segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
Nada Pop

F. Nick, do FISTT, e “A Arte de Perder”

Em agosto de 2015 a banda FISTT irá completar 21 anos de existência. Essa marca não é para qualquer banda, principalmente para uma banda que teve a oportunidade de conhecer diversos lugares do país, tocar com diversas bandas nacionais e internacionais, lançar álbuns, clipes e firmar seu nome no punk/hardcore com dignidade e o respeito de muitas pessoas.

O FISTT lançou recentemente um single chamado “Lápis de Cor”, que irá fazer parte do novo álbum da banda de nome “A Arte de Perder”. Para saber mais sobre o lançamento deste trabalho, além de algumas opiniões e histórias sobre o cenário independente, conversamos com o F.Nick, baixista e vocal da banda, além de proprietário da Oba Records/ObaShop. Confere o papo aí!

ENTREVISTA – F. NICK (FISTT)

NADA POP – Nick, fale um pouco a respeito do novo álbum da banda, “A arte de perder”. Quantas faixas terá o disco, quando será lançado e por qual selo o álbum irá sair. Aliás, haverá participações especiais no álbum, isso?

F. Nick – Antes de tudo muito obrigado pelo convite =]

Estamos em produção do álbum, serão 13 faixas para dar sorte e nossa previsão inicial é para abril /2015, de lançamento a gravadora principal é a Oba! Records, mas tenho conversado com alguns amigos de selos e há um interesse grande em fazermos parcerias na prensagem e distro o que é muito positivo já que o material físico chegará direto na mão do pessoal e também daqueles que não conhecem, estamos num processo de “back to basics” da coisa o que me deixa muito feliz particularmente.

De participações é confirmado o Camilo Bóia, do Cueio Limão, que é um grande amigo da gente, já vinha falando com ele há uns 3 álbuns atrás de fazer algo junto mas nunca rolou, dessa vez deve acontecer e outro dia falei brincando com o Alyand (Dead Fish) que todo mundo só chama o Rodrigo pra participar de música, inclusive a gente, e que ninguém dá muita bola pra baixista, devo pensar em algo aí convido ele pra tomar uma cerveja e tocar numa faixa e ele também achou legal (rs).

NADA POP – E sobre o Oba Records, o selo voltou de fato? Pretendem lançar mais bandas pelo selo e o que motivou a parada do selo e também a sua volta?

F. Nick – A Oba! ficou mais focada nos outros braços dela nos últimos anos como a Oba! Shop que é uma referência de comércio eletrônico hoje e também no departamento vestuário da Records, não que a gravadora tinha brecado mas com essa baixa de CDs, etc., nós demos uma travada em distro.

Acabamos realizando mais coisas do FISTT mesmo mas já era um desejo antigo de retomar CDs prensados, distro, essas coisas que é o que eu mais curto fazer aqui na firma. Acho que é um momento legal pra isso começar a rolar pra gente, temos muito mais experiência e isso poderá colaborar pra por gente nova no mercado também, além de coisas já clássicas.

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FISTT é: F. Nick (vocal e baixo), Ricardo DRVz (guitarra e vocal), Dulino (guitarra) e Carrerinha (bateria).

NADA POP – O novo álbum terá letras de contestação ou mais românticas? O que podem adiantar a respeito disso?

F. Nick – Acho que nunca fizemos uma letra de amor rs, afinal nós somos a banda que grita “Eu odeio falar de amor”, certo? Rs, o FISTT tem a característica de ser minimalista, letras curtas, músicas rápidas, somos de escola Ramones, acho que nossas músicas falam de coisas legais e positivas e mesmo o disco se chamando “A arte de perder” não é algo negativo, mas algo que te tira do seu lugar e te levanta, te joga pra cima, serão músicas que falarão sobre superação, amizade e transpor dificuldades, todos nossos discos são muito regulares e esse não será diferente, mas também não esperem que a gente reinvente a roda, serão músicas curtas, com guitarras altas e rápida, a ideia é essa.

NADA POP – Com tantos anos de estrada com o Fistt (são 20 anos de banda, certo? Ou 21? Fiquei na dúvida), e vários shows na bagagem, incluindo shows realizados com o Down By Law, Shelter e Bambix, por exemplo, considera que a estrutura das bandas e das casas melhorou? Os shows que vocês realizam hoje é com qual estrutura? Levam os equipos ou usam o da casa?

F. Nick – Quase 21, será em agosto! Cara, é complicado responder isso, tem lugares que você tem o melhor tratamento do mundo e o melhor equipo, tem lugar que mal tem equipo e público e isso é do mesmo jeito desde quando eu era mulecão e tava começando a banda. Tem a questão da realidade de cada local também, muitos shows são organizados pelo pessoal das próprias bandas, é o cara que curte você correndo pra te trazer pra banda dele tocar junto, do it yourself monstro, lugar pequeno, essa coisa toda e não é por isso que o cara é mais ou menos profissional, saca?

Tem casas de shows que tem a mega estrutura e as vezes você vai tocar num buteco com 50 pessoas socadas que é muito mais divertido. Estamos no Brasil, nossa cena é a underground e teremos dias bons e dias ruins, óbvio que todo mundo só quer dias bons mas na prática não é assim que a coisa funciona, é pra quem gosta mesmo. De estrutura da banda temos todo backline, nem sempre levamos tudo mas cabeçotes é um item quase que indispensável pra manter timbre.

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F. Nick

NADA POP – O último trampo de vocês foi em 2012, não estou contando o som que vocês gravaram para o tributo ao Nitrominds, lançado em 2014. O que fez a demora por um material novo da banda e se haverá também o lançamento físico do álbum ou só virtual, como já aconteceu em outros álbuns da banda?

F. Nick – Isso, foi o EP “Hasta La Vista, Junior!”. Acho que somos meio preguiçosos mesmo, não tem muito outro motivo (haha). Vejo bandas lançando material com frequência, se o material é bom, ótimo, mas tem muita coisa empurrada também. Disco pra mim tem o tempo certo, ele vai surgindo aos poucos e uma hora nasce, jamais faria algo que eu julgasse meia boca, prefiro ficar sem lançar pois tenho o maior respeito pelos fãs da banda, com a banda e também comigo mesmo, então fico no modo ócio criativo. Sobre o disco, será em formato físico e virtual, já os demais que saíram só virtual já estamos providenciando para que saiam fisicamente nesse ano.

NADA POP – Falando nisso, você acredita que o lançamento físico de álbuns ainda se faz necessário?

F. Nick – Hoje em dia até pra fazer o sujeito dar o play no soundcloud tem sido uma tarefa complicada pra caramba. Eu sou uma pessoa que gosta de comprar CDs, curto ler encarte, ver quem produziu, essa coisa toda e ver até os agradecimentos, é quase que um ritual e acredito que muita gente faça isso também, então não digo que seja uma regra, uma obrigação, mas e legal pra caramba ter o disquinho físico na mão. Do FISTT fizemos exclusivamente digital o disco “Hasta La Vista, Junior!” e o single Bom Dia, discos anteriores tem sua versão prensada.

NADA POP – Diz aí, conhecem você tanto pelo trampo da Oba quanto pelo FISTT, certo? Nesses anos com a banda, acredita que o cenário independente mudou muito? Em qual sentido e se para melhor ou pior?

F. Nick – São dois trabalhamos diferentes, acho que cada um tem seu lado e a galera que conhece, no FISTT não gosto de falar que sou o cara da Oba! e na Oba! não fico falando que sou o cara do FISTT também.

Então, quesito de shows é o que falei anteriormente, tem altos e baixos, coisas boas e legais, de cenário em geral para bandas precisa haver mais interesse do público em conhecer quem está na ativa e também o surgimento de novas bandas, falo de bandas de molecada mesmo que começam do zero e tentam chegar em algum lugar e aí os amigos vão para o show deles e assim a coisa gera um novo ciclo. Somos uma banda de 20 anos, já vimos nada nada duas gerações, o pessoal que conhecia a gente no começo já leva os filhos pro show quando possível, é muito doido isso.

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FISTT – Foto por Roberto Gasparro

NADA POP – De todas as suas histórias dentro do cenário, qual delas você poderia citar como a mais positiva. Há mais coisas boas do que negativas?

F. Nick – Temos mais coisas positivas que negativas, o negócio não é tanta bomba o tempo todo (hehe), acho que só pelo fato de estarmos a tanto tempo na ativa, gravando e fazendo shows já é a coisa mais positiva que poderia ter acontecido, me sinto grato por poder fazer o que gosto.

NADA POP – O single “Lápis de Cor” é uma prévia do álbum, mas pretendem lançar clipes ou já existe algo engatilhado nesse sentido? De qual música será o clipe?

F. Nick – Sim, temos um clipe em andamento, ainda está na fase de roteiro e o diretor tem sido muito paciente e gentil com a gente (Roberto Mamfrim) para definirmos tudo da melhor forma. Por hora será de “Lápis de cor” mesmo mas um desejo da banda para um dia desses é realizar um curta com a música “Carnaval”, um dia deve rolar.

NADA POP – Hoje, se te perguntassem no que uma banda deveria investir, se no lançamento do álbum físico da banda ou em merchan (camisetas, botons, adesivos), o que você recomendaria?

F. Nick – É legal ter camisetas e outros itens, as pessoas que gostam da banda querem usar, mas a primeira função de uma banda é fazer música, gravar e tocar, melhor focar na música primeiro e outros itens para agregar após isso.

NADA POP – Com quais bandas estrangeiras vocês curtiram mais fazer shows? Teve alguma delas que vocês não curtiram tanto, e por qual motivo?

F. Nick: Gosto muito do Bambix, somos bem amigos principalmente da Wick desde a primeira tour no Brasil e é uma das bandas que mais respeito. Foi muito legal também tocar com o Bad Religion e o Millencolin, foram super gente boa. De experiência ruim acho que não teve, tem uns músicos que as vezes não estão no seu melhor dia e são meio estranhos com todo mundo, rolou isso quando tocamos com o No Use For a Name.

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Camiseta clássica do FISTT.

NADA POP – O underground no Brasil ainda é um meio com pouca estrutura, no entanto, a internet promove um mundo de bandas e com parte delas sem nenhum envolvimento mais profundo de cena mesmo. O que precisaria mudar, em sua opinião, para um cenário mais forte? E forte, nessa questão também envolve o lado comercial disso, com o público comprando merchan das bandas e fazendo essa roda girar de forma melhor pra todos?

F. Nick – No meu ver a cena é um conjunto de pessoas que pensam e curtem em partes o mesmo estilo ou direcionamento musical, então é um mix de público trabalhando para isso junto com bandas produzindo conteúdo para esse movimento cultural / artístico, uma coisa depende da outra pra poder existir. Sobre merch, etc com certeza ajuda tanto para a banda poder investir mais na sua própria estrutura como divulgação do seu som / ideias, tá tudo interligado.

NADA POP – Agradeço a atenção e peço que deixe uma mensagem para os fãs da banda além das formas de contato com vocês. Valeu!

F. Nick – Valeu NADA POP, obrigado novamente pelo espaço, parabéns pelo trampo que vocês vem realizando, é de extrema importância na divulgação de todos! Nosso novo disco sai em breve e vocês podem nos achar no site da banda (fistt.com.br) ou no Facebook que é mais fácil pra bater papo (fb.com/fistt). Grande abraço!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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