quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Entrevista: o post-punk da banda The Completers

Diretamente de Porto Alegre vem a ótima banda The Completers, formada inicialmente por Jonas Dalacorte (guitarra), Lucas Richter (baixo) e Guilherme Chiarelli Gonçalves (bateria) para levar um som com influência do Wipers. Após um ano de ensaios e experimentações, a banda ganhou um novo integrante, Felipe Vicente (vocais e guitarra), e uma nova proposta sonora mais puxada para o post-punk. Após disponibilizarem suas primeiras músicas, lançadas em fita cassete, e realizarem diversos shows por todo o Rio Grande do Sul, o The Completers conversou com o Nada Pop sobre a repercussão que seu trabalho vem ganhando e os próximos passos a serem tomados. Confira!

NADA POP – Primeiramente gostaria de dizer que essa é a minha primeira entrevista para o Nada Pop. E fico muito feliz e satisfeito que seja com o The Completers. Vamos lá então! A banda foi formada em 2015, certo? Por que ela ficou tanto tempo em “segredo”?

The Completers – Opa… Esperamos que essa seja a tua primeira de muitas entrevistas. Agradecemos a lembrança e o convite. Então… Isso mesmo, a banda começou em 2015 como um trio – Guilherme, Lucas e Jonas; depois de quase um ano entrou o Felipe. Durante esses primeiros meses ficamos só ensaiando, amadurecendo a banda, construindo e descontruindo as músicas, meio que procurando uma identidade para o nosso som. Apesar de já termos tocados juntos em outras bandas e projetos, a The Completers é algo muito novo pra gente. Estamos aprendendo um monte.

NADA POP – No Bandcamp de vocês tem a seguinte descrição: “punks playing post-punk”. Montar uma banda nesse estilo então vem de uma vontade de experimentar mais do que o punk normalmente permite? Ou então sair de uma possível zona de conforto?

The Completers – Tocamos em bandas hardcore punk desde a adolescência e queríamos fazer algo diferente do que estávamos acostumados. A ideia inicial era levar um som meio Wipers, mas com todo aquele processo que comentei antes de ficar um tempão ensaiando, as músicas acabaram indo para essa linha do post-punk. Foi algo bem natural. Todo mundo entrou na mesma pilha.

The Completers – Foto: John Souza

NADA POP – Como é que foi o processo de criação e gravação até chegar nas duas primeiras músicas disponibilizadas? E como surgiu a ideia de lançar em k7?

The Completers – Desse período que ficamos só ensaiando já tínhamos composto o instrumental de umas dez músicas, mas acabamos trabalhando só em metade delas. Sentimos que já era hora de gravar algumas e decidimos registrar “Silence” e “Be Gone” por serem as duas primeiras que fizemos, na nossa cabeça elas meio que se complementam, marcam o início da banda. O lance de editar em cassete foi por ser um formato que a gente curte muito, assim como o vinil, mas com um custo bem mais acessível. Fizemos poucas cópias e enviamos para alguns selos.

NADA POP – Vocês estão fazendo diversos shows aí pelo Rio Grande do Sul, certo? Então aquela clássica pergunta: como está sendo a recepção do público? E algum plano ou expectativa para tocar em outros estados do Brasil?

The Completers – A recepção está superando nossas expectativas. Temos tocado em festas e shows com outros estilos musicais e uma galera sempre chega pra trocar ideia, ou seja, estamos atingindo vários “públicos”. Isso já é bem recompensador. Para 2018 certamente vamos tocar em outros Estados e, talvez, países vizinhos.

NADA POP – Todos os integrantes já possuem bagagem no cenário underground brasileiro. Qual a vantagem disso na hora de montar uma nova banda? E quais os principais desafios que vocês encontravam e continuam encontrando em ter uma banda independente no Brasil?

The Completers – Isso ajuda a “encurtar caminhos”, mas os desafios são sempre os mesmos: poucos espaços para tocar, falta de estrutura para realizar turnês, algumas vezes o equipamento não é muito bom, alto custo para lançar discos, etc. São coisas que estão melhorando com o passar do tempo, mas estamos bem longe da mesma realidade nos Estados Unidos e Europa. O importante é não desistir, acreditar no que produzimos e procurar maneiras de fazer isso chegar a outras pessoas.

NADA POP – Nos anos 90/00 surgiram muitas bandas de rock independentes aqui no Brasil, mas nem tanto de post punk, indie, shoegaze, guitar band, etc. Porém ultimamente eu tenho sentido que mais bandas nesses estilos têm aparecido, em diferentes locais. Vocês têm essa impressão também? Já dá para falar que existe uma cena que foge do punk mais clássico ou do hardcore? Ou ainda é prematuro ou nem é relevante existir ou não uma cena?

The Completers – Desde os anos 80 existem bandas desses estilos no Brasil. Em algumas épocas com mais intensidade, em outros momentos com menos. Antes a galera não se ligava tanto em subgêneros, eram quase sempre chamados de “rock nacional” nos anos 80, “rock alternativo” nos anos 90 e “indie” nos anos 00. Hoje essas segmentações dentro do rock independente são mais conhecidas e divulgadas.

NADA POP – O post punk é um estilo musical muito urbano, local onde vivem muitas pessoas, mas ao mesmo tempo é bem introspectivo. De que forma a cidade, e mais especificamente Porto Alegre, influencia no som da banda e nos sentimentos que vocês possuem e querem manifestar?

The Completers – Lembro ter visto ou lido em algum lugar (Felipe respondendo), uma frase do tipo: “estou rodeado de pessoas, de amigos, mas estranho, nunca me senti tão sozinho”. Acho que essa frase reflete muito um dos sentimentos que a cidade pode proporcionar, onde tudo é imediato, tudo deve ser rentável e as relações saudáveis são quase que o tempo todo jogadas para segundo plano (primeiro os compromissos, depois o lazer). Porto Alegre não seria diferente, apesar de que, por si só, representa o estado de não mutação. Morei aqui praticamente toda minha vida, e muitas vezes sinto que já consegui sugar tudo que a cidade poderia me proporcionar. Bom que ela consegue surpreender uma vez que outra.

The Completers – Foto: Felipe Pereira

NADA POP – Quais os próximos planos da banda? Eu ouvi falar que vocês estão gravando 3 músicas inéditas para serem lançadas num compacto 7’ a ser lançado pelo selo Thrash Unreal Records. Procede a informação? E alguma chance de vocês nos presentearem com um full álbum em um futuro próximo?

The Completers – Sim. Estamos em fase final de produção de um EP em vinil 7” que deve sair próximo da virada do ano. Quando esse material sair, queremos tocar fora do Rio Grande do Sul, conforme comentamos antes. E depois, já na sequência, gravar o primeiro disco. Já estão rolando algumas músicas ao vivo.

NADA POP – Rapaziada, acho que é isso. O espaço é de vocês para deixarem comentários, dúvidas, sugestões ou curiosidades.

The Completers – Obrigado pelo espaço. Vocês podem ouvir nossas músicas no Bandcamp e acompanhar nossas novidades pelo Facebook.

The Completers: Bandcamp | Facebook | YouTube

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Sobre o autor

Guilherme Melo

Publicitário não praticante, guitarrista nas horas vagas, centroavante matador e apreciador de qualquer boteco sujo. Gosta de colecionar discos e k7s e possui um tipo de humor refinadamente bobo.