quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Halloween Punk entra para a história e reúne punks do passado, presente e futuro

Sábado, 22 de outubro de 2016, definitivamente uma data para não ser esquecida na história do Punk Paulista, e por que não nacional? Afinal, lá encontrei pessoas de Minas Gerais e de Mato Grosso (Cuiabá) que vieram prestigiar o “fest”, sem contar nas caravanas vindas do interior de São Paulo.

Várias gerações de punks reunidas, sem nenhum ponto negativo, nenhuma confusão e para os mais nostálgicos, como não lembrar das edições do SP Punk e também dos grandes festivais no Tendal da Lapa, como “A Um Passo do Fim do Mundo” e “O Fim do Mundo”. O sentimento de nostalgia misturada com a esperança de dias melhores não estavam só rondando meus pensamentos, mas de muita gente que esteve no Halloween Punk. A casa Morfeus Club ficou abarrotada, mais de 500 pessoas deixaram o oxigênio escasso, o que é muito gratificante mediante a situação recorrente de escassez de público que vem crescendo ano a ano.

Começando com a banda, ou melhor, a dupla de Porto Ferreira (SP), Projeto Mudo. A invasão interiorana deu sequência com o trio de Rio Claro (SP), Garrafa Vazia, que já conta com alguns sons que estão na ponta da língua de muitas pessoas, inclusive a minha. Na sequência mais um trio, Mollotov Attack, de São Bernado do Campo (SP), “pauladaça na oreia”.

O evento seguiu com os paulistanos Os Mandriões e o Amnésia Coletiva, de Jacareí (SP), que tocam direto aqui na capital e fizeram uma das apresentações mais alucinantes. A paulistana Geração Ofensiva foi uma das bandas que mais receberam elogios neste fest. Hardcore Por Ódio foi brutal e rolou a estreia do novo baixista da banda, o Douglas, figura carimbada do punk rock, meu amigo desde os tempos de Tico´s Bar (Taboão da Serra). Em breve a banda lançará seu CD que escutei e digo que ta foda o som.

Filhos de Inácio que vem crescendo muito a cada ano, também estrearam novo integrante, e tem como integrante o Lucas, conhecido como Barnabé, o principal organizador do Halloween Punk, muito obrigado por estes e outros corres que faz com tanta dedicação.

Dependentes Químicos, uma de minhas bandas prediletas que neste ano comemora 20 anos de um som inigualável. A partir daí a “classiqueira” total tomou conta do fest com as bandas oitentistas Lixo Suburbano, Kaos 64 que estreou baterista e guitarrista, Invasores de Cérebros e pra fechar Excomungados. O que falar destas bandas? Quem conhece sabe que é pogo total garantido. Três Djs que botaram todo mundo pra cantar e dançar nos intervalos das bandas.

Valeu demais Barnabé, valeu a todos que colaram, que ajudaram na divulgação, e uma cena só se constrói e se mantém assim, todo mundo junto. Ótimas bandas, num local central de SP, com boa aparelhagem, boa divulgação e ótima organização. União faz o Punk Rock resistir, estamos vivos e ativos, que venham mais festivais como este, ÊRA PUNK.

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Cartaz do Halloween Punk que rolou no dia 22 de outubro no Morfeus Club.

Ariel (Invasores de Cérebros) – “Eu acho muito importante as casas abrirem espaço pro punk, e estão abrindo, e estão vendo que o pessoal vem mesmo curtir, porque esta tão difícil hoje em dia a gente tocar em algum lugar, e quando tem um pico assim, uma parada legal com preço barato o pessoal fica no pico, isso é importante, o pessoal comparecer, porque uma cena se faz de bandas e público, as bandas estão ai, tem banda pra caralho e o público tem que comparecer mais, porque a banda gasta muito mais do que R$ 10 ou R$ 15 pra vir tocar, e este preço que o pessoal colabora pra vir prestigiar é o mínimo, a cena só se fortalece com todo mundo participando não é? Público e bandas.”

Xines (Excomungados) – “Primeiro Halloween Punk na cidade, bem louco mesmo, Filhos de Inácio representaram, unindo várias gerações, estava mais do que na hora de um evento assim, na boa, tranquilo, com os punks curtindo, se divertindo e divulgando nossa cultura, é assim que tem que ser.”

Barata (DZK) – “Halloween Punk em São Paulo, algo muito importante porque este festival conseguiu reunir várias bandas da velha guarda e da gurizada nova, ainda estamos meio divididos na cena, essa é a verdade, cada um procurando fazer o seu, mas hoje a gente conseguiu superar, juntar um monte de gente, público ideal, um grande acontecimento em São Paulo, e o resultado esta aí, parabéns aos Filhos de Inácio por terem feito isto aqui e a todas as bandas participantes, e eu tenho o grande privilégio de estar aqui.”

Renato 77 (Hardcore Por Ódio e Invasores de Cérebros) – “Este festival que esta rolando, reuniu uma galera do “Começo do Fim do Mundo”, uma galera importante da década de 90 como você Fabião, e fazia tempo que não acontecia alguma coisa desta aqui em São Paulo, me lembrou os festivais SP Punk ta ligado? Essa iniciativa dos malucos do Filhos de Inácio que juntaram uma porrada de bandas, acho que deveria ser feito uma coletânea, já vai rolar um DVD pra documentar né? Muita gente chateada com o Hangar 110, que teve uma fase legal pra caralho, e foi mesmo, mas a gente tem o Morfeus aqui, 220 volts agora o bagulho mano, e podemos ter outros lugares tá ligado? Olha o que esta acontecendo, várias bandas fudidas, Kaos 64, Excomungados, Invasores de Cérebros, Filhos de Inácio, Hardcore Por Ódio, mano, isso é o movimento Punk andando pra frente como tem que ser.”

Mário (Garrafa Vazia) – Porra, foi foda pra caralho, saímos de uma caravana da roça, Rio Claro, Porto Ferreiro, Araras, chegamos aqui meu, uma puta irmandade, um clima que a gente pirou, a aparelhagem estava filé, muito bem regulada, gostamos de tocar, mas isso aqui superou em tudo, quando vimos estávamos todo mundo doido já, as bandas todas conhecidas e rever estas pessoas como você Fabião, que compartilha dos mesmo objetivos, é muito bom, é isso ai que faz a gente viver, é isso que faz com que a vida tenha sentido tá ligado? E ter um sábado deste cara, eu tô cinco anos mais novo, só vi banda foda, e todo mundo que veio comigo esta dizendo a mesma coisa, caralho, este Halloween Punk entrou pra história, pra gente uma honra, a humildade e a receptividade de todos vocês, quando quiserem ir pra roça, vamos fazer de coração aberto, vamos arregaçar como esta sendo aqui.”

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Sobre o autor

Fábio Rodarte

Fábio Rodarte é colaborador do Nada Pop e integrante da banda Kaos 64.