terça-feira, 16 de outubro de 2018
Nada Pop

Faixa a faixa com a Sammliz: “Eu danço para não morrer”

Ela mudou, parece estar onde realmente quer e sua beleza continua ainda mais forte, a poesia se mantém viva e agora está mais calma, mas nem por isso menos atraente. Está apenas sutil, leve e envolvente, lapidada como um diamante, sensual aos ouvidos e feito exatamente para despertar e estimular outros prazeres.

Sammliz, que por um longo período esteve à frente do Madame Saatan, faz seu primeiro voo solo com “Mamba”, produzido pela própria Sammliz junto com Leo Chermont e João Lemos, além de Carlos Eduardo Miranda assinando a direção artística.

Produzido e gravado em três cidades diferentes – Salinas (PA), Belém (PA) e São Paulo (SP) –, entre 2015 e 2016, “Mamba” é um disco que flerta com a psicodelia, é rock e pós punk, tem algo de industrial ali e referências tecnobregas e até batidas tribais. Mas nada soa forçado ou superficial, é como um filme de David Lynch: algo surreal e ao mesmo tempo perturbador (no bom sentido).

Em alguns momentos, Sammliz parece declamar seus versos com se estivesse se esgueirando pelos músculos do nosso pescoço, revelando aos poucos o perigo e sensualidade de sua voz. Ela é o próprio trovão que canta em “Magnólia”, é a aurora dos bons tempos da música e a faca que corta a mesmice e revigora. Sammliz se reinventou em “Mamba” e conseguiu a melhor proeza para um disco: se manter autêntico, bonito e inesquecível.

Nos dias 7 e 8 de outubro a Sammliz realiza o show de lançamento do álbum em Belo Horizonte e São Paulo (todas as informações abaixo). É uma ótima oportunidade para conferir o voo solo e a beleza ao vivo de “Mamba” na voz e presença de uma das cantoras mais relevantes da atualidade. Aliás, ouça o disco abaixo e faça o download no site oficial – AQUI. A frase “Eu danço para não morrer” foi retirada da faixa que dá nome ao álbum.

Show da Sammliz em BH e SP lançando “Mamba”

Em Belo Horizonte

Quando: 7 de outubro
Onde: A Autêntica – Rua Alagoas, 1172
Horário: a partir das 20h | show às 22h
Entrada: R$ 15 (antecipado) | R$ 20 na porta
Mais informações: http://migre.me/v9enX
Compre seu ingresso antecipado online. Clique AQUI.

Em São Paulo

Quando: 8 de outubro
Onde: Associação Cultural Cecília – Rua Vitorino Carmilo, 449 – Próximo a Estação Santa Cecília (SP)
Horário: a partir das 20h | show às 22h
Entrada: R$ 10
Mais informações: http://migre.me/v92EZ

FAIXA A FAIXA COM SAMMLIZ – ÁLBUM MAMBA (2016)

Mamba – Veio de um poema que havia escrito há um tempo atrás, em uma referência ao eterno recomeçar, renascimento e auto-fecundação. Ouroboros. A desilusão feroz consigo, com o outro, o tudo ao redor, e a consequente e inevitável “mudança de pele” diante desse novo reencontro. Feita à partir do violão, com batida criada no fruity loops, recurso que usei bastante para fazer a pré desse trabalho.Na música a vem bateria reta, zero viradas, e baixo dobrado com dirty bass, elementos presentes no disco todo.

Oya – Orixá das águas, rainha dos ventos que precedem as tempestades, guia dos mortos. É um pedido de agradecimento e de perdão. Já tinha o refrão e melodia das estrofes quase fechada, até a entrada do riff robótico que passeia pela música toda.

Fucking Lovers – Amantes erráticos, vorazes em busca de si mesmos em outros, e condenados a achar somente enquanto juntos. Música que quis os teclados mais aparentes, para contrastar com a retidão da música, que traz as guitarras um pouco mais ardentes.

Lupita – Uma conversa descrente, impossível, passional, ora com Deus(a), ora com um(a) amante. Música feita em cima do groove do baixo e bateria, onde as guitarras estão ali pra crescer em cima de riffs matadores no refrão.

Magnólia – O poder feminino em tudo que há de mais importante. A divindade feminina nas mulheres, mulheres trans, deusas da vida e da morte, da mudança. De tudo. Quase nada de dobras e sobreposições de instrumentos. Acho que é a que tem os arranjos mais minimalistas do disco.

Quando chegar o amanhã – Clássico brega dos anos 80. Sempre escutei bregas antigos em casa, sempre havia alguém escutando no rádio em algum ponto da casa, e portanto tenho forte afetividade com muitas dessas músicas românticas, desde criança. Sempre quis gravar essa música. O baixo e bateria inspirados na levada no lundu marajoara e enveredamos em um clima meio “tomwatiano”.

Aurora – A constatação que os bons e novos tempos, os chegados e os que ainda virão, só podem ser sentidos dentro da gente. Onde ninguém vê e realmente importa. Música que dividi com João Lemos, que começou de uma forma bem diferente do resultado final. A bateria era bem quebrada e dançante, ficou reta e usamos guitarras com timbres mais graves.

Meu Bem – Amo ritmos latinos, cumbia, tecnobrega e afins. Adoro mesmo a simplicidade e o poder dançante deles, e andei fazendo alguns experimentos sonoros com Leo, dentro de um projeto nosso de eletrorockumbia que mais na frente talvez a gente volte à trabalhar. Sampleamos algumas viradas do Waldo Squash, umas congas e outras percussões, e fizemos a base em um micro korg. Escrevemos a letra, curtinha, dentro do tema recorrente do brega marcante, que são as paixões avassaladoras, inconfessáveis, impossíveis e complicadas.

Ano Novo – É um adeus para alguém ruim que se recusa a ir. Virada de chave. Essa é a canção do disco, criada no violão, bem chapadeira, com muitos overdubs de guitarras, teclados, vozes, efeitos. Muitas gravações feitas durante a pré produção foram mantidas.

Faca – Guitarras mais pesadas sabathianas e um toque de pós punk são os elementos condutores dela, que teve a bateria pensada para soar tribal. Usamos tambores maranhenses para gravar. Fala sobre despedidas, de uma vida, que já não é mais a mesma, com o amor que ainda é o mesmo, em um último encontro.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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