terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

Livro sobre a história do rockabilly no Brasil será lançado no dia 8 de março

No dia 8 de março, no Zeppelin Bar, na cidade de Santa Maria lá no Rio Grande do Sul, acontecerá o lançamento do livro “Rockabilly Brasil”, do jornalista Eduardo Molinar. O livro conta a história do estilo no Brasil, originalmente marcado pela mistura do rock com o country de raiz. Cada capítulo terá histórias de bandas, gangues, festas e até mesmo brigas com outros grupos e com a polícia.

Entre os personagens principais teremos Eddy Teddy e a Coke Luxe, sua banda, que foi o primeiro grupo do gênero no Brasil, bem como as gangues Ratz, Rebels 50’s, Ases do Rock’n’Roll, General Boys e The Dogs 1954. Além disso, o livro também trará histórias sobre as Betty Boops e as Simple Dolls, ambas gangues apenas de mulheres e que tem muita história de rivalidade.

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Eddy Teddy, o pioneiro do rockabilly no Brasil. (Foto: Arquivo Pessoal – Luiz Moreira)

Segundo Molinar, o livro terá capítulos sobre a origem do estilo em diferentes regiões do país, como Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Haverá ainda uma passagem especial no livro sobre a vinda dos Stray Cats ao Brasil, em 1990, com fotos exclusivas.

Para situar o leitor não muito próximo do estilo, o jornalista fez questão de incluir na introdução do livro a história internacional do rockabilly, desde o início dos anos 50 nos Estados Unidos. Molinar ainda conseguiu coletar depoimentos de grandes nomes do gênero de forma exclusiva para este trabalho, como Levi Dexter (Levi and the Rockats), Tim Worman (Polecats) e Ronnie Weiser, o homem que popularizou a expressão “rockabilly”.

Para saber um pouco mais sobre o livro e sobre o lançamento que percorrerá algumas cidades do país, conversamos com o próprio Eduardo Molinar. Confira abaixo a conversa.

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Capa do livro Rockabilly Brasil

NADA POP – Como é possível explicar o que seria o estilo rockabilly para alguém leigo no assunto? Quais as principais bandas nacionais e internacionais no gênero?

EDUARDO – A expressão “rockabilly” é algo relativamente novo. Tem sido usada dos anos 80 para cá. Rockabilly seria o rock and roll dos negros tocado por caipiras como Elvis Presley, Gene Vincent e Eddie Cochran… É rock com hillbilly, música country de raiz. No entanto, os artistas que gravavam rockabilly também gravavam rock and roll. A principal diferença está no som, que o rockabilly se assemelha mais ao country e o rock and roll pode se assemelhar, em alguns casos, mais ao punk rock.

As principais bandas (e cantores) internacionais, dos anos 50, seriam Elvis Presley, gene Vincent, Eddie Cochran e Johnny Cash. Dos anos 80, já do neo rockabilly, Stray Cats, Levi and the Rockats, Robert Gordon and Link Wray e Polecats. Mas claro que, se eu fosse citar todos, ficaria mais de um dia falando… Há muito artista e música boa.

NADA POP – Quais as principais diferenças do estilo para o rock, por exemplo?

EDUARDO – O rock and roll (e o rockabilly) se tornaram “rock” com bandas como Led Zeppelin, The Doors e até mesmo Rolling Stones, quando a parte “Billy” e “roll” saíram de sua sonoridade principal. É claro que essas bandas citadas e as futuras tinham influências diretas ou indiretas do som dos anos 50, mas o rock and roll (no mainstream) deixou de ser tão dançante e se tornou “rock”.

NADA POP – O que mais te atraí no estilo rockabilly e por que você acredita que o estilo ainda faz sucesso nos dias de hoje? Há alguma saudade envolvendo os tempos da brilhantina?

EDUARDO – Eis uma pergunta que não quer calar… Muitos me dizem “ah, mas Elvis já morreu” ou “isso não é da sua idade”. Só que não é uma coisa que escolhi, pois senti atração pelo rockabilly desde o primeiro momento. E não foi apenas musical a atração, mas a identificação com os greasers dos anos 50, a rebeldia (que não tinha nada de inocente), e os filmes como Juventude Transviada, The Wild One e Blackboard Jungle. São músicas e filmes que eu me identifiquei e adotei o estilo de James Dean e Marlon Brando, pois o que eles fizeram não ficou no passado. Ainda são vozes de milhares de jovens.

Saudade até há, mas estamos em 2016. Certas coisas mudam e o rockabilly se adaptou aos novos tempos, assim como os seus adeptos. Ninguém no movimento “vive” nos anos 50, embora seja uma época de referência a todos nós. Importante dizer que o rockabilly não parou no tempo. O som ganhou mais qualidade, as bandas passaram a usar novos métodos de gravação e incorporar novos sons, e o rockabilly sofreu influências de outros movimentos como o punk rock e a new wave. Há garotos mais novos que eu usando topete e brilhantina, mas principalmente conhecendo as origens do movimento, e isso é o mais importante!

Revista Manchete (1991) - Crédito: Ruy Campos

Revista Manchete (1991) – Crédito: Ruy Campos

NADA POP – Aproveitando, diga quando e como surgiu a ideia do livro e como foi feito o planejamento? É um livro totalmente independente ou teve apoio de alguma editora?

EDUARDO – Eu nunca fui muito de sentar e ficar lendo teorias, nem na escola nem na faculdade de jornalismo, mas tinha que achar um tema para o TCC. Então me informei e vi que não precisava fazer uma monografia, mas poderia fazer um projeto experimental… Um livro reportagem. No mesmo instante a ideia de rockabilly no Brasil grudou na minha cabeça e comecei do zero uma pesquisa que teve seu início em 2014.

Estive por duas vezes em São Paulo fazendo uma pesquisa minuciosa sobre a história, conheci pessoas que são da época em que o rockabilly engatinhava no país e tentei colocar isso da melhor forma possível em minha obra.

O livro é totalmente independente, é bem “faça-você-mesmo”. Não tive apoio de nenhuma editora, mas tive apoio dos meus pais e de todos que me receberam em suas casas para dar depoimentos, que me deram dicas e tiveram a paciência para me ouvir e ajudar. A cena independente já é grande no Brasil e no mundo e acredito que vai crescer cada vez mais.

NADA POP – O livro retrata as bandas pioneiras do rockabilly no Brasil, existe alguma história que você poderia adiantar que você retrata no livro que seja interessante mostrar como foi esse início?

EDUARDO – Uma das melhores foi quando a primeira banda de rockabilly brasileira, a Coke Luxe, liderada por Eddy Teddy aparecia na frente dos Paralamas do Sucesso em uma parada musical feita pela Playboy, em 1983. Eddy Teddy fez muito pelo movimento no país, começou em uma época que existiam pouquíssimas referências (tanto em LP’s quanto em informações) sobre o que acontecia no exterior. A Coke Luxe não foi apenas uma banda de rockabilly, mas marcou a história do rock nacional e deve ser reconhecida por todos os fãs de rock. Tenho certeza que se escutarem as canções do grupo não irão se arrepender!

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Revista Flash Rock com Brian Setzer e Eddy Teddy

NADA POP – Qual foi a evolução do rockabilly no país e se você percebe um crescimento em relação ao estilo, com pessoas consumindo produtos relacionados e até com mais bandas atuantes no cenário?

EDUARDO – A evolução foi muito grande. Há rockers espalhados por todo o país. Por exemplo: Em Sapucaia do Sul (RS) há a banda Old Stuff Trio, do Billy Joe Rocker. Em Manaus, no Amazonas, também há uma cena rockabilly, de onde vem a minha amiga Laila Zuko, que era vocalista de uma banda de lá e que movimentavam muita gente. Há em Poços de Caldas (MG) a banda The Hicks, que além de rockabilly resgata o som sulista americano, bem de origem. E não estou falando de simples bandas, mas de integrantes que fazem parte do movimento, conhecem a história e tem ele como estilo de vida! Há muitas outras bandas espalhadas pelo Brasil. Perderíamos a conta de quantas.

NADA POP – Quais as principais diferenças do cenário rockabilly dos anos 80 para a cena atual?

EDUARDO – No início dos anos 80 as coisas eram quase iguais às ruas do Brooklyn, em Nova York. Poucas bandas, poucos lugares para frequentar que tocassem esse som e muitas gangues de rua. Algumas gangues continuam juntas até hoje (e continuarão para sempre), mas naquela época, segundo relatos de muitos rockers da antiga, era perigoso você sair por São Paulo no visual rocker. Brigas com punks, carecas e até com a polícia eram frequentes. No entanto, só estava no movimento quem gostava mesmo e (literalmente) dava o sangue para manter o rockabilly respeitado! Hoje as coisas estão bem mais tranquilas e o mainstream voltou a explorar a cultura dos anos 50, o que atraiu muita gente. Há muito mais acesso a informações do mundo todo, mais locais para se frequentar e dançar ao som original de rockabilly, menos brigas… É um cenário bem diferente aqui no Brasil. Mas é importante ressaltar que as pessoas se interessem em conhecer de onde tudo que forma o movimento vem e valorizar o que já foi feito!

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O jornalista Eduardo Molinar traz a história da origem do rockabilly no Brasil – Crédito: arquivo pessoal

NADA POP – Quais lugares e sites que você indica para quem quiser conhecer, visitar ou ler sobre rockabilly? Aproveita para chamar o pessoal para o lançamento do livro.

EDUARDO – Há muitos lugares para se frequentar. Quem quiser pode acessar o site Universo Retrô, que é excelente na produção desse conteúdo e de indicações de festas e estabelecimentos dessa cultura. Quanto a livros há o “Criaturas Flamejantes”, de Nick Tosches, que é quase um “Mate-me por favor” dos primórdios do rockabilly e do rock and roll.

Gostaria de chamar a todos para os lançamentos já marcados em Santa Maria e São Paulo. Quem for do movimento e quem não for será muito bem recebido por todos, pois o objetivo é mostrar nosso movimento a quem estiver interessado, unir o rockabilly nacional e mostrar ao público em geral que não morremos nos anos 50, mas que estamos vivos e atualizados à nossa realidade.

Lançamento do livro “Rockabilly Brasil”, de Eduardo Molinar

08/03: Zeppelin Bar (Santa Maria/ RS)
12/03: Rick N Roll Discos (São Caetano do Sul/ SP)
17/03: Praça da Paineira (Mauá/ SP)
19/03: Rockerama Club (São Paulo/ Centro da capital)

Para mais informações acesse: fb.com/livrorockabillybrasil

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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