quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Miscelânea: Listas de fim de ano. Ame-as ou deixe-as?

Foto: reprodução

O espírito natalino começa a tomar conta dos corações e a gente se prepara para uma semana de exageros de toda espécie. Apesar de nenhum dos dois motivos de celebração dessa data me tocar (a saber: o aniversário do Jésa e a descarga terapêutica consumista), gosto dessa época do ano. É uma mistura de alívio com uma esperança idiota de que as coisas vão melhorar na próxima volta em torno do sol. As pessoas ficam meio emotivas com isso. É bonito e tal.

Esse climão traz um sentimento de que a gente tem que fechar a vida pra balanço. Dessa ideia contábil surge um tema tão polêmico quanto o próprio santa claus: as listas. Os melhores filmes do ano, os melhores discos de 2016, as decepções do terceiro trimestre, a lista definitiva de memes… Por aí vai. Eu acompanho de longe e sem me envolver muito. Listar as coisas significa selecionar segundo alguns critérios. O que nem sempre fica claro. As discordâncias estão quase todas nesse campo nebuloso do porquê o disco X está na lista e não o Y.

Fechando nosso foco na música, gostaria de fugir desse bate boca sem sentido e dizer que os rankings que vi até o momento me assustaram (de maneira positiva) não pelo seu conteúdo, mas pela quantidade de lançamentos de Álbuns e EPs que foram realizados este ano. Sem entrar no mérito da qualidade, é empolgante ver um cenário musical independente tão rico e diversificado. Arrisco dizer que foi dele que saíram as coisas mais interessantes da música nacional em 2016.

Apesar de estarmos longe de um ideal quando se fala das condições básicas para se produzir e divulgar um disco, me parece que aprendemos a criar o essencial dessa história, ou seja, registros sólidos, criativos e relevantes.

Digo isso porque sei o quanto é difícil conceber um produto musical. Desde o processo de composição, definição das músicas, escolha de formato, projeto gráfico, estratégias de divulgação, mixagem, masterização, enfim, é um trabalho árduo o de criar toda a estética em volta do que vai ser lançado. É uma responsabilidade e tanto para as bandas que se arriscam a percorrer esse caminho. Ao mesmo tempo é onde elas conseguem moldar sua identidade, seu próprio jeito de fazer, seu tempo de criação. Neste processo que pode levar anos para os artistas que não dispõe de recursos imediatos, os músicos vão se encontrando dentro do próprio projeto. Vão se familiarizando com a linguagem que mais se encaixa naquele aglomerado de subjetividades que é ser uma banda.

Por essas e outras é que quando vejo listas de fim de ano, jogo de lado qualquer tentativa de julgamento sobre merecimento, panelismo, injustiça e outros ressentimentos mais. Prefiro enxergar algo maior, prefiro ver nessas enormes coletâneas um espectro musical que se auto-alimenta, um amálgama de produções que se joga para frente, evoluindo a cada novo lançamento.

O fato de haver dezenas de listas com 30, 50, 100 lançamentos independentes somente este ano é um vitória. Significa que foi possível alguém selecionar 100 discos de destaque para esse alguém. A boa notícia é que o que ficou de fora também pode ser extremamente interessante e que o âmbito da produção musical genuína brasileira é muito maior. É curadoria, boa ou ruim, mas curadoria. Algo que eu defendo dependendo do objetivo. Mas isso é tema para outro post.

Para não dizer que também não odeio algumas listas vou deixar aqui meu repúdio total às resoluções de ano novo, tô errado?

Feliz dia 25 (seja lá por quê) e até ano que vem!

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Sobre o autor

Diogo Dias

Músico, agitador cultural, leitor e escriba. É guitarrista e vocalista da banda Vapor, um dos organizadores do projeto Rock Ex Machina e colaborador do selo Howlin’ Records. Por enquanto.