segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Nada Pop

Faixa a faixa com a banda Doze

Em quase uma hora de show, em um espaço com capacidade para um pouco mais de 100 pessoas, pude conferir um dos melhores momentos da música independente neste ano. O show de lançamento do álbum homônimo da banda Doze, o primeiro da carreira do grupo, não poderia ter sido mais intenso, divertido e contagiante. O dia 3 de outubro, lá no Espaço Som localizado na Rua Teodoro Sampaio, marcou definitivamente o início de uma banda, e foi marcado com o pé direito, força e garra.

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Banda Doze – Foto por Clown

Foram três anos produzindo o disco e a sensação de conquista e a emoção pelo final desta etapa ficaram estampadas no rosto de cada integrante durante toda a apresentação. Também não foram poucas as pessoas que compareceram e prestigiaram o grupo, conferindo antes o show da banda EDC que contribuiu para tornar o clima de festa ainda mais forte. O público fez coro em diversas músicas demonstrando que conhecia bem de perto a história da banda, nascida em Santo André – o berço de principais bandas da atualidade, como Sky Down, Der Baum, Color for Shane, Versus Mare, Brutamonte, AxCxBx, Alto Nível de Insanidade e Mollotov Attack (e várias outras).

E a Doze mostrou ao vivo toda a qualidade técnica e belas composições do seu primeiro álbum, com muito peso nas guitarras do Bruno e do Eduardo, a mão pesada do batera Elvis, a ótima base no baixo de Breno, além do vocal de Tiago, que conseguiu navegar por todos os diferentes climas que as canções da banda apresentam, fossem elas “mais calmas” ou pesadas. Vale um destaque para ambos os guitarristas, que não ficam naquele esquema “guitarra base e guitarra solo”. Tanto a guitarra do Bruno quanto a guitarra do Eduardo sabem muito bem o que estão fazendo e conversam numa mistura de efeitos, entre eles delays e distorções, típicos de um metal alternativo e com influências de bandas como Deftones e P.O.D., no entanto, uma outra banda surgiu automaticamente ouvindo Doze: Incubus.

Eles não são uma cópia, longe disso.

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Banda Doze – Foto por Clown

Mas com grande autenticidade nas canções, músicas que mesmo distintas fazem um círculo que se fecha nesse álbum, como se o mesmo estivesse contando uma história, aliado ao peso das guitarras e refrãos grudentos, a Doze se assemelha bastante ao grupo da Califórnia liderada por Brandon Boyd. E pra mim isso é um feito, pois mostra que mesmo sendo o “país do samba e do futebol”, os músicos daqui não estão a anos luz distantes dos músicos de lá, que praticamente nascem com uma guitarra nas mãos enquanto nos dão uma bola e ensinam para qual time torcer…

Deixando de lado minhas divagações, o primeiro disco da banda, que foi gravado no Family Mob e produzido pelo Jean Dollabela, tem todo o potencial para estourar centenas de ouvidos pelo país sendo um dos melhores lançamentos neste ano. O álbum pode ser ouvido aqui: http://www.dozeoficial.com/ – Abaixo trazemos uma definição simples de cada música escrita pela própria banda. Recomendamos que ouça o disco e depois curtam a página da banda no Facebook.

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Banda Doze – Foto por Clown

Faixa a faixa com a banda Doze

Infinito Outrora: fala sobre inveja, sobre olhar a vitória dos outros e invejar em vez de lutar para conquistar

Retroceder: em um futuro, a humanidade foi domada e houve um grupo de rebeldes vivendo em situação de perseguição;

Tempo: Sobre Humilhação e volta por cima de ver a diferença depois de um tempo

Declínio: Algo sobre uma doença terminal, aonde encerra-se o egoísmo, passando um resumo sobre tudo o que aconteceu até então

Contra Mim: fala sobre o amor entre pessoas com deficiência visual;

Amém: Fala sobre cair, levantar e ter fé… em não desistir

Nation: a valorização do trabalho das bandas nacionais, nome em inglês usado como ironia.

Obediência: uma visão futurística caso aceitarmos tudo o que é imposto pelas lideranças (governo).

Tóxico (a música conta com a participação de Marina Dolinsky, da extinta banda Victtoria): Protesto sobre poluição ecológica / química, e as mudanças que o correm e vão ocorrer

Vivos: perdição nas drogas, e o renascimento sem consequências.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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