quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

Entrevista: o som de Porto Rico com a Orquesta el Macabeo

Orquesta el Macabeo é um grupo independente de Porto Rico que foi criado em 2008. Ao contrário da maioria das bandas de salsa da atualidade, compõe seus próprios temas. Com 12 integrantes, a Orquesta el Macabeo é diferente da maioria dos grupos de salsa: faz um som mais clássico, como a salsa de raiz na qual se fala sobre temas corriqueiros, além de algumas letras irônicas. Por isso, passou a fazer sucesso em 2012 e tocou em lugares como Espanha, Estados Unidos e França.

O que mais chama a atenção é que a maioria dos integrantes fazem ou fizeram parte de grupos de punk, reggae e ska. Não à toa a banda prestou um tributo fazendo uma versão de Eutanasia, música da Polla Records, uma das bandas mais icônicas do cenário punk da Espanha e que influênciou toda a América Latina.

Recentemente, participaram de um split que foi lançado no Brasil com o Figueroas, lançado pela Laja Records. No próximo semestre a Orquesta vai lançar seu quarto disco, La Maldición del Timbal, que inclui uma das faixas do split: Armonia.

Abaixo você confere a nossa entrevista com José Ibáñez, baixista da banda. O papo foi intermediado com ajuda do Mozine (Laja Records). Valeu Moz!

NADA POP – Como é o cenário musical porto-riquenho?

ORQUESTA EL MACABEO – Porto Rico é uma ilha musical. Mesmo sendo um país pequeno, é evidente que conseguimos contribuir com a história musical dentro do país. Desde a música popular até a contemporânea. A América Latina é um mundo de sentimentos e ritmos diversos que cativa o mundo inteiro. Estamos extremamente felizes de fazer parte desse mundo. No ano passado, lançamos um CD na Argentina, intitulado “Siente años macabros”, graças à iniciativa de Sergio Rotman, fundador do “Los Fabulosos Cadillacs”. Neste disco, tem a participação de Mimi Maura.

NADA POP – Quais são as principais influências da banda?

ORQUESTA EL MACABEO – Na Orquesta escutamos de tudo. Desde black metal até lambada… Alguns integrantes possuem outros projetos musicais de outros estilos, como heavy metal, rap, gypsy, infantil, flamenco… Quando começamos a tocar, queríamos fazer um som parecido com o das primeiras bandas de salsa. Com um som mais cru e genuíno, letras com temas sociais e cotidianas, por isso o povo se identificava muito com esse estilo. Temos como exemplo bandas como, La Orquesta Zodiac, Cortijo y su Combo ou Raphy Leavitt y la Selecta.

siete-annos-macabros

Álbum “Siete Años Macabros”, de 2015

NADA POP – Como é a repercussão da banda no cenário mundial nesses oito anos, especialmente na Europa?

ORQUESTA EL MACABEO – Em 2013, fomos à Espanha e França e nesse ano temos planos de voltar. Na Europa, Meneo Records, da Alemanha (que faz parte do selo Thrash Bastard), editou o nosso terceiro LP, “Lluvia com sol”. Em Madrid, o selo Vampisoul lançou de 2013 até hoje três trabalhos do Orquesta el Macabeo, sendo uma coletânea em LP/CD e 2 discos de 7”.

Além disso, nos apresentamos no México e em diversas cidades dos Estados Unidos desde 2012. Nossos trabalhos são divulgados no mundo todo, inclusive no Japão e agora no Brasil, com a Laja Records. Estamos ansiosos por visitar logo esses países.

NADA POP – Como surgiu a ideia de gravar Eutanasia, do La Polla Records para um disco em homenagem à banda e Eskorbuto e de onde surgiu a ideia?

ORQUESTA EL MACABEO – Queríamos fazer uma homenagem a duas grandes bandas que nos influenciaram tanto na música, ideal e atitude. Falamos com o sel Vampisoul, que também tem outro selo chamado Munster, que faz re-edições dos discos tanto do Eskorbuto quanto do Polla Records. De cara se entusiasmaram e toparam fazer o projeto, quando dissemos que nos encarregaríamos de fazer as versões de punk em salsa.

NADA POP – Como começaram as gravações do El Macarazzi (um documentário sobre a banda)?

ORQUESTA EL MACABEO – Aníbal Vidal Quintero, tecladista da banda, se deu ao trabalho de reunir alguns dos vídeos gravados em diversos momentos de Orquesta el Macabeo, sendo a maioria de viagens, ensaios e preparações para eventos. Não necessariamente de eventos ao vivo. Pretendemos algum dia lançar uma segunda parte, já que sempre documentamos muito o que fazemos.

NADA POP – Como aconteceu a parceria com o Figueroas para o split?

ORQUESTA EL MACABEO – Eu (José Ibáñez) conheço o Fabio Mozine, da Laja Records, faz uns quatro anos. Já trabalhamos juntos na divulgação de discos de bandas de punk e hardcore. Conversando pela internet, comentei que estava interessado em encontrar um grupo no Brasil, para criar um single e lançar num vinil Split com Orquesta el Macabeo. Minha vontade era de promover um intercâmbio cultural e musical com projetos diferentes de outros países. Rapidamente, o Fábio veio com a ideia de fazer com Figueroas, que eu já conhecia, sei de onde vem e o que está fazendo, além de conhecer o seu sucesso com o público atualmente. Por isso me pareceu um projeto interessante, refrescante e fora do comum. É o tipo de trabalho que adoro fazer.

figueroas_el_macabeo

Split do Figueroas com a Orquesta el Macabeo – Adquira clicando AQUI.

NADA POP – O que você pode falar sobre o novo disco e planos para o futuro.

ORQUESTA EL MACABEO – Atualmente estamos acabando o disco, que inclue a música Armonia, que fez parte do EP split com o Figueroas. Esse é o nosso quarto trabalho oficial, intitulado “La Maldición del Timbal” e que vai contar com 8 músicas da Orquesta el Macabeo. Estamos ansiosos para que o público escute e conheça, mas estamos mais ansiosos ainda de poder continuar levando nossa música a todos os países do mundo.

Saiba mais sobre a Orquesta el Macabeo

Site: http://orquestaelmacabeo.com/
Facebook: https://goo.gl/tgqQsN
Twitter: https://twitter.com/OrquestaMacabeo
Soundcloud: https://soundcloud.com/orquesta-el-macabeo

Gostou desse Post? Compartilhe!

Sobre o autor

Guadalupe Carniel

Estudante de jornalismo, quer morar no mundo todo. Apaixonada por escrita, fotografia, viagens, música, América Latina, futebol, comidas sem frescura e pessoas. Acredita que as principais lições para a vida são quem são Ramones, como pogar e que o punk ainda pode salvar o mundo.

%d blogueiros gostam disto: