terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

Medulla e o álbum “Deus e o Átomo”

Medulla – Foto: Felipe Vieira

Poucas bandas no Brasil carregam uma sonoridade tão distinta quanto o Medulla, grupo carioca formado pelos irmãos Keops e Raony, além dos músicos Alex Vinicius (guitarra) e Tuti AC (baixo). É um som caracterizado por não ter uma fórmula semi preparada e ao mesmo tempo com o poder de reunir jazz, trip hop, rock e hardcore com letras que também carregam a mesma distinção em relação a maioria dos outros grupos no país.

Medulla é uma banda disposta a explorar sonoridades e temas, mas que não se perde no caminho e parece buscar sempre aquele passo à frente em sua carreira – que já somam um pouco mais de 10 anos de estrada. A evolução musical é perceptível, junto com a mesma catarse exposta nos trabalhos e, principalmente, nos shows que geralmente levam o público ao mesmo sentimento.

Em “Deus e o Átomo”, lançamento da gravadora Hearts Bleed Blue, as 13 faixas navegam pela reflexão a respeito dos seres humanos, relacionamentos, Deus e o universo. “É necessário correr o risco de viver”, cantam os irmãos na faixa “O Segredo”, que se destaca por ser uma “quase balada” e que , dependendo do ponto de vista, pode ter mais de uma interpretação. É uma música bonita, bem tocada e com uma letra inteligente que comprova o quanto o grupo está a frente do seu tempo.

Mas entender o grupo pouco importa, assim como dizem na faixa “Fim da Estrada”. Não entender é bom e ruim, pois “Deus e o Átomo” não é um meio para um fim, o disco é a própria forma de navegar e para cada pessoa existirá um significado. Não é importante explicar, mas refletir, sentir, tocar, sonhar e viver.

Existem muitas participações especiais neste álbum, como Marcelo D2, dos rappers Síntese e Helena D, Teco Martins (Rancore/ Sala Espacial), entre outros. O álbum foi gravado no começo de 2016 nos estúdios Gritaria Mix & Master e Family Mob Studios, ambos em São Paulo (SP).

Sem dúvida, “Deus e o Átomo” figura entre os melhores álbuns do ano e peça rara para quem tem ouvidos, mas quer algo a mais para ir além do que só ouvir um som bom.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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