quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Miscelânea: uma coluna pra sustentar nossas divagações

Escrevi um e-mail para o Nada Pop há mais de dois anos onde eu contava do meu projeto de produção de shows, da minha banda, dos meus ideais. No dia 14 de janeiro de 2014 para ser mais preciso. Eu tinha acabado de conhecer o blog que nascera havia pouco tempo, mas que já tinha madura a ideia de ser o que é até hoje. Naquele verão nós estávamos completando 1 ano de Rock Ex Machina, festival idealizado por nós que tinha (e tem) muitos pensamentos em comum com aquela galera que escrevia sobre bandas e eventos independentes com uma chama no peito. Éramos (e somos) dois coletivos com o ideal romântico de reavivar a cultura independente ao nosso entorno. Pois na época a coisa andava num marasmo que não dava pra entender. Já que bandas, artistas e interessados não faltavam. O que faltava era a gente se aproximar.

Toda essa história eu contei pra dizer que enquanto o mundo gira e vacilão roda, as coisas vão acontecendo num ritmo alucinante, de modo que quando você se dá conta, todo um castelo se ergueu e você não viu. Apesar de participar da construção. Foi assim que me senti quando o Maurício me convidou para ser colunista do Nada Pop. Depois de quase 3 anos apenas, tanta coisa aconteceu para a música independente de São Paulo e do Brasil que a gente fica até perdido na hora de tentar montar tudo na nossa cabeça. Bandas que vimos começar lançaram discos incríveis, blogs ganharam força, casas de show surgiram, selos nasceram, cenas inteiras emergiram do total desconhecimento. A gente finalmente começou a se aproximar.

Claro que não há cenário perfeito, estamos falando de sonhadores aqui. Mas sinto que algo de muito importante está acontecendo. O Nada Pop é um grande símbolo disso e me faz acreditar nessa hipótese. O antes acanhado template de blogspot, assinado por uma dupla de amigos se tornou uma revista digital, ou melhor, um zine digital. Um portal onde muita gente se encontra ao divulgar seus trabalhos, ao acompanhar as resenhas, ao ler as crônicas e colunas. Gente de diferentes lugares, de diferentes rolês. Gente que tem o que nos aproxima: amor pela criação independente, independente(mente) do formato.

É por isso que hoje estou aqui estreando a minha coluna quinzenal. Porque a ideia Nada Pop está crescendo e abraçando mais opiniões, mais pontos de vista. Um convite para participar disso não poderia ser recusado. Portanto, este espaço será tratado com muito respeito por este que vos escreve. Quero aqui abrir diálogos, pensar no nosso papel dentro da cultura independente e na sociedade como um todo – por quê não? A ideia será refletir sobre assuntos que nos façam evoluir como indivíduos, produtores de cultura, como seres sociais e criadores que somos. Somos agentes das nossas próprias vidas e do nosso próprio meio. O que nos dá a maravilhosa possibilidade de revolucioná-los.

Como uma proposta como essa só pode ser levada a cabo sem uma limitação temática, escolhi este nome emblemático para a coluna. Miscelânea é uma palavra que abre caminho para diversos temas relacionados ao universo cultural em que vivemos. Portanto, é bem possível que você encontre aqui literatura marginal, bandas independentes, estética, ética, zines, política, arte e assim infinitamente. Afinal nossa intenção é expandir, não é?

Espero que dê tudo certo e que vocês curtam esse papo de bar em formato de texto. Quero agradecer ao Maurício Martins pelo espaço cedido e dizer que estou bastante contente com a oportunidade de escrever por aqui! No mais, estou indo embora. A gente se vê daqui a duas semanas.

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Sobre o autor

Diogo Dias

Músico, agitador cultural, leitor e escriba. É guitarrista e vocalista da banda Vapor, um dos organizadores do projeto Rock Ex Machina e colaborador do selo Howlin’ Records. Por enquanto.