gosto.

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Ouça Eterno! Clique AQUI – Foto por Fernanda Gamarano

NADA POP – Como surgiu o nome da banda? Onde o álbum foi gravado e como foi esse processo de gravação?

FELIPE – O nome já me persegue a um bom tempo, eu antes assinava meus quadros e artes como Eterno, mas já faz um tempo que passei assinar como xilip. Eterno surgiu de um época em que eu estava lendo bastante sobre o Nietzsche, e veio do Eterno Retorno. O processo de gravação foi longo porque estávamos gravando em meados de maio, mas nosso equipamento e computadores foram roubados!! Passado o trauma, o Ian (do Studio Intrínseco) nos chamou para começar outra vez e ai fluiu tudo muito rápido e numa paulada só. Depois disso nosso amigo Fumaça fez a mixagem em 2 semanas, ele é fera.

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Capa do álbum Eterno – Clique na imagem para ser direcionado para o Bandcamp da banda

NADA POP – Vocês acreditam que esse álbum poderá agradar fãs de quais bandas?

FELIPE – A ideia era soar algo bem na linha do Pixies, Teenage Fanclub, Sonic Youth, Dinosaur Jr, Mudhoney… mas em português.

NADA POP – Conte sobre as participações do álbum e além disso, como foi o processo de criação da capa?

FELIPE – O Ian e o Rafa tocam no Der Baum e foram eles que gravaram o disco. Estávamos finalizando a última música (Depressão), uma parte cheia de vozes, e chamamos eles para deixarem a coisa ainda mais louca. O Fumaça (Microndas, Bufalo, Attöm Dë), além de mixar o disco fez os solos da música “Contra“. Na verdade ele fez parte da primeira formação do Eterno, mas ele estava intenso com as outras bandas e acabamos seguindo. Todos eles arrebentaram. A capa fui eu que fiz, peguei uma foto que o Felipe Cabello tirou de uma tela minha e pronto, acho que casou com a “cor” das músicas (foi uma observação do Fumaça também hahaha).

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Todas as fotos da banda Eterno utilizadas nesta postagem são da fotógrafa Fernanda Gamarano. Conheça seu trabalho clicando AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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