segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Nada Pop

Krias de Kafka e o álbum Deserto Sem Extraterrestres

Quinta-feira (07), mês de dezembro e uma chuva pesada em Santo André. Parece até que o céu está batizando o nascimento do novo álbum do Krias de Kafka, intitulado com o estranho e ao mesmo tempo belo nome de “Deserto Sem Extraterrestres” e com nada menos do que 12 faixas de êxtase, estresse, tédio, amor, tesão, raiva… ou seja, VIDA. Um álbum que se encaixa perfeitamente em uma viagem de uma hora e meia de transporte na CPTM, ônibus ou metrô, trilha sonora do caos de nossas vidas e que guarda certa dose de inquietude.

Conheci a banda há pouco mais de dois anos, mais ou menos isso. O Mundo Não Acaba Nunca, lançado em 2012, está entre os melhores discos que já ouvi na vida. É um daqueles discos que não se pula uma faixa e que exorciza todo o sentimento que faz a gente achar que viver é foda. Faz o peso de nossa existência ficar mais leve. Faixas recomendadas desse disco: Leila, Cocacola e Diazepan, Tirinha e Neu. Ouça AQUI.

Com “Deserto…” percebe-se que a banda não quis fazer algo fácil, nem um volume dois do álbum lançado em 2012. Tudo é uma sequência natural da própria existência do grupo. As letras continuam navegando entre a poesia e o concreto. Diria que é a solidão de uma multidão transformada em música, sendo o tempo e as desilusões acordes para uma desarmonia emocional. Tudo parece frágil ao mesmo tempo intenso. Só ouvindo mesmo para entender todo o significado. Não estranhe se algo lhe trouxer desconforto, é aquele doce amargo que nos vicia. A banda é simplesmente genial e tudo aquilo que não não diz e deixa em aberto nas entrelinhas pode ter diferentes significados.

O álbum foi gravado, mixado e masterizado por Helena Duarte e Danilo Sevali no outono/primavera deste ano, lá no estúdio Mestre Felino, em Mogi das Cruzes (SP). A produção do disco é assinada pela própria banda e Danilo Sevali. A arte de capa é assinada também pela banda junto com Daniel Camatta. Difícil destacar alguma música, mais uma vez não pulo nenhuma faixa, mas entre as minhas preferidas estão Falar (baita música para se iniciar um disco), Rock Inglês (essa me lembrou Joy Division demais com um toque punk), Araldilte (ouvi essa um milhão de vezes em um único dia), Emputecendo (música para entrar em transe e se deixar guiar até o momento que ela explode em distorção e faz sua cabela explodir junto), Se Não Há Céu (eu também não falo com os anjos) e Susto (se eu pudesse eu faria amor com essa música).

Curta a página da banda clicando AQUI. Vá aos shows da Krias de Kafka e aproveite para tomar uma cerveja com os caras. Que se foda essa história de um dos melhores álbuns do ano. Um dos melhores álbuns da vida. 

A vida sempre foi, 
no mínimo, 
a 100km da praia 
Sendo assim, 
desobriguei meus pensamentos de sol 
Tudo quarto escuro 
Rodeado de pôsteres em língua estrangeira, 
Inalando poeira e supondo alegrias 
depois da parede 
A cada nó desatado 
uma cãibra inventada 
distanciando outros 
e lugares 

Deserto 
sem extraterrestres

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.