quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Nada Pop

Manifestações feministas, truculência da polícia, punk em Cannes e mais!

Eis o post de estreia da seção que pretendemos manter com conteúdo sobre música, arte, feminismo, cultura urbana e qualquer outro assunto que precise ser abordado em tempos como o que vivemos. Leia sobre o que rolou durante a semana ou, simplesmente, sugestões de temas, blogs, livros, bandas, mostras, lugares, impressões e tudo o que valer o clique. Aliás, não deixe de mandar dicas pra gente!

MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS!
No dia 1º de junho rolou em todo o Brasil a marcha das minas, intitulada de #PorTodasElas. Os últimos casos de estupro que vieram à tona – entre os inúmeros que acontecem diariamente e não viram notícia, é importante lembrar! – foram o estopim dos atos que marcam um novo tempo na luta: cada vez mais mulheres se identificam com a busca pela igualdade entre os gêneros e, entre falhas e acertos, procuramos desconstruir e nos fortalecer mutuamente, combatendo a violência e o patriarcado. “Se cuida, seu machista. A América Latina vai ser toda feminista!”

Veja o vídeo da manifestação em São Paulo, feito pela Bia Alonso para o Jornalistas Livres:

TRUCULÊNCIA, NÃO!
Por outro lado, um vídeo gravado no mesmo dia do manifesto das minas escancara a postura violenta da polícia militar, que estava repreendendo manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e da Frente Povo Sem medo, na Avenida Paulista, em São Paulo, durante um protesto contra o governo Temer. A imagem que marcou é a de um policial agredindo uma garota que, inclusive, já estava no chão.

“PUNK ROCK NÃO É SÓ PRO SEU NAMORADO!”
Essa pegada Riot Grrrl é o norte do ~maravilhoso~ blog Cabeça Tédio, criado e editado pela Carla Duarte. É uma fonte foda de material contracultural produzido por mulheres. Rolam posts sobre música e bandas do mundo todo, zines, documentários, além de entrevistas, artigos e traduções de conteúdo Riot, com o intuito de empoderar as minas que não leem em inglês. Não tem como não curtir!

FALANDO NISSO…
A última ilustração publicada na página Atóxico, da Renata Nolasco, toca justamente nesse assunto.

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Recadinho, ok?

REPRESENTATIVIDADE NA MÍDIA IMPORTA
“Ovelha” é uma revista digital que eu não poderia deixar de citar. As matérias leves sobre música, cotidiano, cultura, estilo, entre outros temas, têm como objetivo principal ser uma fonte para “mulheres que não se sentem representadas pelas revistas de bancas de jornais”. Gostei muito, por exemplo, de um artigo que a Bárbara Gondar escreveu sobre o livro “Girl in a band”, da icônica Kim Gordon. Clique aqui pra ler!

QUANDO O HEAVY METAL ESBARRA NO DISCURSO DE ÓDIO
O Nexo Jornal levantou essa questão em uma matéria assinada pela Ana Freitas, com base no episódio envolvendo Phil Anselmo, ex-vocalista do Pantera, que fez uma saudação nazista e gritou “White power!” durante um show, no início do ano. A discussão é antiga e rolam reações diversas de músicos e fãs. Se, por um lado, muitas bandas insistem em letras machistas, racistas e violentas, outras vertentes contestam essa linha ideológica extremista. Vale a leitura e a reflexão!

BERLIN IST HIER
A Fernanda Gamarano sempre colabora para a cena underground com seus cliques incríveis sobre bandas e picos. Mas, dessa vez, o tema da exposição sediada pela Associação Cultural Cecília foi seu olhar sobre a capital alemã, que as meninas do Valkirias souberam abordar em uma entrevista ótima com a Fê.

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Kinderkrankenhaus, hospital de crianças abandonado em Berlin, pelas lentes de Fernanda Gamarano.

THE ORANGE MONKEY
O título acima é uma das faixas do álbum “The Hope Six Demolition Project”, da PJ Harvey, que ganhou um clipe lindo. As imagens foram feitas no Afeganistão e traduzem bem a reflexão sobre causas sociais, zonas de conflito, imigração, entre outros temas que a cantora quis transmitir com o novo disco. Segundo entrevista do diretor Seamus Murphy para o The Guardian, o vídeo mostra que “existe tragédia, mas o que vemos é a resiliência do povo afegão”.

PUNK EM CANNES
A 69ª edição do maior festival de cinema do mundo acabou há mais de uma semana, mas acho que a presença da aura punk no evento vale uma nota. Entre vaias para o diretor considerado como o “Sex Pistols do cinema”, e a grande procura por “London Town” – longa sobre um garoto que fica obcecado por uma fita cassete do The Clash (leia aqui) –, se destaca “Gimme Danger”, documentário que está mais para uma homenagem do diretor Jim Jarmusch para sua banda favorita, The Stooges. Rolou até Iggy Pop desfilando ao som de “Search and Destroy” no tapete vermelho.

Director Jim Jarmusch and singer Iggy Pop pose on the red carpet as they arrive for the screening of the film "Gimme Danger" out of competition at the 69th Cannes Film Festival in Cannes, France, May 20, 2016. REUTERS/Regis Duvignau - RTSF2QL

Diretor Jim Jarmusch e Iggy Pop posam durante a passagem pelo tapete vermelho. França, Maio de 2016. REUTERS/Regis Duvignau

MUHAMMAD ALI
Lenda do boxe, ícone do século XX, insubmisso, herói contracultural, rei do mundo, fanático, gênio, the greatest, campeão, polêmico, mito, ativista, homem livre. Li vários adjetivos e matérias a respeito dessa figura e decidi compartilhar o artigo mais diferente até agora, publicado pelo El País. O texto apresenta Ali como referência cultural e o relaciona com personalidades e fases da história da música. #RIPAli

Ali_Beatles

Beatles e o grande Muhammad Ali

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Sobre o autor

Bruna Neto

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, feminista, orgulhosa por residir na cidade de Santo André e admiradora de toda a cena independente do ABC.

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