quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Nada Pop

Entrevista: O universo feminino do RAKTA

RAKTA é aquele tipo de banda que, quando você ouve pela primeira vez, fica com uma pulga atrás da orelha tentando identificar o que mais a música delas tem pra transmitir. Elas transcendem o universo musical e trazem um cenário místico, feminino, gigante, forte e performático para os palcos.

Esse universo se transforma em uma energia muito intensa que chega a dar arrepios na espinha. É um misto de sensações que só são possíveis entender ao assistir a um show ao vivo. Pelo Bandcamp, dá pra ouvir o material que elas já lançaram pra ter um pouquinho dessa sensação indescritível que elas transmitem com a música.

NADA POP – O que o nome RAKTA significa?

RAKTA – Encontrei o nome em um livro que estava lendo e a definição pelo livro é que RAKTA significa vermelhidão, representando a cor vermelha da paixão, o poder da vontade em toda sua força, que motiva nossa luta pela existência. é também a palavra para sangue menstrual. RAKTA é uma derivação da palavra RAJAS (em sânscrito) que é o componente energia, que produz movimento, força e expansão. uma qualidade que possibilita superar resistências.

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Rakta – Foto: divulgação

NADA POP – Como surgiu a banda?

RAKTA – Na época a Carla estava querendo começar a tocar baixo e procurava uma banda. Eu conhecia a Natha há alguns anos e através dela conheci a Laura e a Carla. Um dia nos encontramos e resolvemos marcar um ensaio para ver no que dava. isso foi em setembro de 2011.

NADA POP – Quais são as principais referências musicais de vocês?

RAKTA – São muitas! Cada uma tem suas referências… Muitas delas se encontram, outras divergem e isso muda conforme os anos e o momento de cada uma. Movimento é uma qualidade que nos identificamos.

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Rakta – Foto: divulgação

NADA POP – Vocês criaram um universo que vai além da música (RAKTA people, atmosfera RAKTA, etc…). Como vcs sintetizam esses sinais? O que eles significam e quais são as características de que algo faz parte desse universo?

RAKTA – Sempre apreciamos a ideia de integrar/transgredir, tanto pessoas como qualidades, mesmo essas sendo divergentes. É assim que crescemos e expandimos. Muito do que surgiu aconteceu de maneira espontânea, como acontecimentos observáveis. esse universo não é criado apenas por nós RAKTA – são várias osmoses, vários tempos, várias travessias que se cruzam.

NADA POP – Como vocês inserem o feminino e o feminismo nesse universo?

RAKTA – Acredito que tanto na forma sutil quanto na consistente, seja através dos sons, das letras, dos sentimentos e principalmente daquilo que, inevitavelmente (além do nosso controle), somos. O que fazemos já é um ato que contesta por si só. A presença da energia feminina (não como gênero mas como um princípio) é muito forte.

NADA POP – Inicialmente vocês eram uma banda de soft punk/post punk com guitarra, baixo, bateria, teclado/sintetizador, vozes e muitas distorções. como é essa nova fase sem guitarras?

RAKTA – É demais. novas possibilidades e desprendimento do que já foi. Gosto muito disso. É importante a gente buscar romper nossas zonas de conforto, assim podemos nos descobrir e desafiar mais musicalmente – o que acarreta também em nos desafiar e descobrir interiormente.

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NADA POP – Como foi o processo de composição dos últimos materiais que vocês lançaram (7″ INTENÇÃO e III)?

RAKTA –
O INTENÇÃO nós gravamos em Barcelona/Espanha quando finalizamos nossa turnê em 2014, ainda na formação baixo, guitarra, bateria e voz/teclado. Nos enfurnamos no estúdio por uns 4 dias o dia todo e depois gravamos com o Frutos. Foi bem intenso por diversos motivos.

O III nós gravamos aqui em São Paulo com o Bernardo Pacheco. Esse é o nosso segundo LP e o primeiro a ser gravado no formato trio – sem guitarra. A Natha (baterista) mora na Argentina agora, então quando ela vem para São Paulo nós nos juntamos e fazemos o máximo que conseguimos.

A gravação do LP foi dessa forma. Muitos ensaios (dentro do possível) e durante a gravação a composição não deixou de acontecer – algumas boas coisas foram descobertas durante a gravação. Foi intenso e leve ao mesmo tempo – um marco de uma nova espiralada.

NADA POP –
Vocês sairão em tour pelos EUA, Canadá e Japão em pouquíssimos dias. Quais são as expectativas desse role?

RAKTA – Nossa, nem fala. Estamos muito animadas e ansiosas. Os EUA e Canadá conhecemos e tocamos na nossa turnê de 2014. Agora o Japão não sabemos o que esperar! É insano pensar que estaremos em outro lado do mundo tocando, em uma cultura muito diferente da nossa. Nos EUA e Canadá já sentimos esse choque, imagina no Japão! Como se trata de uma nova fase, todos os lugares, mesmo o que já tocamos, será novo. É sempre uma outra experiência e isso é o que nos motiva!

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Flyer da tour da RAKTA

E para nos despedir e comemorar essa viagem longa e transcendental que as meninas estão se preparando, hoje tem um show delas com a In Venus na Associação Cultural Cecília.

+ sobre o evento: https://www.facebook.com/events/1091748084232909/

+ sobre o Rakta: https://www.facebook.com/raktaraktarakta

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Sobre o autor

Cintia Ferreira

Cintia Ferreira é feminista, riot grrrl, militante da coletiva Chega de Assédio e vegan, além de integrante da banda In Venus.

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