quarta-feira, 18 de julho de 2018
Nada Pop

Entrevista com Matheus Krempel, The Bombers

Conversamos um pouco com o Matheus Krempel, vocal e guitarra da banda The Bombers, que, entre outras coisas, falou sobre os 20 anos da banda, shows em Brasília, desilusão com a cena independente, do álbum “All About Love” e, claro, do show da banda nesta sexta-feira, dia 31, no projeto Noise Free junto com a banda Floreosso. Além disso, o Matheus gravou uma música no melhor estilo voz e violão especialmente para o Nada Pop, enquanto lê a entrevista, aperta o play e aproveite o papo.

NADA POP – Vocês fizeram shows em Brasília recentemente e foi a primeira vez que vocês tocaram por lá, certo? Conta pra gente como foi esse rolê, com quais bandas vocês tocaram e como surgiram esses shows por lá.

MATHEUS KREMPEL – Ah cara foi muito bacana, conseguimos espalhar material pela região (camiseta, cd), fizemos boas amizades. Eu acho que é preciso levar o som para além das capitais. A gente tocou em Brasilia, sim. Mas no mesmo rolê, fizemos Luziânia, em Goiás, para você ter uma ideia. E existe muita banda boa por lá. Tem o Outubro HC, Dino, Firstations, Beer and Mess, Cadibode, My Last Bike, Dissonicos… e são bandas que estão lá e se você não for até eles, talvez não apareçam na sua cidade e se aparecerem, qual a chance de você saber se vale a pena assistir? A gente foi lá nessa mesma pegada de mostrar o som e se colocar a disposição do público. É uma espécie de intercâmbio cultural. Meia dúzia de pessoas conheciam nosso som por lá. Tocamos pro público dessas bandas (que nos acompanharam), mostramos nosso som e a resposta do público foi acima das nossas expectativas.

NADA POP – Teve uma entrevista sua que você comenta a respeito da sua desilusão com o cenário independente (ótima entrevista e sinceridade idem). A banda, por sinal, ficou alguns anos parada até por causa disso. Nos diga, essa desilusão com o cenário permanece? O que você poderia nos dizer que o incomoda ainda sobre o cenário?

MATHEUS KREMPEL – Só se eu fosse muito trouxa pra acreditar que alguma coisa mudou de lá pra cá. Os problemas ainda estão aí e a falta de estrutura também. Eu acho que dessa vez a minha cabeça já veio preparada pra encarar a realidade. É difícil? Sim. Vou conseguir viver somente disso? Não. Faço por que caralhos? Por Amor e Amizade!

NADA POP – Quais são as diferenças do Bombers de hoje (2014) em comparação com o Bombers do início (1995). Digo no sentido de evolução da banda, pessoal, letras, aprendizado em relação com o próprio cenário etc.

MATHEUS KREMPEL – Ah muita coisa mudou. Naquela época era tudo muito espontâneo. A minha geração já conhecia Ramones, The Clash e Sex Pistols e aí fomos confrontados com aquela explosão de Neo Punk ou Punk 94 e isso embaralhou tudo na cabeça de todos. Então tinha cara na banda que curtia HC e colocava influencia disso, tinha cara que não curtia Ska e eu sempre amei Ska (1º Paralamas do Sucesso e depois 2 Tone) e isso moldou o nosso som naquela época. Hoje em dia, nós buscamos experimentar novas alternativas para o nosso som. Não temos interesse em soar parecido com porra nenhuma. Hoje nós buscamos nossa própria identidade musical, baseado em tudo que sempre gostamos. Se isso que fazemos ainda é Punk ou não… tô cagando. Pra mim o Punk sempre foi livre. O Clash nos ensinou isso. Nós sempre vamos fugir de rótulos fáceis. E isso pra nós é uma forma de nos mantermos Punk Rock.

NADA POP – Tem uma frase sua que me fez querer te dar um abraço. Uma vez você disse que o fato de algumas bandas existirem hoje, como Blackjaw, Surra e Bayside Kings, também faz parte da continuação do próprio Bombers. Explica mais sobre essa frase e quais outras bandas que vocês podem citar (não precisa ser só de Santos, mas pode ser também se quiser).

MATHEUS KREMPEL – Cara na real, o fato do Bombers existir hoje é porque esses caras apareceram, pegaram o jardim pra eles, cuidaram e deixaram tudo da melhor maneira possível. Quando nós acordamos do nosso sono eterno, estava tudo lá. E em Santos foram eles, o Zebra Zebra, o Parelio e mais uma galera, em Brasilia e região o Firstations, em São Paulo tem o Lomba Raivosa. Se essas bandas não tivessem pegado o cenário para eles, nós não teríamos pra onde voltar. De certa forma, eles conhecem nossa historia e nos respeitam por isso e nós respeitamos, e muito, todos eles, por segurarem a tocha e por nos darem um espaço na cena.

NADA POP – Para quem ainda não sabe o que está perdendo, fale sobre o novo álbum do The Bombers, o “All About Love”. É tudo sobre o amor mesmo?!?! Ele foi lançado pela Hearts Bleed Blue, como funciona essa parceria com a gravadora?

MATHEUS KREMPEL – Cara, a HBB deu todo um sentindo pro nosso trabalho. O lance de “All About Love” é todo baseado nesse amor incondicional que temos pela musica. Tem Rock Steady, Punk Rock, Hardcore, Doo Wop, Piano e Voz, Bluegrass, Rock n´ Roll. É um conceito vintage. É sobre redescobrir o amor pelos álbuns, pelas raízes. É um disco que foi feito com começo, meio e fim. Foi pensado dessa maneira. Foi feito pra ser consumido como um filme, ou melhor, feito para ser curtido como nós curtíamos música na época dos bons discos e não na época dos Ep’s. E a HBB entende muito bem desse conceito e nos deram toda a estrutura e todo suporte para fazermos o que estamos fazendo hoje.

NADA POP – Ano que vem são 20 anos de banda (caralho!). Já estão pensando em algum lançamento especial?

MATHEUS KREMPEL – Humnnnnn, honestamente? Estamos pensando em continuar fazendo shows, nos lugares que não conseguimos ir nesse ano. Agora sobre lançamento… Estamos compondo musicas pro sucessor do All About Love… ehehehehehehehehehehe. 20 anos de banda… é uma tarefa dura. Tem que ter muita paciência, pouca expectativa e bastante desprendimento. Em 20 anos de banda, minha vida continuou acontecendo. O segredo é manter uma vida normal em paralelo. Caso contrario, você só vai se frustrar e se irritar. Não podemos nunca esquecer que São Paulo não é New York, Santos não é Los Angeles e Porto Alegre não é Berlin.

NADA POP – Vocês tocam nesta sexta-feira (31) no projeto no Noise Free, falem sobre como será o show e me parece que será um dia (noite!) especial com festa de Halloween, isso?

MATHEUS KREMPEL – Cara, vai ser uma puta festa boa. Vamos tocar bastante musica do All About Love em formato acústico. Entrada é 5 pilas, o horário de 19hs é bom, serve como um aquecimento para quem for madrugar, a cerveja é barata, o lugar é sensacional e do lado Metro Marechal Deodoro. Ahhhhhhh e vai ter uma galera fantasiada de monstrinho. Sem contar que os primeiros a chegar vão ganhar um negocinho. ehehehehehehehehe

NADA POP – Agradeço o papo, mas antes de encerrar, falem sobre os shows da tour que vocês estão fazendo. Existe uma estimativa de quantos shows/ lugares vocês irão visitar ao todo? O encerramento da tour será em Santos, verdade? Quando?

MATHEUS KREMPEL – Cara são 24 Shows. Iniciou em São Paulo, no Astronete em outubro e vai até o dia 14/12 em Santos. Já passamos por Brasília, Goiás, São Paulo e ainda vamos a Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Cansativo pra caralho! Mas prazeroso.

Abaixo você pode conferir todos os links, eu disse TODOS os links da banda. O Noise Free acontece toda sexta-feira e segue até novembro. Para mais informações do projeto basta acessar a página do Noise no Facebook, clique AQUI.

The Bombers

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Nos vemos nesta sexta no Noise Free, até!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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