sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Nada Pop

Más de un millón: A história do Attaque 77 (parte 1 de 2)

30 anos de punk e política na Argentina

O Attaque 77 é uma das maiores bandas de punk em espanhol. Suas letras “ramoneras”, de esquerda, sobre a classe operária, aliados a um punk de qualidade com pitadas de ska e hard rock, se tornaram referência nos últimos 30 anos.

Nos anos 80, graças a Guerra das Malvinas, as rádios argentinas só tocavam músicas em espanhol, devido à censura que não liberava as letras por não saber se eram de protesto desde os tempos da ditadura como em toda a América Latina. Com a derrota na guerra e o declínio da Junta Militar no país, nasce o punk argentino, que era um rebelde com causa: todos estavam exaustos da violência e repressão do Estado.

A banda surgiu em janeiro de 1987, como a maioria: um pessoal que se reunia para fazer alguns sons próprios e tocar covers de suas bandas favoritas, como Ramones (a segunda maior paixão argentina, depois do futebol, com toda certeza). Além deles, outras influências são os Sex Pistols, Clash, Damned e principalmente rock inglês 77 (daí surgiu o nome, Attaque era de um selo e 77 uma referência ao ano do boom do punk inglês).

A formação inicial contava com os irmãos Federico Pertusi (voz) e Ciro Pertusi (baixo), Mariano Martínez (guitarra), Danio Caffieri (guitarra) e Claudio Leiva (bateria). Vez ou outra gravavam os ensaios em fitas cassete e distribuíam para amigos e lojas de discos de punk e metal. Algumas dessas músicas foram usadas em discos posteriores da banda. Uma dessas fitas foi parar nas mãos dos caras da Descontrol, que precisava de uma banda de abertura para um show em Cemento. E assim, o Attaque 77 fez sua primeira apresentação diante de 2 mil pessoas mostrando seu vigor e energia ao vivo e chamando mais atenção do que a Descontrol.

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Attaque 77, em Luna Park na Argentina – Crédito: Celeste Urreaga

Durante todo o ano de 88, tocaram em pubs e bares de Buenos Aires e levantaram uma grana para gravar o primeiro disco. Na sala ao lado do estúdio, estavam os responsáveis pelo selo Radio Tripoli (que também era uma rádio que tinha programas voltados à música independente). Acabaram sendo convidados para tocar num compilado só de bandas porteñas, o Invasión 88. O Attaque 77 contribuiu com duas faixas, Brigada Anti-distúrbios e Sola en la cancha.

Essas músicas fizeram tanto sucesso que foram chamados para gravar de novo. Mas Danio e Leiva decidiram sair do grupo. Chamaram o baterista do Siete Delfines, Chito de Cecco. A ideia era fazer um lado de LP com a banda tocando ao vivo, mas o resultado acabou sendo um disco com sete canções de estúdio, o Dulce Navidad, de 1989. Após a gravação, mais uma mudança nos integrantes: saiu Federico e quem assumiu os vocais foi seu irmão, o Ciro (que cantou na faixa Sola en la cancha) e para seu lugar, Adrian Chino (que tocou em lendárias bandas como Mal Momento, Katarro Vandaliko, Comando Suicida e 2 minutos) assumiu o baixo.

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Attaque 77 no México – Crédito: Celeste Urreaga

Mas o boom do Attaque foi com o segundo trabalho, El Cielo puede esperar (1990), que Hacelo por mí se tornou tema de abertura de um programa homônimo, fazendo com que assinassem com uma grande gravadora. Apesar do grande sucesso dessa música, as melhores do disco são Más de um millón e Tiempo para estar.

Em 1991, é lançado o Rabioso! La pesadilla recién comienza, primeiro ao vivo da banda que rendeu um disco de ouro. Foi gravado em novembro, em dois shows, no Estádio de Obras. A banda fez tanto sucesso que logo após abriu em Velez para a Rata Blanca.

Enquanto a banda fazia uma turnê de quatro meses, prepararam um novo álbum, o Ángeles Caídos (1992) continha letras mais maduras e que tratavam do cotidiano operário e questões sociais e um som mais elaborado, menos adolescente. Nessa época sai Adrian Vera (baixo), indo para o seu lugar Luciano Scaglione. Realizam um show histórico em Resistência, capital de Chaco.

Em 1994, o Attaque ganha popularidade e se consolida não só na cena undergroud, com o disco Todo está al revés, com letras de amor substituindo as de contestação e o som cru do punk por uma pegada mais hard rock. Em maio desse ano a banda abriu para o Motorhead, em Velez.

Em 1995, a banda participou de um disco em homenagem à banda Sumo que foi tão influente no rock argentino quanto Soda Stereo. Não se sabe se graças a isso eles adotam para o sexto álbum, o Amén (1995) uma pegada mais ska como em Tres pajaros negros e uma versão de Redemption song, do Bob Marley, além de uma grande variedade musical, sendo um álbum divisor de águas na história da banda.

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A segunda e última parte sobre a história do Attaque 77 será publicada nesta terça-feira (10/05).

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Sobre o autor

Guadalupe Carniel

Estudante de jornalismo, quer morar no mundo todo. Apaixonada por escrita, fotografia, viagens, música, América Latina, futebol, comidas sem frescura e pessoas. Acredita que as principais lições para a vida são quem são Ramones, como pogar e que o punk ainda pode salvar o mundo.

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