quarta-feira, 18 de julho de 2018
Nada Pop

Entrevista – Caio Felipe | Sky Down (atualizado)

OBS.: Depois desse bate-papo fizemos uma nova entrevista, também com o Caio Felipe, para falar sobre o lançamento do álbum “Nowhere”. Para acessar essa outra entrevista clique AQUI.

Formada por Caio Felipe (guitarra e vocal), André Ricardo (bateria) e Tales Lobo (baixo) o power trio de Santo André (SP) vem demonstrando que o tal “Faça Você Mesmo” existe, e existe com força. Não se trata apenas de mais uma banda punk, muito menos de mais um daqueles sons que foram elaborados apenas para se tocar em rádios e aparecer em TVs. Muito longe disso. Se você é daqueles que vive dizendo que o rock and roll tupiniquim anda muito repetitivo em sem graça, em primeiro lugar você deve estar visitando lugares errados, e em segundo lugar é porque você ainda não assistiu a nenhum show da banda Sky Down.

Em 2012 a banda lançou o EP “Let There Be Light Cuz We’re a Mess”, que inclui uma cover dos Sex Pistols muito bem executada, diga-se de passagem. Atualmente estão finalizando um novo álbum que foi gravado no estúdio Costella e que em breve será lançado “para noooooossa alegriaaaaa” (tudo bem, esqueça essa piadinha sem graça, mas o entusiasmo é verdadeiro).

Em 2012 a banda lançou o EP “Let There Be Light Cuz We’re a Mess”, gravado no estúdio Acustica que fica em São Caetano do Sul (ABC). O download do EP está disponível gratuitamente e pode ser baixado no link que disponibilizamos no final da entrevista.

Confira abaixo a nossa conversa por e-mail com o Caio Felipe, guitarrista e vocalista da banda que respondeu todas as nossas perguntas sobre o início do Sky Down, shows e projetos.

NADA POP – A Sky Down surgiu em 2011, mas como e onde tudo começou? Quais as principais influências e como você conheceu os outros integrantes e quais eram os interesses no início? 

CAIO FELIPE – Começou no final de 2011 comigo e com o André (baterista). Nos tocávamos em outra banda juntos, essa banda acabou e estávamos afim de fazer um som, queríamos entrar em estúdio pra tocar o Funhouse do Stooges, uns MC5, essas coisas. Isso era o ponto de partida no início, pouco tempo depois decidimos trabalhar em material próprio, ai comecei a levar para os ensaios umas músicas que tinha em casa e não sabia muito bem o que fazer. Esse foi o início, eu e o André trancados num estúdio e que deu origem ao nosso primeiro EP.

NADA POP – Em 2012 vocês lançaram o ótimo EP “Let There Be Light Cuz We’re a Mess”. Nele existem quatro músicas próprias e uma cover do Sex Pistols. Pela qualidade do EP surge o interesse em saber onde e em quanto tempo vocês gravaram?

CAIO FELIPE – Gravamos o “Let There Be Light…” no estúdio Acustica em São Caetano do Sul (ABC) em uma semana. Dava pra ter gravado mais rápido, mas tínhamos que dividir as sessões entre o trampo e foi gravado por mim e pelo André. Gravei os vocais, guitarra, baixo e o André toda a bateria e percussão. O Acustica é um ótimo estúdio, equipo foda, ainda ensaiamos lá.

O power trio de Santo André (SP), da esquerda para direita: André Ricardo (bateria), Caio Felipe (guitarra e vocal) e Tales Lobo (baixo). (Foto por Daniel Cardoso)

NADA POP – Vocês já participaram de duas coletâneas, uma em tributo ao Holly TREE e outra chamada “Punk Across the Globe – Introducing Brazil Vol. 1”. Como foi participar dessas coletâneas e como surgiu o convite? Vocês estarão em novas coletâneas, caso sim, quais?

CAIO FELIPE – Foi legal, a “Punk Across the Globe” é uma ideia de um cara que faz coletâneas de bandas de punk rock por países. Se não me engano vi no ZonaPunk algo sobre a coletânea e mandei um som nosso para o cara, entrou no disco. A do tributo ao Holly Tree foi o pessoal do Lomba Raivosa que convidou. A ideia era juntar umas bandas para gravar dois sons e lançar de forma virtual, um lance totalmente “faça você mesmo”, cada banda gravou aonde dava e do jeito que quisesse. Gravamos a faixa “January 1st” que faz parte do “Don’t Burst Me” e é o batera do Holly Tree que canta a original. Foi num take ao vivo, logo de primeiro take, depois tentamos gravar mais umas duas vezes ela e não rolou (catuaba é veneno), então a versão que você ouve no tributo é a do primeiro take ao vivo. Até agora não apareceu mais nenhuma, talvez com o disco novo venham convites, se for num esquema legal, topamos sim, claro.

NADA POP – Atualmente vocês estão em gravação no estúdio Costella, que pertence Chuck Hipolitho (integrante da banda Vespas Mandarinas e ex-VJ da MTV). Já terminaram as gravações? Quantas faixas estão previstas para esse álbum e qual a previsão de lançamento? O Chuck também assina a produção do disco?

CAIO FELIPE – Só faltam alguns vocais, o disco vai ter 10 faixas inéditas e a previsão é sair agora no começo do ano, no primeiro semestre se tudo rolar legal. Gravamos as 10 faixas em um dia, tudo ao vivo, sem metrônomo, click track ou muitos ajustes, queríamos nesse disco deixar a coisa bem crua. É praticamente a banda tocando as músicas numa garagem. Sobre a produção, o Chuck não é o cara que vai querer mudar a sua banda ou vender alguma ideia idiota na sua cabeça. Ele dá alguns toques nas músicas, mas sempre deixa a coisa rolar, deixa com a banda mesmo e isso é ótimo. Entramos no estúdio com as músicas prontas, então ele teve mais a ver com a parte de engenharia de som, entendeu logo de início o som que queríamos tirar e foi importantíssimo pra isso.

NADA POP – O primeiro EP da banda trouxe canções em inglês, o novo álbum também será todo em inglês? E por qual motivo especificamente e do que as letras tratam?

CAIO FELIPE – O novo álbum será todo em inglês também. Por quê? Nada especificamente, se casar com a música não vejo problemas, é algo que talvez pelo nosso começo acabou vindo naturalmente e eu já tinha algumas letras em inglês aqui também, mas nada contra nossa língua, amamos bandas de rock nacional do mesmo jeito que as outras. O Motosierra do Uruguai canta em inglês e acho foda também, não me pego nessa coisa de língua. Nas letras falo de coisas que passam pela cabeça, reais ou ficção, as vezes você vê uma situação e tem uma opinião sobre aquilo. Esse disco novo bate mais no quanto o ser humano é um bicho escroto num geral e no quanto a gente precisa selecionar melhor as pessoas a nossa volta.
NADA POP – A Sky Down já está com um público bacana, não? Como vocês estão de shows e qual a expectativa para 2014.

CAIO FELIPE – Poxa, tem uma galera que esta acompanhando. A partir do momento que vem gente fora do nosso circulo de amigos falar da banda, comentar algo, é um bom sinal… hehe
Mas ainda falta muito. Vamos focar em tocar nos lugares por aqui (SP e ABC) que ainda não tocamos e no interior esse ano, quem sabe alguma coisa pela América do Sul também!? Não temos pretensão de ir para gringa (EUA ou Europa) por enquanto, tem tanta coisa pra fazer e aprender aqui ainda. A expectativa é essa, lançar o disco e tocar o máximo possível, fazer as pessoas ouvirem ele.

NADA POP – A internet se transformou em uma ótima forma de divulgar a banda, mas você acredita que o disco e flyers físicos ainda são um diferencial no meio de um universo de downloads? Qual a importância da internet para uma banda?

CAIO FELIPE – Internet = divulgação e uma forma de contato com publico. Divulgar agenda, noticia, vídeo, qualquer coisa relacionado a banda e do jeito que você quiser. Além de ser um canal direto e mais rápido para você entrar em contato com sites que falem de musica. O disco físico acredito que é um diferencial sim e vale a pena ainda, é bom ter o disco para vender por ai em shows e por um lado é o trabalho “concretizado”, além das bandas ainda vejo publico que dá valor a isso. Flyer impresso? Particularmente gosto, sempre roubo algum nos lugares que tocamos, porque viemos de uma época que ter o flyer impresso era importante e necessário, hoje não é mais. Acho lindo a cena de um documentário que o Joe Strummer esta pessoalmente entregando flyers para as pessoas na rua irem ver o seu Mescaleros, mas acho lindo porque sou bobo, sei que hoje as coisas funcionam de outra forma. Com a internet aprendi que devemos perder algumas velhas manias e se adequar a como as pessoas consomem as coisas hoje, vejo a internet principalmente para divulgação e um pequeno termômetro de como as coisas estão, não esquecendo que o termômetro principal ainda é nos shows, ao vivo e na rua.

Sky Down no Espaço Cultural Walden (Foto por Daniel Cardoso)

NADA POP – Além das influências que você citou acima, quais são as bandas que vocês estão ouvindo atualmente? Haverá alguma participação especial?

CAIO FELIPE – Dinosaur Jr, Merda, Stooges, NEU!, Pixies, Devo, Wipers, Husker Du, RDP, X, Joelho de Porco. Não teve nenhum convidado, o Chuck fez uns barulhos conosco e queríamos que o Japa (que toca no Merda e foi nosso baixista original) tocasse num som, mas não rolou pela tempo/distancia agora. Então, é o trio mesmo.

NADA POP – E da atual cena do país ou de São Paulo, quem você destaca e recomenda?

CAIO FELIPE – Merda, Lomba Raivosa, Name The Band, Kopos Sujus, Leite Paterno, Test, tem para todos os gostos, quem cola nos shows sabe. Ah e ouçam Skate Aranha.

NADA POP – Para encerrar, quem você mandaria tomar no cu?

CAIO FELIPE – A lista poderia ser grande, mas to começando a aprender a me desapegar disso, quem deveria tomar no cu a vida dá um jeito, cedo ou tarde. Mas como não aprendi ainda, queria mandar tomar no cu essa rapaziada do meio “artístico” que estão mais preocupadas com ego, papinho falso de união e essa molecada pau mole, inofensiva, galera parece que não fica mais puta, parece que chega em casa, compõe um mpbzin, toma um café, compartilha, tem o ego afagado e ta tudo bem. Ta tudo bem o cacete. E mandar tomar no cu aquele cara que pegou 20 reais meu e do André uma vez na rua.

LINKS – SKY DOWN

– Facebook – Sky Down
– SoundCloud do Sky Down
– YouTube do Sky Down

PARA BAIXAR!!

Sky Down – EP “Let There Be Light Cuz We’re a Mess”
Coletânea “Punk Across the Globe”
Tributo ao Holly TREE

PARA CONHECER

– Punk Across the Globe
Tributo ao Holly TREE

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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