quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Nada Pop

Indonésios do Boldness e os brasileiros da Última Classe lançam split

Lançado em parceria pelo selos franceses Rusty Knife e Clockwork Records, esse split reúne os indonésios do The Boldness e os brasileiros da Última Classe. São ao todo 17 canções, 9 delas pela rapaziada da Indonésia, que abrem o disco, e 8 pelos brasileiros. O bonito digipack enche os olhos e dá aquele gás na vontade de colocar a bolachinha pra girar.

O Boldness é uma banda praticante do Street punk/Oi clássico, de grupos como Cockney Rejects e Sham 69, e aborda em suas letras a temática habitual do estilo. Torcedores confessos do West Ham United (um dos mais tradicionais times ingleses e sediado na região leste de Londres), falam sobre futebol, o estilo de vida hooligan, união skinhead e deixam evidente sua postura anti-fascista. A gravação é impecável, mas deixa uma impressão de certo cuidado excessivo na mixagem, que deixou as frequências bastantes distantes, resultando num som às vezes limpo demais para o estilo, mas que não compromete em nada o resultado do trabalho.

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Split do The Boldness com a Última Classe – Foto: divulgação

À partir da faixa 10, chamada “É melhor se calar”, a Última Classe assume a frente da sala e dá início à aula. A banda da baixada santista, formada em 2008 e que se firma agora numa nova formação em trio com Alcides (guitarra e voz), Angelo (baixo e voz) e Bruno (bateria e voz), tem uma proposta muito clara e não abre mão de seu discurso em momento algum.

A batalha é contra a ignorância, contra a falta de cultura, contra a exploração, contra o capitalismo estúpido, contra a farsa religiosa e toda e qualquer forma de preconceito e fascismo.

“Pensamentos conservadores em letras de músicas de contestação
Até parece o que se lê na Veja, na Folha, no Globo ou no Estadão
Frases de efeito, palavrões, gritos fortes no ouvido
Defendendo o opressor, criticando o oprimido
Sua verdade é absoluta e é imposta pela violência
Sua noção de hardcore é carregada de incoerência

Não precisamos de ‘hardcores’ pra defender a reação
Truculência, ignorância, violência, ostentação
Não precisamos de hemogenin pra assumir uma postura
Hardcore sem Punk deturpando nossa cultura

Metralhadora giratória, todo mundo é bicha e vacilão
Expõe suas “ideias fortes” formadas em frente à televisão
Chama todos de ignorantes, mas não se olha no espelho
Não percebe que personifica o ignorante verdadeiro
Seu achismo burro é somado à sua prepotência
Sua noção de hardcore é carregada de incoerência”

*Letra de ‘Hardcore sem punk’, décima sexta faixa do álbum

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Os indonésios do The Boldness – Foto: divulgação

Além das letras, claro, outro grande destaque são as guitarras, que trazem um frescor ao estilo, com um timbre mais pesado que o habitual, praticamente flertando com o thrash metal em alguns momentos.

Ótimas canções, cheias de refrões pra cantar junto, backing vocals irresistíveis, ideia forte, discurso afiado e posicionamento declarado, da primeira à última faixa. Some a todas essas qualidades uma ótima gravação e está garantido um trabalho indispensável.

Coturnos, suspensórios, costeletas, moicanos, rebites e jaquetas, sejam todos bem vindos. A aula da última classe já vai começar.

Para ouvir: http://migre.me/uATcz

Confira as páginas das bandas: The Boldness e Última Classe.

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Sobre o autor

Wagner Cyco

Wagner Cyco é guitarrista das bandas Mollotov Attack e Irmã Talitha, além de exímio guitarrista reconhecido pelo seu trabalho.

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